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Adeus ao velho Palestra

Foi neste sábado a despedida do Velho Palestra. Despedida melancólica, pois de um lado o time está esfacelado em campo, sem identificação com a torcida, sem garra, sem padrão de jogo. De outro, a suicida e mal-intencionada oposição política do clube torpedeia todas as iniciativas, para que a atual gestão não leve os créditos pela modernização do clube.

Justamente por isso houve tão poucas iniciativas da diretoria do Palmeiras para alavancar o marketing, para transformar a partida em um evento único, que marcasse a vida do torcedor e ainda o inspirasse e ajudasse a passar esses próximos dois anos sem sua casa.

Ainda assim a torcida compareceu em um número maior que o esperado. 18.365 palmeirenses acompanharam a partida de despedida do mais antigo estádio de futebol ainda em atividade no Brasil.

O Palestra Italia é o melhor estádio de São Paulo para vivenciar a experiência do futebol. Primeiramente, está muito bem localizado, pois está próximo da Estação Barra Funda, que atende a Linha 3 do Metrô (Barra Funda-Itaquera), a linha Diamante da CPTM (Amador Bueno-Julio Prestes) e a linha Rubi da CPTM (Francisco Morato-Luz). Essas linhas integram com as linhas Esmeralda da CPTM, Verde do Metrô, Amarela d Metrô e ainda com as futuras linhas Laranja e Prata do Metrô. Ou seja, é o estádio de mais fácil acesso via transporte coletivo. Nos arredores do Palestra Italia há dezenas de bares onde a torcida se reúne horas antes da partida para comer, tomar uma cerveja antes da partida e fazer o aquecimento. Outros estádios como o Morumbi e o Pacaembu não dispõe de estabelecimentos ao redor.

Fará falta o velho Palestra.

Mas estive lá. Na despedida do Palestra eu, o meu irmão Caio e o Alessandro “Grilão” estivemos presentes na vitória sobre o Grêmio por 4 a 2.

Fotos históricas do evento:

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Mas nem tudo é nostalgia ou passado. Há de se olhar para o futuro, sempre. Então, para inspirar a espera, o que nos aguarda:

A implosão de um time

Eu queria escrever alguma coisa sobre a implosão do Palmeiras, de um time que abrira 5 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, tinha defesa sólida e ataque eficaz para se transformar hoje numa patética caricatura de si mesmo. Mas a parte tática do time foi excelentemente bem analisada pelo Eduardo Cecconi, do blog Preleção.

Qual será o futuro do “Muricybol”?

Diagrama tático do Palmeiras no primeiro tempo contra o Sport

Rodada a rodada o Palmeiras demonstra que esgotaram-se as forças do seu 3-5-2 brasileiro. E, para minha incredulidade, o técnico Muricy Ramalho resiste a qualquer alternativa tática. Parece-me – não quero cometer injustiça, portanto aceito opiniões contrárias a esta observação – que Muricy está bitolado pelo “Muricybol”, este esporte diferente que ele inventou, baseado no futebol.Contra o Sport Recife, ontem, o Palmeiras tentou disfarçar-se em um 4-4-2, mas não conseguiu. Na teoria, a equipe tinha uma linha defensiva de quatro jogadores (os laterais Figueroa e Armero, mais os zagueiros Danilo e Maurício) e um losango no meio-campo (Edmílson no primeiro vértice, dois volantes pelos lados – Souza e Sandro Silva – e Diego Souza de ponta-de-lança). Na frente, Ortigoza e Obina.

Mas, na prática, Edmilson logo se posicionou como um “zagueiro pela direita”, obstinado na cobertura de Figueroa. Ele saiu do posicionamento inicial (representado no diagrama tático pelo número 1 circulado) e passou a jogar como um guardião da lateral. Em dez minutos, o Sport marcou um gol – e, pasmem, por aquele setor ultra-protegido. Qual foi a primeira decisão de Muricy? Imediatamente, admitir o 3-5-2, levando Edmílson para a “sobra” (posição 2 no diagrama tático), escancarando seu predileto sistema tático. O falso 4-4-2 durou 10min.

