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Um poema às quartas

Human Family

I note the obvious differences
in the human family.
Some of us are serious,
some thrive on comedy.

Some declare their lives are lived
as true profundity,
and others claim they really live
the real reality.

The variety of our skin tones
can confuse, bemuse, delight,
brown and pink and beige and purple,
tan and blue and white.

I’ve sailed upon the seven seas
and stopped in every land.
I’ve seen the wonders of the world,
not yet one common man.

I know ten thousand women
called Jane and Mary Jane,
but I’ve not seen any two
who really were the same.

Mirror twins are different
although their features jibe,
and lovers think quite different thoughts
while lying side by side.

We love and lose in China,
we weep on England’s moors,
and laugh and moan in Guinea,
and thrive on Spanish shores.

We seek success in Finland,
are born and die in Maine.
In minor ways we differ,
in major we’re the same.

I note the obvious differences
between each sort and type,
but we are more alike, my friends
than we are unalike.

We are more alike, my friends,
than we are unalike.

We are more alike, my friends,
than we are unalike.

Família Humana

Eu noto óbvias diferenças
na humana família.
Alguns somos sérios,
outros atraídos pela alegria.

Alguns declaram que suas vidas são vividas,
como verdadeira profundidade,
e outros clamam que realmente viveram
a verdadeira realidade.

A variedade de nossos tons de pele
deixa confundido, admirado, aturdido,
marrom e rosa e bege e púrpura
moreno e azul e lívido

Naveguei pelos sete mares
e parei em todo lugar,
vi as maravilhas do mundo
e ainda nem um homem vulgar.

Conheço dez mil mulheres
que Maria e Mariana são chamadas,
mas não vi quaisquer duas
que fossem realmente igualadas

Espelhos duplos são diferentes
apesar de seus traços motejados,
e amantes pensamentos bem diferentes pensam
enquanto deitados lado a lado.

Amamos e perdemos na China,
sobre as amarras da Inglaterra choramos,
e rimos e lamentamos em Guiné,
e na costa de Espanha prosperamos.

Buscamos sucesso na Finlândia
em Maine nascemos e morremos.
em coisas menores diferimos,
nas maiores nos parecemos.

Eu noto óbvias diferenças
entre cada forma e tipo,
mas somos mais iguais, meus amigos,
que desiguais.

Somos mais iguais, meus amigos,
que desiguais.

Somos mais iguais, meus amigos,
que desiguais.

(Traduzido por por Sam)

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Um poema às quartas

On the Pulse of Morning

A Rock, A River, A Tree
Hosts to species long since departed,
Marked the mastodon.

The dinosaur, who left dry tokens
Of their sojourn here
On our planet floor,
Any broad alarm of their hastening doom
Is lost in the gloom of dust and ages.

But today, the Rock cries out to us, clearly, forcefully,
Come, you may stand upon my
Back and face your distant destiny,
But seek no haven in my shadow.

I will give you no more hiding place down here.

You, created only a little lower than
The angels, have crouched too long in
The bruising darkness,
Have lain too long
Face down in ignorance.

Your mouths spilling words
Armed for slaughter.

The Rock cries out today, you may stand on me,
But do not hide your face.

Across the wall of the world,
A River sings a beautiful song,
Come rest here by my side.

Each of you a bordered country,
Delicate and strangely made proud,
Yet thrusting perpetually under siege.

Your armed struggles for profit
Have left collars of waste upon
My shore, currents of debris upon my breast.

Yet, today I call you to my riverside,
If you will study war no more. Come,

Clad in peace and I will sing the songs
The Creator gave to me when I and the
Tree and the stone were one.

Before cynicism was a bloody sear across your
Brow and when you yet knew you still
Knew nothing.

The River sings and sings on.

There is a true yearning to respond to
The singing River and the wise Rock.

So say the Asian, the Hispanic, the Jew
The African and Native American, the Sioux,
The Catholic, the Muslim, the French, the Greek
The Irish, the Rabbi, the Priest, the Sheikh,
The Gay, the Straight, the Preacher,
The privileged, the homeless, the Teacher.
They hear. They all hear
The speaking of the Tree.

Today, the first and last of every Tree
Speaks to humankind. Come to me, here beside the River.

Plant yourself beside me, here beside the River.

Each of you, descendant of some passed
On traveller, has been paid for.

You, who gave me my first name, you
Pawnee, Apache and Seneca, you
Cherokee Nation, who rested with me, then
Forced on bloody feet, left me to the employment of
Other seekers–desperate for gain,
Starving for gold.

You, the Turk, the Swede, the German, the Scot …
You the Ashanti, the Yoruba, the Kru, bought
Sold, stolen, arriving on a nightmare
Praying for a dream.

Here, root yourselves beside me.

I am the Tree planted by the River,
Which will not be moved.

I, the Rock, I the River, I the Tree
I am yours–your Passages have been paid.

Lift up your faces, you have a piercing need
For this bright morning dawning for you.

History, despite its wrenching pain,
Cannot be unlived, and if faced
With courage, need not be lived again.

Lift up your eyes upon
The day breaking for you.

Give birth again
To the dream.

Women, children, men,
Take it into the palms of your hands.

Mold it into the shape of your most
Private need. Sculpt it into
The image of your most public self.
Lift up your hearts
Each new hour holds new chances
For new beginnings.

Do not be wedded forever
To fear, yoked eternally
To brutishness.

The horizon leans forward,
Offering you space to place new steps of change.
Here, on the pulse of this fine day
You may have the courage
To look up and out upon me, the
Rock, the River, the Tree, your country.

No less to Midas than the mendicant.

No less to you now than the mastodon then.

