Arquivo do mês: outubro 2009

Um passeio pela blogosfera (alternativa) do futebol

O Campo dos Sonhos

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Sabe aquela partida inesquecível do seu time, o título suado, a virada inacreditável… ou mesmo a oportunidade para ver os craques dos anos 60, 70 ou 80? Então, agora você pode baixar essa partida.

Tributo ao Carrinho

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Uma ode ao futebol macho, viril, violento e porradeiro. Aqui não tem essa de “drible da foca”, “pedalada”, “rolete”. O que vale aqui é levantar o adversário, parti-lo ao meio com um carrinho com o pé levantado. Mostrar as travas da chuteira.

The Run of Play – Attacking Football

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Um olhar cético e pouco óbvio a respeito do futebol. Os aspectos culturais e sociais que o esporte bretão suscita. Só que na lingua bretã.

Filosofia Tática

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Você está de saco cheio do PVC (Paulo Vinícius Coelho) e sua visão esquematizada, estatística e tecnicista do futebol? Então este blog não é para você.

Futebol Tático

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Se o “Filosofia Tática” transformara o futebol em mero tecnicismo, “Futebol Tático” quase torna o esporte em uma disciplina acadêmica.

World Stadiums

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Um  catálogo com estádios do mundo inteiro. Estádios, estádios e mais estádios. Do passado, do presente e mesmo do futuro. Pois bem, aqui você tem tanto o multimilionário Wembley de Londres quanto o simpático Barão de Serra Negra de Piracicaba.

Distintivos

distintivos

Site do saudoso jornalista Luiz Fernando Bindi, com distintivos do mundo todo. Todo mesmo.

Minhas Camisas

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Colecionadores de camisas de times de futebol, uni-vos. E uni-vos no Minhas Camisas, um site que é blog, fórum, loja virtual, comunidade e ferramenta de divulgação de designers de uniformes esportivos.

MyP2P

myp2p

Quer assistir a partidas de futebol do mundo inteiro, inclusive do leste europeu, América Latina, Grécia, Oriente Médio, além de esportes ao vivo sem pagar um centavo por isso? Então tá.

Pois é. Lembra quando o futebol era muito menos complicado…

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A Puta da Uniban (sic)

O blog “Boteco Sujo” dá uma amostra do que aconteceu semana passada em um campus universitário (??????) paulista:

“Uma estudante de Turismo cometeu o crime de ir para faculdade vestindo apenas uma blusinha que mal chegava até suas coxas. Quando a garota começou a subir uma das rampas da universidade, oferecendo uma vista privilegiada das suas redundâncias, provocou um levante entre marmanjos que provavelmente nunca haviam visto uma mulher sem roupa desde que foram desmamados. Os estudantes começaram a cercar a moça, com gritos e galanteios de pedreiro, e foram se empolgando até que ameaçaram estuprá-la. Ela, então, correu e se trancou numa sala.

Foi aí que todos os alunos abandonaram as aulas e se aglomeraram numa multidão que ameaçava invadir a sala onde a garota havia se escondido, aos gritos de “puta, puta!”. Homens e mulheres se juntaram para xingá-la. Foi preciso que um grupo de policiais militares entrasse no prédio para evitar que a menina se tornasse a protagonista de um gang bang forçado.

Agora, uma retificação. Nada disso aconteceu nos tempos moralistas e patriarcais da boa rainha Vitória. Essa história aconteceu, de verdade, na noite da última quinta-feira, dia 22, no câmpus da Uniban em São Bernardo do Campo.” Continua aqui.

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A Marjorie Rodrigues escreve um longo post sobre a humilhação pública como arma de intimidação ditatorial e traça um paralelo ao caso recém acontecido.