Continua aqui.

O post analisa com bastante competência a tática utilizada nas últimas partidas. Utilizada não. Insistida, mesmo tendo sido provado sua fragilidade e defeitos, a despeito da falta de peças de reposição para as ausências dos jogadores-chave.

Mas o post analisa a tática de maneira isolada, sem o contexto do campeonato todo. Se isso for feito, a coisa fica ainda pior.

Com o Jorginho o time era armado num insinuante 4-4-2 (4-2-2-2) com Pierre e Edmílson (ou Souza) à frente da linha de zaga, Cleiton Xavier e Diego Souza armando para Obina e William ou Ortigoza. O time era ofensivo e ainda tinha uma defesa sólida. E alternativas táticas, pois contra o Flamengo no primeiro turno o time entrou com um 4-2-3-1 com Diego Souza, Cleiton Xavier e Deyvid Sacconi de armadores se alternando no apoio a Ortigoza.

Com Muricy as alternativas táticas sumiram.

Mas não foi o único problema. Um elenco mal montado, sem peças de reposição à altura para as ausências na zaga e meio-campo. Mas ainda assim sub-utilizado pelo técnico. Com a ausência de Diego Souza, Cleiton Xavier mostrou-se incapaz de liderar o time e fazer a aproximação ao ataque. Com a ausência de Cleiton Xavier, Diego Souza ficou sobrecarregado. Em ambos os casos Deyvid Sacconi poderia ter sido útil como havia sido provado ser na gestão do Jorginho.

Portanto táticas equivocadas, excesso de contusões, contratações que não vingaram solaparam as chances do Palmeiras ser campeão. Mas a inabilidade do treinador e a falta de reação e atitude do elenco  enterraram definitivamente as pretensões do Palmeiras. E nesse aspecto o menos a ser cobrado seria o presidente do clube. Bancou a contratação do técnico mais caro do Brasil no momento, aquele que havia sido três vezes seguidas campeão (sendo vice no controvertido campeonato de 2005  das anulações do Zveiter e a arbitragem do Márcio Resende de Freitas), bancou a manutenção de todo o elenco, mesmo recebendo propostas por Pierre e Maurício Ramos (além das sondagens a Diego Souza e Cleiton Xavier) e contratou um jogador top de linha para os padrões do Brasileirão. Mas isto é futebol. Sem atitude em campo, nada sobrevive.

Tem certeza que este campeonato está bom?

Resultados das últimas duas rodadas:
28ª: Palmeiras 2 x 2 Avaí (primeiro contra nono colocado). Cruzeiro 3 x 0 Goiás (11º contra 4º), Botafogo 3 x 1 Atlético MG (17º contra 3º), São Paulo 2 x 2 Coritiba (2º contra 15º).

atletico botafogo

29ª: Náutico 3 x 0 Palmeiras (18º contra 1º), Flamengo 2 x 1 São Paulo (6º contra 2º), Atlético MG 0 x 1 Cruzeiro (4º contra 9º), Goiás 1 x 1 Sport (5º contra 19º), Inter 1 x 1 Atlético PR (3º contra 14º).

são paulo coritiba

Isto mostra a incrível superioridade do campeonato brasileiro frente a outros campeonatos de futebol ao redor do mundo, afinal de contas é o campeonato mais equilibrado e imprevisível, todos os times brasileiros tem muita qualidade e nós somos o único país do mundo que tem 12 ou 13 postulantes ao título. Certo? Mais ou menos…

É verdade que o campeonato brasileiro é um dos mais equilibrados e que ocorrem  resultados inesperados com maior frequência que em terras estrangeiras. Mas a que custo?

