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Thank God it’s Friday – Baden Baden Red Ale

Já tomou “vinho de cevada”? Não. Não estou falando daquela aberração que se vende por aí chamada “chopp de vinho”. Eu gosto de chopp. Gosto de vinho. Mas não tomo chopp de vinho. Pois eu gosto de sorvete. Também gosto de picanha, mas não me arriscaria a tomar um “sorvete de picanha”.

Na verdade falo da cerveja “barley wine“, que é uma ale chamada deste modo por sua graduação alcoólica, digamos, exagerada. A Baden Baden Red Ale conta com 9,2º, enquanto uma pilsen padrão tem 4,3 a 4,5º. E sua intensidade não reside apenas no álcool.

O álcool é sentido no conjunto, mas de maneira bem integrada. O conjunto é potente, com sabor intenso, bastante encorpada, com muitos aromas e sabores. A alta complexidade se dá pela boa presença de lúpulos, que conferem aromas e sabores herbais característicos e também de frutas vermelhas. O sabor contém um amargor pronunciado mas bem agradável e o creme é persistente e abundante e a cerveja é bem carbonatada.

É uma das melhores cervejas nacionais. Combina bem com pratos picantes, condimentados. Vale muito a pena.

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Thank God it’s Friday – Baden Baden Bock

A cervejaria Kaiser, no início da década de 80, foi a primeira a sair do eterno marasmo formado pelas “pilsens” aguadas que inundam o mercado nacional ao lançar sua sazonal Kaiser Bock. Foi um sopro de frescor nos botecos brasileiros (além de representar uma das melhores relações custo-benefício até hoje). Mas a bock que eu escolhi pra representar aqui é a Baden Baden Bock.

A cerveja bock é elaborada com maltes tostados, que lhe dão a coloração que varia entre o vermelho até o quase preto. A Baden Baden é âmbar avermelhada, com espuma bege e abundante. Tem aromas tostados e adocicados, bem de leve, e sabor levemente tostado e amargo. Tem graduação alcólica de 6,2º mas que se insere muito bem no conjunto, sem se sobressair. A cerveja é mediamente encorpada, e combina bem com o clima de friozinho (aliás, a Baden Baden é a cervejaria do friozinho, pois é de Campos do Jordão e foi criada para abastecer o bar de mesmo nome) e com a comida um pouco mais pesada e picante da estação.

Excelente pedida.

Thank God it’s Friday – Baden Baden 1999

A história desta cerveja confunde-se com a história do nascimento do mercado de cervejas artesanais e especiais no Brasil. Dizem que quatro amigos decidiram fabricar sua própria cerveja em 1999 quando deixararam de encontrar sua cerveja favorita nos mercados, a Spitfire.

badenbaden

É um excelente exemplo de Bitter Ale, mais especificamente uma Premium Bitter, de coloração vermelho-acobreada, com aroma de lúpulo bastante agradável, bom amargor e sabor maltado. O blogueiro, especialistas em cerveja e dono do Melograno, restaurante e empório de cervejas, Edu Passarelli,  publicou em seu blog, no longínquo ano de 2006, uma degustação comparativa entre a Spitfire e a 1999 (infelizmente não tive a oportunidade de provar a homenageada cerveja inglesa) e a brasileira não se saiu nada mal.

Aliás, nada mal mesmo. Neste ano a 1999 recebeu a medalha de bronze do  Australian International Beer Awards na categoria British Style Pale Ale. A propósito, as cervejas da Baden Baden e da Eisenbahn são as maiores colecionadoras de premiações internacionais do Brasil. Graças a Deus a Schincariol, fábrica nunca conhecida pela qualidade de suas cervejas (Nova Schin? Nem pagando…) teve o bom senso de não mexer na fórmula de suas artesanais (Eisenbahn, Baden Baden e Devassa).

Cerveja nacional de padrão internacional. Não percam.

Thank God it’s Friday – Baden Baden 20 anos

Essa é uma cerveja que infelizmente meus amigos leitores não poderão conferir se é boa ou não.

Porque ela simplesmente não existe mais.

Baden_20_anos

A cervejaria Baden Baden, de Campos do Jordão, ao completar 20 anos lançou esta cerveja comemorativa em edição limitadíssima: 15.000 garrafas. É uma cerveja porter, o que significa que é uma cerveja preta, feita com malte torrado o que confere características de torrefação no aroma e no sabor, com toques de café e de chocolate. A porter foi um estilo muito popular na Inglaterra, consumida por trabalhadores braçais. Inclusive atribuem seu nome ao fato dela ser uma das preferidas pelos estivadores. A conferir se a lenda é verdadeira.

No Brasil há outra opção de porter que é a cerveja Colorado Demoiselle, feita com café em sua composição. Muito boa também.

Mas voltando à Baden Baden, quando a provei ela já estava vencida. Porém não senti nenhum defeito em seu sabor. Se eles existiam, provavelmente foram encobertos pela potência do sabor torrado da cerveja, conforme explica o especialista em cervejas Edu Passarelli.

Recomendaria a todos, caso ela ainda existisse. Como não é o caso, vale a pena provar a Colorado Demoiselle ou outras porters fabricadas por micro-cervejarias ou mesmo importadas da Inglaterra.

P.S. O jornalista Roberto Fonseca, do blog B.O.B. acaba de realizar duas degustações com cervejas porters disponíveis no mercado brasileiro. Eis o relato da degustação da Colorado Demoiselle e da Meantime Coffee Porter, ambas com café em suas composições.