” E é aí que entra o negócio da Uniban. É no mínimo interessante chegar de viagem e dar de cara com uma notícia dessas. As pessoas ainda não vêem horror numa humilhação pública. Ainda acham que há coisas que alguém possa fazer para merecer isso. Ainda acham que há o que a justifique. Não vêem um ato de extrema violência nisso. É fácil olhar para um monte de corpos empilhados e dizer “ai, que horror”, mas a gente não vê (ou se recusa a ver) que a força geradora dessas atrocidades está aí, na capacidade de dar aquele sorriso. Na capacidade de se juntar a uma turba e gritar “puta, puta, puta”.

A Mary W escreveu sobre isso. Muito bem, como sempre. Que a gente só vê a violência no outro e não percebe que a violência está em nós. Que a gente faz parte disso. Uma coisa que eu percebi em muitos comentários Internet afora (inclusive teve um mais ou menos assim aqui) é que a reação instintiva é dizer que os alunos da Uniban agiram como “animais”. Eu também já falei sobre animalização aqui. Mas nunca custa repetir. Que, quando você animaliza o outro, está distanciando ele de você. Porque animais não têm solução, não podem aprender a ser humanos nunca. Reduzir o outro assim é, também, uma violência. E, para cometer violência contra alguém, só mesmo não o considerando um semelhante.

Ora, os alunos da Uniban não são loucos, não. Não são animais, não. São seres humanos. Só levaram ao extremo uma forma de pensar que é muito disseminada: que a mulher é a culpada por seu estupro, que as roupas denotam recato ou promiscuidade e que promiscuidade é meio de avaliar o caráter de uma mulher. Os alunos da Uniban só levaram ao extremo o machismo que a gente vê disseminado de forma mais sutil em tantos outros lugares. Repare também que tem gente condenando os alunos da Uniban, dizendo: ”mesmo que ela fosse uma puta e desse pra todo mundo, não justifica”– ou seja: apesar de condenar a humilhação pública, ainda condenam a roupa. Ainda submetem as mulheres à dicotomia santa x puta. Ou seja: pensam igualzinho a quem criticam. São tão machistas quanto.”

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Pois bem. Toda uma psicologia das massas possa ser evocada para explicar esse episódio. Mas não apenas. Se as massas assumem prontamente o mais irracional que possa existir no cérebro do ser humano (aliás, como as brigas de torcidas, confrontos de skin-heads, e linchamentos podem comprovar), a cultura atual já naturalizou o machismo, como o Fausto, do blog Boteco Sujo, percebeu ao conversar com um dos rapazes da Uniban: “Uma fala do aluno com quem conversei resume o clima daquele ambiente universitário: — Eles estavam errados em querer estuprar a mina, mas ela provocou, né, véio? Então…  Então? — Então talvez ela merecesse.”

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Outro tópico interessante, sobre outro assunto mas que dialoga de maneira contundente com este acontecimento, foi escrito há um mês, mais ou menos, pelo Rafael Galvão:

“A postura francesa no pós-guerra é uma das coisas mais impressionantes daquela época. Se o país não foi corajoso o bastante para resistir à Alemanha, coragem não lhe faltou para perseguir as mulheres que “colaboraram” com a Alemanha — ou seja, que tentaram sobreviver dormindo com o inimigo, como mais tarde milhares de alemãs ganhariam o chucrute de cada dia de pracinhas americanos. Deve ser algo na psique francesa: os alemães podiam estuprar o país, mas não podiam seduzir suas mulheres.”

Uma pequena diferença entre Londres e Paris.

Update: A Uniban está se mobilizando. Não para punir os responsáveis. Mas para tirar os vídeos que mostram a agressão do ar. Os dois videos que ilustram essa postagem já foram apagados pelo Youtube. Mais informações aqui.

P.S. No iG há uma matéria onde a atitude boçal e cretina dos universitários é mostrada.

Um poema às quartas

brecht

Großer Dankchoral

Lobet die Nacht und die Finsternis, die euch umfangen!
Kommet zuhauf
Schaut in den Himmel hinauf:
Schon ist der Tag euch vergangen.

Lobet das Gras und die Tiere, die neben euch leben und sterben!
Sehet, wie ihr
Lebet das Gras und das Tier
Und es muß auch mit euch sterben.