Não custa lembrar que o mesmo Náutico que bateu o Palmeiras seja o pior mandante do campeonato brasileiro. O mesmo Botafogo que bateu o Atlético MG, quase perde para o Avaí, time com elenco e pretensões bem mais modestas que seu colega mineiro. O mesmo Coritiba que empatou com o São Paulo no Morumbi, perdeu em casa para o fraquíssimo Barueri. E o mesmo Sport que arrancou um ponto contra o Goiás fora de casa, perdera em casa para o irregularíssimo Santos.

Ou seja, o equilíbrio e os resultados inesperados se dão mais por falhas e erros dos times de cima que por força dos times de baixo. Não há um equilíbrio de forças. Há um equilíbrio de fraquezas.

Ainda que pesem as ausências de Miranda (SPFC), Diego Souza (Palmeiras) e Diego Tardelli (Atlético MG) é quase inadmissível que no futebol moderno existam ainda times que dependam de um único atleta. Pior, que não contem com um único substituto para determinado jogador.

Este é o caso do Palmeiras. Líder pela complacência de seus perseguidores. O elenco do líder não conta com um único reserva à altura para seus meias (Diego Souza e Cleiton Xavier) e o reserva de seu lateral direito é um volante improvisado (Wendel). O Palmeiras tem de contar com a polivalência de Marcão para cobrir as ausências dos titulares da lateral esquerda ou da zaga, sendo que o  Marcão é um jogador lento, de idade bastante avançada e sem condições físicas para apoiar e voltar com velocidade para recompor a defesa.

E o principal destaque do campeonato é um jogador que já estava aposentado e voltou para seu clube como parte do acordo de quitação de dívida, o Petkovich. Não cabe comparação com Ryan Giggs, que está jogando um futebol de primeira categoria primeiro porque Giggs não é o principal jogador do campeonato, como também não o é do seu time. Ele não joga todos os jogos, portanto tem tempo para se recuperar fisicamente para poder exibir seus dotes. Nem isso o Petkovich tem. Ele joga de quarta e domingo, portanto sendo destaque mesmo estando fisicamente desgastado.

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Falta de regularidade, de padrão de jogo, elencos limitados e pouco preparados para um campeonato longo e com muitas rodadas no meio de semana. Eis a tônica dos times, mesmo os líderes, do atual campeonato brasileiro. Nenhum dos times demonstrou ter força ou pinta de campeão. O Palmeiras é líder por ser o time que menos tropeços levou, não por ser o time que mais imponha seu jogo aos adversários.

E eis que voltamos à velha discussão: o que vale mais, campeonatos de alta qualidade técnica, com craques em praticamente todas as equipes, porém com resultados e posições previsíveis ou campeonatos equilibrados, nem que seja à base do nivelamento por baixo? Pois se duas semanas atrás comentei sobre a fraqueza dos campeonatos inglês e espanhol, agora a fraqueza do brasileirão salta aos olhos implacavelmente.

O amor é verde

Palmeiras acerta retorno do atacante Vagner Love
Agência Palmeiras
Jairo Giovenardi
28/08/2009 10h32
O atacante Vagner Love, de 25 anos, é o novo reforço do Palmeiras.

Vagner chega por empréstimo até o fim do mês de julho de 2010 e nenhum atleta do atual elenco palmeirense foi envolvido na negociação.

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Essa informação foi confirmada pelo vice-presidente do Palmeiras, Gilberto Cipullo, em entrevista exclusiva concedida ao site oficial.

O jogador, revelado nas categorias de base do clube, retorna ao futebol brasileiro depois de cinco anos no CSKA, da Rússia.

Pelo Palmeiras, Vagner foi campeão brasileiro da série-B, em 2003, conquista que recolocou o time alviverde na elite do futebol nacional. Naquele ano, ele foi artilheiro da competição, com 19 gols e ajudou a equipe a alcançar a marca dos 80 no campeonato [melhor ataque do Brasileiro-2003].

Em 2004, Vagner foi artilheiro do Campeonato Paulista, com 12 gols marcados.

O atacante já fez 66 jogos com a camisa alviverde e marcou 49 gols, entre os anos de 2002 e 2004.

Fonte: site do Palmeiras.

