A tabela do Brasileirão já faz suas vítimas

Faltam quatro rodadas para terminar o primeiro turno do Brasileirão, segundo a CBF. Mas de acordo com o Emerson Gonçalves, ainda estamos no meio do segundo turno (Janela de Verão) e ao mesmo tempo num restinho do terceiro turno (Jogos sem Descanso). E essa sobreposição de fatores de complicação faz suas vítimas.

A primeira e mais óbvia é o Corinthians. Perder em uma semana Cristian, André Santos e Douglas é um golpe forte na espinha dorsal do time. E não adianta a diretoria lançar factóides como a possível contratação de Riquelme ou trazer possíveis peças de reposição como Paulo André que o estrago já está feito. Ainda mais com as perdas de Otacílio Neto, Wellington Saci e Fabinho. Se num primeiro momento pareciam sensatas o empréstimo desses atletas, já que diminuiriam os jogos que o Corinthians faria no segundo semestre (alguns times disputariam a Copa Sul Americana, enquanto o Corinthians havia acabado de se sagrar campeão da Copa do Brasil) e aliviaria a folha de pagamento do clube, por outro a perda de dois meio-campistas e um lateral titular mostrou que tais empréstimos não foram tão bem planejados assim. E a perda de pegada do meio-campo corinthiano e a falta de alternativa pela esquerda ficou mais que evidente na partida contra o Palmeiras.

Outro time vitimado pela tabela, mas por outra razão, é o Atlético Mineiro. O Galo tem um bom time. Mas não um bom elenco. Se o time titular faz frente a qualquer clube brasileiro no momento, o cansaço do elenco e a falta de alternativas para que Celso Roth altere o andamento da partida, a configuração tática ou mesmo um atleta contundido enfraquece consideravelmente o Galo. A falta de alternativas táticas impediu que o Atlético furasse a forte retranca do Goiás. Seus jogadores rápidos são talhados para o jogo de transição, de velocidade e de verticalidade. Mas não para o jogo de paciência, cerebral e de troca de passes. Por mais que o Júnior esteja desempenhando bem o papel de meia, ele o faz como um meia-externo (winger), que atua verticalmente conduzindo a bola rumo à área adversária, não como um meia-armador que inverte jogadas, que distribui o jogo e cadencia a partida. E a virada sofrida contra o Flamengo explicita ainda mais a falta de alternativas que o Celso Roth tem.

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Isto posto, cai no colo do Palmeiras  a chance histórica de ser campeão brasileiro sem grandes adversários. Se Corinthians e Atlético Mineiro perdem fôlego graças à janela de transferências ou ao acúmulo de jogos, Internacional, Cruzeiro, Grêmio e São Paulo não decolaram no campeonato, seja por contarem com um elenco rachado, pela ressaca da eliminação de uma competição importante ou por estarem implantando uma nova filosofia de trabalho. Basta o Palmeiras não rifar esse bilhete premiado vendendo seus maiores responsáveis pela boa fase: Pierre, Cleiton Xavier e (principalmente) Diego Souza.

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O pânico dos torcedores em relação à saída de seus principais atletas durará até 31 de agosto, quando termina a janela de transferências internacionais. A Traffic já emitiu uma nota dizendo não vender Cleiton Xavier e Pierre neste ano, o que deixou a torcida do Palmeiras ouriçada, já que Diego Souza continua sendo assediado e não tendo seu futuro garantido pela dona de seu passe (sim… isso existe – nem que seja de fato mas não de direito). O Corinthians pode (deve) perder o Felipe, grande responsável pelo empate contra o Santo André e certamente alguns clubes brasileiros serão vítimas de mutilação.

A vir, daqui a quinze dias, a nova temporada européia que realmente promete. E antes dela começar vamos tentar brincar com os amistosos e torneios de pré-temporada…

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4 Respostas para “A tabela do Brasileirão já faz suas vítimas

  1. Com a chegada de Muricy, o Palmeiras ganha num aspecto: trata-se de um técnico-técnico e não de um técnico-empresário de jogadores. Isso alivia eventuais tensões internas, assm como o fato de, mesmo com a ranzinzice, Muricy não ser metido a estrela.

    Quanto ao time, os desígnios dos proprietários dos passes dos jogadores são, mais ou menos, inescrutáveis e isso pode afetar bastante o desempenho no segundo turno (lembremos do Flamengo o ano passado – desabou com a venda de parece que dois jogadores).

    No Brasileirão de 2008, lá pela metade do primeiro turno falávamos: “é, ano que vem o São Paulo vai disputar a Copa do Brasil”. Deu no que deu.

    Acho que o tricolor paulista não demora para encostar ou até integrar os quatro de cima. Não é nenhuma maravilha e Ricardo Gomes ainda tem que mostrar serviço no Brasil, mas ainda é o clube brasileiro com mais opções em cada posição. Além disso, resiste mais às cantadas estrangeiras.

    E agora o lado do torcedor do Fluminense. Sou obrigado a ter fé em Deus que o Fluzão (!) repita aquela campanha do Goiás: lanterna no primeiro turno, teve no segundo a melhor performance do campeonato.

    Não se sabe quem serão os nossos Fabão, Josué, Danilo, Grafite, Araújo e Dimba, mas meu pai diz que vontade e cuspe são as duas coisas que mais a gente tem.

    Bom domingo, Fábio.

  2. Fabio Martelozzo Mendes

    Anrafael. O que me deixa tranquilo é o fato do Muricy ser um técnico que demora demais para acertar o time.

    O São Paulo sempre fazia um primeiro semestre pífio e engrenava no segundo.

    Para nossa sorte, ele já pegou um time acertadinho (ponto pro Jorginho Cantinflas) e agora só precisa manter o ritmo para, no mínimo, brigar até o final pelo título.

    Isso se a diretoria e a parceria não fizerem a cagada de venderem o Pierre e o Diego Souza. Isto feito, tchau tchau brasileirão.

    Quanto ao Fluzão, sinceramente, meus pêsames. Não vejo luz no final do túnel das Laranjeiras. A bagunça do Horcades é demasiada para a boleirada… Mas esperança é uma bosta… a gente nunca perde, mesmo contra todas as expectativas 🙂

    abraços.

  3. Sr. Fabio M, são apenas 8 pontos, com 2 confrontos diretos. E olha que o Dagoberto tá ressurgindo das cinzas.

    Tou até começando a pensar que quem demorava pra se acertar era o time e não o Muricy. Se brigarmos pelas cabeças de novo, passa a ser uma teoria válida.

    Abraço

  4. Fabio Martelozzo Mendes

    Um confronto direto entre Palmeiras e São Paulo…

    Mas não é que é… o SPFC está chegando junto…

    Ainda acho que o Palmeiras tem que ferrar com sua própria temporada pra deixar de brigar pelo título. Afinal, os time mais próximos de nós na tabela são o Atlético, que não creio que tenha forças pra brigar, o Goiás que enfrentará o Palmeiras em SP e depois o Inter e o São Paulo. Essas são as maiores ameaças atualmente.

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