Lobet den Baum, der aus Aas aufwächst jauchzend zum Himmel!
Lobet das Aas
Lobet den Baum, der es fraß
Aber auch lobet den Himmel.

Lobet von Herzen das schlechte Gedächtnis des Himmels!
Und daß er nicht
Weiß euren Nam’ noch Gesicht
Niemand weiß, daß ihr noch da seid.

Lobet die Kälte, die Finsternis und das Verderben!
Schauet hinan:
Es kommet nicht auf euch an
Und ihr könnt unbesorgt sterben.

Grande coral de graças

1
Louvai a noite e a escuridão que vos abraçam!
Vinde de montão
Olhai o céu acima:
Já vosso dia passou.

2
Louvai a grama e os bichos que vivem e morrem a vosso lado!
Vede, como vós
Vivem a grama e o bicho
E convosco também têm que morrer.

3
Louvai a árvore que jubilante surge da carniça para o céu!
Louvai a carniça
Louvai a árvore que a devora
Mas também louvai o céu.

4
Louvai de coração a péssima memória do céu!
E que ele sequer
Vos conheça de nome ou rosto
Ninguém sabe que ainda vos encontrais aí.

5
Louvai o frio, a escuridão e a podridão!
Olhai para cima:
Nada tem nada a ver convosco
E podeis morrer despreocupados.

(tradução de Antonio Cícero)

1001 Discos para ouvir antes de morrer

Download: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

 

livro
Download da coleção de CD´s do livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer (1001 Albuns you must hear before you die)

Sinopse:

Em 1001 discos para ouvir antes de morrer, 90 jornalistas e críticos de música internacionalmente reconhecidos apresentam uma rica seleção dos álbuns mais inesquecíveis de todos os tempos.

Abrangendo desde as origens do rock ‘n’ roll nos anos 50 aos mais recentes sucessos, este livro vai guiar você por diferentes tendências sonoras e mostrar o poder que a música tem de representar as aspirações e os sentimentos de toda uma geração.

Embora grande parte do livro seja dedicada ao rock e ao pop, há também dezenas de boas indicações de jazz, blues, punk, heavy metal, disco, soul, hip-hop, música experimental, world music, dance e muitos outros estilos.

continua aqui.

E o presidente dos imortais terminara seu jogo

Recentemente o blogueiro e escritor Sérgio Rodrigues fez um concurso de melhores inícios de romances, ganho com toda justiça por Tolstói e seu “Ana Karenina“. Mas se tivesse feito um concurso para melhor final de romance, meu voto seria dado para a primeira frase do parágrafo final de “Tess of the D’Urbervilles“: “Justice” was done, and the President of the Immortals, in Aeschylean phrase, had ended his sport with Tess. (A “justiça” foi feita, e o Presidente dos Imortais, em uma frase Esquiliana, terminara seu jogo com Tess”.)

A referência à tragédia clássica faz justiça à obra-prima de Thomas Hardy. Os elementos estão lá: o orgulho que precede a queda, ainda que tal orgulho seja obra de um parvo, bêbado e idiota; o erro trágico cometido pela família ignorante e gananciosa; a viravolta, mudança de acontecimentos que transformam a felicidade em infelicidade, ainda que a felicidade houvera sido brevíssima e ilusória; a morte trágica e por fim o determinismo, mas não mais imputado por deuses ciumentos e manipulativos, mas um determinismo causado por condições materiais e sociais.

tess

O pessimismo crônico de Hardy em relação ao homem está presente. O estilo elegante, hábil em produzir no romance tanto a fala em “dialeto” dos pobres e camponeses como a fala escolarizada dos burgueses também. E como em “Jude, the Obscure“, a certeza absoluta de que o esforço não recompensará os não aquinhoados pela fortuna.