A tabela do Brasileirão já faz suas vítimas

Faltam quatro rodadas para terminar o primeiro turno do Brasileirão, segundo a CBF. Mas de acordo com o Emerson Gonçalves, ainda estamos no meio do segundo turno (Janela de Verão) e ao mesmo tempo num restinho do terceiro turno (Jogos sem Descanso). E essa sobreposição de fatores de complicação faz suas vítimas.

A primeira e mais óbvia é o Corinthians. Perder em uma semana Cristian, André Santos e Douglas é um golpe forte na espinha dorsal do time. E não adianta a diretoria lançar factóides como a possível contratação de Riquelme ou trazer possíveis peças de reposição como Paulo André que o estrago já está feito. Ainda mais com as perdas de Otacílio Neto, Wellington Saci e Fabinho. Se num primeiro momento pareciam sensatas o empréstimo desses atletas, já que diminuiriam os jogos que o Corinthians faria no segundo semestre (alguns times disputariam a Copa Sul Americana, enquanto o Corinthians havia acabado de se sagrar campeão da Copa do Brasil) e aliviaria a folha de pagamento do clube, por outro a perda de dois meio-campistas e um lateral titular mostrou que tais empréstimos não foram tão bem planejados assim. E a perda de pegada do meio-campo corinthiano e a falta de alternativa pela esquerda ficou mais que evidente na partida contra o Palmeiras.

Outro time vitimado pela tabela, mas por outra razão, é o Atlético Mineiro. O Galo tem um bom time. Mas não um bom elenco. Se o time titular faz frente a qualquer clube brasileiro no momento, o cansaço do elenco e a falta de alternativas para que Celso Roth altere o andamento da partida, a configuração tática ou mesmo um atleta contundido enfraquece consideravelmente o Galo. A falta de alternativas táticas impediu que o Atlético furasse a forte retranca do Goiás. Seus jogadores rápidos são talhados para o jogo de transição, de velocidade e de verticalidade. Mas não para o jogo de paciência, cerebral e de troca de passes. Por mais que o Júnior esteja desempenhando bem o papel de meia, ele o faz como um meia-externo (winger), que atua verticalmente conduzindo a bola rumo à área adversária, não como um meia-armador que inverte jogadas, que distribui o jogo e cadencia a partida. E a virada sofrida contra o Flamengo explicita ainda mais a falta de alternativas que o Celso Roth tem.

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Isto posto, cai no colo do Palmeiras  a chance histórica de ser campeão brasileiro sem grandes adversários. Se Corinthians e Atlético Mineiro perdem fôlego graças à janela de transferências ou ao acúmulo de jogos, Internacional, Cruzeiro, Grêmio e São Paulo não decolaram no campeonato, seja por contarem com um elenco rachado, pela ressaca da eliminação de uma competição importante ou por estarem implantando uma nova filosofia de trabalho. Basta o Palmeiras não rifar esse bilhete premiado vendendo seus maiores responsáveis pela boa fase: Pierre, Cleiton Xavier e (principalmente) Diego Souza.

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O pânico dos torcedores em relação à saída de seus principais atletas durará até 31 de agosto, quando termina a janela de transferências internacionais. A Traffic já emitiu uma nota dizendo não vender Cleiton Xavier e Pierre neste ano, o que deixou a torcida do Palmeiras ouriçada, já que Diego Souza continua sendo assediado e não tendo seu futuro garantido pela dona de seu passe (sim… isso existe – nem que seja de fato mas não de direito). O Corinthians pode (deve) perder o Felipe, grande responsável pelo empate contra o Santo André e certamente alguns clubes brasileiros serão vítimas de mutilação.