Here on the pulse of this new day
You may have the grace to look up and out
And into your sister’s eyes, into
Your brother’s face, your country
And say simply
Very simply
With hope
Good morning.

NO DESPONTAR DESTE NOVO DIA

A Pedra, o Rio, a Árvore,
Anfitriões de espécies já extintas
O mastodonte, o dinossauro,
Que deixaram marcas várias
De sua passagem por aqui
No chão do nosso planeta,
A urgência do seu crepúsculo
Há muito perdida na poeira do tempo.

Mas hoje, a Pedra nos chama a nós, claramente,
Vem, fique de pé sobre mim
E mire seu destino distante,
Mas não busque abrigo em minha sombra,
Que eu não o protegerei dos dias que passam.

Você, criado inferior aos anjos,
Que tanto se habituou à escuridão
Que por tantos anos viveu
Com a cara mergulhada na ignorância
Sua boca vomitando palavras
Carregadas de ameaças homicidas.

A Pedra nos chama hoje,
Vem, fique de pé sobre mim,
Mas não esconda a sua cara.

Por detrás dos muros do mundo,
Um Rio canta um canto lindo. Ele diz,
Vem, descanse ao meu lado.

Cada um de vocês, um país sitiado,
Sofisticado e estranhamente orgulhoso
Mas movendo-se continuamente sob ameaças contínuas.
Suas intrigas fabricadas pela ganância
Deixaram montes de sujeira em minhas margens,
Ondas de detritos no meu leito.
Ainda assim eu os chamo hoje
Para que a guerra seja esquecida
Aqui ao largo do meu curso.

Vem, se aproxime em paz,
E eu cantarei o canto
Que o Criador me ensinou quando
Eu, a Árvore e a Pedra éramos um.
Antes que o cinismo fosse essa marca indelével em sua testa
E quando você ainda sabia que nada sabia.
O Rio cantava então, e ainda canta hoje.

Hoje, não há como não sentir a urgência
De responder ao canto do Rio e à sabedoria da Pedra.
Asiáticos, ticanos, judeus,
Africanos, índios,
Católicos, mussulmanos, franceses, gregos,
Irlandeses, rabinos, padres, sheiques,
Gays, heteros, pregadores,
Privilegiados, favelados, professores.
Eles ouvem. Todos eles ouvem
as palavras da Árvore.

Eles escutam a primeira e última das Árvores
Falando com a humanidade.
Vem para mim,
Aqui às margens do Rio.
E permaneça aqui comigo, às margens deste Rio.

Cada um de vocês, descendente
de um viajante, já pagou sua passagem.
Você, que me deu meu primeiro nome, você,
Tupi, Guarani, Yanomani, você
Nação Xingu, que descansou sobre mim,
Mas que então foi forçado a ganhar
A vida em empregos criados
Por outrem desesperados
Pelo ganho, famintos pelo ouro.

Você, turco, árabe, sueco,
Alemão, esquimó, escocês,
Italiano, húngaro, polonês.
Você, ashanti, yoruba, kru,
Comprou, vendeu e roubou
E acordou dentro de um pesadelo
Sem nunca ter deixado de sonhar.

Vem, se acomode junto a mim.
Eu sou a Árvore plantada junto ao Rio,
Que jamais sairá daqui.
Eu, a Pedra, o Rio, a Árvore,
Eu sou seu – sua passagem já foi paga.
Erga então seu rosto para o céu
E encare esta manhã que nasce para você.
A História e toda a dor que Ela carrega
Não pode ser desvivida, mas se encarada
Com coragem, não precisa ser vivida de novo.

Erga seus olhos para o céu e repare
Esse dia despontando só para você.
Dê asas novamente
Aos seus sonhos adormecidos.

Mulher, criança, homem,
Agarre esse dia com as mãos
E o molde na forma do seu
Mais profundo desejo. Esculpa o dia
À sua mais própria imagem e semelhança.
Erga seu espírito.
Cada nova hora que chega promete
Possibilidades infinitas para um novo começo.
Não se deixe paralisar pelo medo
Ou aprisionar eternamente
Pelo ódio e a violência.

À sua frente o horizonte se expande
Agora, abrindo espaço
Para que você caminhe passos jamais antes ousados.
Aqui, no despontar deste novo dia
Olhe com coragem
Para o alto e para além de onde estamos,
A Pedra, o Rio, a Árvore, o seu país.
Não menos ao pobre do que ao rico,
Não menos a você agora do que ao dinossauro então.

Aqui, no despontar deste novo dia,
Você deve olhar confiante para o alto e para além
E olhar também, fundo, nos olhos da sua irmã,
No rosto do seu irmão,
Do seu país,
E dizer simplesmente
Com uma esperança que já não cabe mais em si
Aquela que seria a mais banal das frases:
“Bom dia!”

(tradução de Mauro Catopodis)

Um poema às quartas

STILL I RISE

You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may trod me in the very dirt
But still, like dust, I’ll rise.

Does my sassiness upset you?
Why are you beset with gloom?
‘Cause I walk like I’ve got oil wells
Pumping in my living room.

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I’ll rise.

Did you want to see me broken?
Bowed head and lowered eyes?
Shoulders falling down like teardrops,
Weakened by my soulful cries?

Does my haughtiness offend you?
Don’t you take it awful hard
‘Cause I laugh like I’ve got gold mines
Diggin’ in my own backyard.

You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I’ll rise.

Does my sexiness upset you?
Does it come as a surprise
That I dance like I’ve got diamonds
At the meeting of my thighs?

Out of the huts of history’s shame
I rise
Up from a past that’s rooted in pain
I rise
I’m a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.

Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that’s wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise.

AINDA ASSIM, EU ME LEVANTO

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.

(Tradução de Mauro Catopodis)