Pois bem, vamos à história. Após saber que é descendente de uma antiga linhagem de nobres, Jack Durbeyfield convence sua filha mais velha, Tess, a procurar seus parentes ricos e apresentar-se ao novo ramo da família. Tess é estuprada, engravida de seu primo, passa a ser malvista pelos aldeões de onde mora, testemunha a morte de seu bebê, cujo enterro e ofício fúnebre é negado pelo presbítero de sua aldeia pelo fato dele ser fruto de uma fornicação. Acha pouco? Pois bem, Tess vai embora de sua aldeia e se radica em uma fazenda de leite, onde conhece e se apaixona por Angel Clare, um filho de um pastor que quer aprender o ofício para abrir sua própria fazenda. Ao casar com Angel, que se considerava um “livre-pensador”, Tess pensa ter encontrado a felicidade, mas é abandonada na noite de núpcias pelo marido quando este descobre que Tess não é mais virgem, muito embora ele próprio tivesse levado uma vida libertina antes de sua estada na fazenda. Tess volta para sua aldeia, onde vê todos os habitantes da aldeia perderem suas terras que garantiam o sustento daquela população, num processo conhecido como “enclosure“,  que nada mais é que a transformação de antigas áreas públicas e de uso comunitário em propriedade privada.  Acabou? Não. Ela sofre, sofre, sofre e sofre ainda mais. Depois de muito curtir seu sofrimento e ter um breve e ilusório período de amor com um arrependido (e imbecil) Angel, que voltara tarde demais não podendo mais redimí-la, Tess é executada por ter assassinado Alec, seu primo, estuprador e amante.

Porém mais que mero conteúdo psicológico e moral, “Tess of the D’Urbervilles” retrata com argúcia e lirismo o momento do capitalismo da Inglaterra no final do século XIX, o quanto esse mesmo capitalismo tomava cada vez mais espaços de formas de vida tradicionais e centenárias e o início da mecanização agrícola. Inclusive, numa cena onde Tess e Angel levavam o leite para ser embarcado no trem rumo a Londres, no diálogo entre os dois enamorados há quase uma explicação sobre o processo de apagamento das relações sociais na produção das mercadorias como consequência da reificação.

Outro aspecto notável no romance é que pela primeira vez na literatura o campo passa a ser descrito como o lugar do trabalho, da exploração, do sofrimento e da vida dura. Diferentemente do que sempre acontecera, onde a oposição campo x cidade sempre se deu na base de associar a cidade ao vício, ao pecado, ao trabalho, à violência (basta lembrar dos romances de Charles Dickens e seus órfãos sofredores) e o campo ao bucólico, ao pacífico e à natureza.

O autor, Thomas Hardy, foi severamente criticado na época tanto pelo pessimismo de sua obra quanto pela suposta licenciosidade de sua obra, que feria o código de moralidade de um vitorianismo tardio puritano e recalcado. Tais críticas chegaram ao nível do insuportável após o lançamento do romance subsequente, “Jude, the Obscure”, praticamente uma Tess de calças, onde o personagem principal luta com todas as forças que lhe são possíveis para perceber ao final de sua vida (curta, como a de Tess) que não há como lutar contra forças históricas e contra a ideologia que domina as forças de produção. Após a repercussão terrível de “Tess” e “Jude”, Hardy abandona o romance e passa a se dedicar exclusivamente à poesia.

O romance, um calhamaço de 592 páginas, foi adaptado para o cinema por Roman Polanski, o também estuprador de uma adolescente recentemente preso na Suíça, estrelado por uma deslumbrante Nastassja Kinski, então com 19 anos.

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Se por um lado o filme fracassa ao retratar as relações sociais de então, concentrando-se principalmente nos desencontros das relações humanas (aliás, o filme ganhou um ridículo subtítulo em português por ocasião de seu relançamento em DVD: Tess – Uma lição de vida. Lição de vida do quê? A coitada da Tess só fez cagada e no final morreu por causa disso), por outro o filme reproduz o tratamento quase fetichista que o narrador do romance dedicava à protagonista. A beleza, a sensualidade ingênua mas abrasadora, os lábios carnudos e vermelhos narrados no romance estão lá presentes no filme. Presentes na beleza ao mesmo tempo arrebatadora e inibida de Tess, representada por Nastassja.