A vir, daqui a quinze dias, a nova temporada européia que realmente promete. E antes dela começar vamos tentar brincar com os amistosos e torneios de pré-temporada…

E não é que era o técnico…

A novela que envolveu a tentativa de contratação do Muricy Ramalho pelo Palmeiras se arrastou como um dramalhão mexicano. E como um dramalhão mexicano, teve final patético. E, claro, repercutiu na mídia por essas duas longas e arrastadas semanas. E suscitou interpretações diferentes em diferentes profissionais do jornalismo esportivo. O Paulinho, em seu impagável blog, elogiou a postura do dirigente palmeirense (aqui). Segundo ele, foi uma negociação absolutamente transparente e honesta, que chegou a um final não satisfatório por diferenças de propostas. O Caio Maia, da revista Trivela, por outro lado, considerou trapalhona e equivocada a tentativa de contratação (aqui). Segundo ele a declaração da diretoria do Palmeiras demonstrando interesse no Muricy foi equivocada, e a esperança de que o clube o conseguisse contratar por um valor menor que o pago pelo Luxemburgo, ilusória. Afinal, Luxemburgo não ganha nada desde 2004 enquanto o Muricy é o atual tri-campeão brasileiro.

Isto posto, vamos ao que interessa que é o futebol dentro de campo. Primeiro, totalmente atrapalhada a decisão de termos rodada de campeonato no mesmo dia de uma final de Libertadores. Passassem todos os jogos para quinta-feira, oras! E minha tentativa de assistir às duas partidas (Flamengo x Palmeiras e Cruzeiro x Estudiantes) estava revelando que eu na verdade não conseguia assistir a nenhuma. Tive de optar, e optei pelo meu… fiquei com o jogo do Maracanã.

Após 20 minutos assistindo a partida, algumas questões começaram a surgir: como que essa defesa, tão inconstante e falha anteriormente, consegue se mostrar segura contra o Flamengo no Maracanã? Afinal, são os mesmos jogadores. Como um time que antes variava de formações e escalações, sem nunca demonstrar firmeza em nenhuma, consegue jogar de maneira convincente e sólida em quatro partidas consecutivas?

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A resposta é uma só. Técnico. E não dá para ser explicada apenas com base na natural empolgação do elenco com a troca de comando. Primeiro, porque os resultados foram conseguidos não na base da raça, mas na base da organização da equipe.

Como jogaria sem Obina e Williams, Ortigoza entrou como centro-avante e Diego Souza entraria como segundo atacante. Isso de acordo com a mídia esportiva. Sim, porque nenhum jornalista esportivo da grande mídia sabe fugir do 4-4-2, mesmo que o jogo mostre outra coisa. Diego Souza voltava até quase a linha do meio-campo, puxando seu marcador e abrindo espaços para as penetrações alternadas de Deyvid Sacconi e Cleiton Xavier. Na verdade o Palmeiras se organizou como um 4-2-3-1, com Diego Souza aberto pela esquerda, mas sempre voltando ao meio-campo para recompor a marcação e buscar o jogo, Deyvid Sacconi aberto pela direita e Cleiton Xavier articulando pelo meio, com Ortigoza de atacante único. Ortigoza demonstrou ter presença física suficiente para encarar tal função, embora nunca tenha ficado isolado na partida, já que quando a bola estava com um dos meias-externos, o outro encostava no atacante, dando-lhe sempre uma opção.

Aliás, Ortigoza, Diego Souza e Cleiton Xavier foram os principais responsáveis pelo sufoco que o Palmeiras impôs ao Flamengo. Eles marcavam a saída de bola não dando espaço algum para que o time carioca pudesse organizar suas descidas ao ataque, geralmente abortando as tentativas na intermediária. Tanto que em duas pressões na intermediária surgiram os gols palestrinos, um em uma roubada de Ortigoza, e o outro numa roubada do soberano Pierre, abrindo para Sacconi penetrar na área pela direita e dar a assistência ao paraguaio.

E finalmente, a defesa do Palmeiras teve uma atuação impecável. Nenhum atacante do Flamengo recebia bolas em condições de levar perigo a Marcos. A sobra e a cobertura funcionou quase à perfeição. Adriano foi uma figura patética e apagada em campo.

No segundo tempo os três jogadores alvi-verdes que não eram titulares, cansaram. Primeiro sai o Edmilson (de atuação segura) e entra Sandro Silva, não havendo nenhuma alteração na forma do Palmeiras jogar. Para a saída do Deyvid Sacconi entra Capixaba, com Wendel passando a compor um trio de volantes e Diego Souza passa a se alternar pelas duas alas, continuando a levar perigo ao Flamengo. E com Ortigoza saindo, entra Marcão, para garantir o resultado. O gol do Flamengo motivou o time a procurar o gol, forçando o Marcos a efetuar duas boas defesas. Porém o Bruno também deu sua contribuição, no primeiro tempo ao evitar o gol em um chute forte de Cleiton Xavier e no segundo ao defender uma bola de Ortigoza.

A organização defensiva, o posicionamento dos três meias ofensivos, a variação de jogadas e esquemas no decorrer da partida, a opção de sufocar o adversário em seu campo de defesa. Nenhum desses fatores pode ser atribuído a ninguem senão ao técnico. E certamente não a um técnico motivador, mas a um técnico que entende de tática e sabe organizar seu time em campo. Jorginho 1 x 0 Luxemburgo. Uma outra análise do técnico Jorginho e de sua possível efetivação no site Terceira Via Verdão.

Enquanto isso:

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O Cruzeiro sai na frente. Vi o gol. Logo depois, o empate. Por fim o Mineirazzo. E eu perdi essa partida histórica… I hate Rede Globo…

Leituras

Nesta semana concluí dois livros que aguardavam em minha cabeceira: o clássico da auto-ajuda empresarial “O Monge e o Executivo” e a história da Sociedade Esportiva Palmeiras escrita pelo renomado jornalista esportivo Orlando Duarte, “Palmeiras – O Alviverde Imponente“.

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Começando pelo best-seller do James C. Hunt. Os conceitos apresentados no livro não deixam de ter sua relevância. Mais até, o livro apresenta com simplicidade e compreensibilidade algumas questões bastante importantes para as pessoas envolvidas no mercado de trabalho. Não me darei ao trabalho de resenhar o livro pois isso é facilmente encontrável na internet.

Porém algumas questões merecem ser analisadas. Primeiramente o livro apresenta um viés comportamental bastante perceptível. E eu sempre considerei psicologia comportamental um engodo, uma forma de se amestrar micos. Mas há de se reconhecer que o pragmatismo da psicologia comportamental combina com a sociedade americana e com os valores do American Way of Life. E eis outra crítica a ser feita ao livro. Sua defesa ideológica dos valores do capitalismo estadunidense. Individualismo, auto-determinação, self made man e outros conceitos ideológicos são propagandeados no livro. E para isso o autor recorre a uma crítica bastante superficial e distorcida a Freud e à psicanálise, reduzindo os avanços de Freud na psicologia e na psiquatria a meros fatores deterministas que servem como formas de se escapar da responsabilidade.

Por fim o livro é chato. Chato e mal escrito. É necessário escrever de forma tão piegas, tão infantilóide para se fazer entender e se criar um best-seller? Como disse, os conceitos apresentados são bastante interessantes. Mas não é um prazer ler este livro.

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Por fim vamos à historiografia de Orlando Duarte. Nunca soube para qual time torce o jornalista. Não me espantaria se fosse para o Palmeiras, tal o número de clichês “de e para” torcedor que ele escreveu.

Para quem acha que história é mais que datas e eventos, o livro decepciona. Eu esperava algo mais que mera listagem de títulos, partidas, jogadores e gols marcados. Muito superficial. É verdade que o segmento literário esportivo cresce a cada dia com novos lançamentos. Mas parece que ainda é necessário muito mais quantidade para peneirar alguma qualidade.

Espero ter mais sorte com os livros na semana que começa.

Update: fui informado pelo amigo trivelista Felipe SS que o time do nobre jornalista Orlando Duarte é a simpática Lusa. Então os clichês “de e para” torcedores que detectei no livro devem ser por exigência do gênero literário em questão.