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Thomas Hardy poderia até não aprovar a adaptação cinematográfica de sua obra (recentemente adaptada para a televisão em uma minissérie de quatro capítulos produzida pela BBC), mas certamente se orgulharia da Tess interpretada por Nastassja Kinski.

Thank God it’s Friday – Eisenbahn Rauchbier

Já provaram uma cerveja sabor fumaça? Não? Não sabem o que estão perdendo.

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A Rauchbier é um estilo de cerveja fabricada com maltes defumados, que lhe conferem um característico sabor e aroma defumados. A cerveja é ideal para acompanhar churrascos, carnes assadas, defumadas ou mesmo um pacote de batatinhas fritas sabor churrasco 🙂

A Eisenbahn é o exemplar que eu mais provei. Mas já tomei, embora a algum tempo, a Bamberg Rauchbier, que também é muito boa. Mas nenhuma delas chega à potência esfumaçada da Aecht Schlenkerla Rauchbier. Esta alemã da cidade de Bamberg (local de origem da rauchbier) leva cerca de 98% de maltes defumados, o que significa que esta cerveja tem um forte aroma e sabor de fumaça, segundo alguns, lembrando molho barbecue. Um amigo meu que a provou disse que a sensação é de estar bebendo bacon.

Segundo o especialista em cervejas Edu Passarelli, para uma cerveja ser considerada rauchbier basta que ela leve maltes defumados em sua receita, mas a receita não é normatizada. Tanto que a Eisenbahn é feita com base de bock, a Bamberg é uma dunkel e a Schlenkerla tem por base da receita a marzen.

E aí? Vai encarar?

Um poema às quartas

john-donne

TO HIS MISTRESS GOING TO BED.

COME, madam, come, all rest my powers defy ;
Until I labour, I in labour lie.
The foe ofttimes, having the foe in sight,
Is tired with standing, though he never fight.
Off with that girdle, like heaven’s zone glittering,
But a far fairer world encompassing.
Unpin that spangled breast-plate, which you wear,
That th’ eyes of busy fools may be stopp’d there.
Unlace yourself, for that harmonious chime
Tells me from you that now it is bed-time.
Off with that happy busk, which I envy,
That still can be, and still can stand so nigh.
Your gown going off such beauteous state reveals,
As when from flowery meads th’ hill’s shadow steals.
Off with your wiry coronet, and show
The hairy diadems which on you do grow.
Off with your hose and shoes ; then softly tread
In this love’s hallow’d temple, this soft bed.
In such white robes heaven’s angels used to be
Revealed to men ; thou, angel, bring’st with thee
A heaven-like Mahomet’s paradise ; and though
Ill spirits walk in white, we easily know
By this these angels from an evil sprite ;
Those set our hairs, but these our flesh upright.

Licence my roving hands, and let them go
Before, behind, between, above, below.
O, my America, my Newfoundland,
My kingdom, safest when with one man mann’d,
My mine of precious stones, my empery ;
How am I blest in thus discovering thee !
To enter in these bonds, is to be free ;
Then, where my hand is set, my soul shall be.

Full nakedness ! All joys are due to thee ;
As souls unbodied, bodies unclothed must be
To taste whole joys. Gems which you women use
Are like Atlanta’s ball cast in men’s views ;
That, when a fool’s eye lighteth on a gem,
His earthly soul might court that, not them.
Like pictures, or like books’ gay coverings made
For laymen, are all women thus array’d.
Themselves are only mystic books, which we
—Whom their imputed grace will dignify—
Must see reveal’d. Then, since that I may know,
As liberally as to thy midwife show
Thyself ; cast all, yea, this white linen hence ;
There is no penance due to innocence :
To teach thee, I am naked first ; why then,
What needst thou have more covering than a man?

Elegia – Indo para o leito

Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.

Deixa que minha mão errante adentre.
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.

Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atlanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente

A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.

Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.