Arquivo do mês: junho 2010

Um poema às quartas

A poem for black hearts

For Malcolm’s eyes, when they broke
The face of some dumb white man, for
Malcolm’s hands rose to bless us
All black and strong in his image
Of ourselves, for Malcolm’s words
Fire darts, the victors tireless
Thrust, words hung above the world
Change as it may, he said it, and
For this he was killed, for saying,
And feeling, and being/change, all
Collected hot in his heart, for Malcolm’s
Heart, raising us above our filthy cities,
For his strive, and his beat, and his address
To the gray monsters of the world, for Malcolm’s
Please for your dignities, black men, for your life
Black men, for the filling of your mind
With rightiousness, for all of him dead and
Gone and vanished from us, and all of which
Cling to our speech, black god of our time
For all of him and all of yourself, look up
Black man, quit stuttering and shuffling, look up
Black man, quit whining and stooping, for all of him,
For great maltose a prince of the earth, let nothing in us rest
Until we avenge ourselves for his death, stop animals
That killed him, let us never breath a pure breath, if
We fail and white men call us faggots till the end of
The earth.

Um poema para os corações negros

Pelos olhos de Malcolm, quando quebraram a cara
de um branco estúpido.
Pelas mãos de Malcolm, erguidas, para nos abençoar,
negros e fortes na sua imagem de nós mesmos.
Pelas palavras de Malcolm, dardos de fogo, vitoriosas,
ferindo incansáveis, palavras suspensas
sobre o mundo, mudando-o como podem.
Ele disse, por isso foi assassinado, por dizer
e sentir, sendo e mudando
Todos juntos no seu coração ardente
Pelo coração de Malcolm. elevando-nos sobre
as cidades imundas.
Pelos seus passos e seu jeito e suas palavras
aos monstros cinzentos do mundo
Pelas súplicas de Malcolm por sua dignidade,
negros, por suas vidas, negros, para encher seus
espíritos de confiança.
Por tudo dele, morto a partido, sumido de
nós, e tudo dele ligado a nós para
nossa crença Deus negro de nosso tempo.
Por tudo dele e de vocês mesmos, ergam os
olhos, negros, parem de gaguejar e andar cabisbaixos,
levantem a cabeça e parem de choramingar
e se humilhar, por tudo dele,
Pelo grande Malcolm, um príncipe da terra,
não nos deixemos esmorecer
Até nos vingarmos, nós próprios, por sua morte
(estúpidos animais que o mataram), não nos deixemos
tomar fôlego, pois se cairmos os brancos nos chamarão de bichas
até o fim do mundo.

(Tradução: Italo Marconi Jr.)

Democratizar o dinheiro, a terra, a palavra

O Emir Sader é um dos mais importantes pensadores de esquerda do Brasil. Não é pouco, ainda mais ao observar o time das idéias no lado direito do campo, profundamente enfraquecido após a morte de Roberto Campos e Paulo Francis, por exemplo. Afinal, depender de Olavo de Carvalho, um parnasiano fora da realidade que mistura fanatismo religioso com reacionarismo recalcitrante, ou Reinaldo Azevedo (nem dá para citar o bobo-da-corte Diogo Mainardi) é realmente muito pouco.

Mas a pobreza da inteligentsia da direita (embora também não dê para elogiar a produção de esquerda com tanto entusiasmo assim) é até explicável pela total falta de necessidade de haver uma contundente defesa do ideário conservador. Não há. Há um aparato ideológico tão coesamente militante, formado pelos meios de comunicação que tratam de naturalizar o pensamento conservador que o trabalho hercúleo de se desmontar a construção ideológica é dos pensadores de esquerda, não o contrário.

Daí a importância do professor da UFRJ. Ocupa um espaço antes compartilhado com outros nomes da reflexão de esquerda, como o Idelber Avelar . Eu nem sempre concordo com ele. Não que eu discorde de seu radicalismo. Ao contrário. Considero imprescindível  a existência do pensamento radical no campo das idéias, até como uma vacina contra o excessivo pragmatismo eleitoral e governamental. Discordo de sua falta de crítica em relação a Bolívia, considerada muitas vezes como uma alternativa, não como um governo populista e autocrático. Enfim… nada é perfeito…

Mas esta coluna de Emir, publicada no site Carta Maior, acertou na mosca. Ainda mais na época de vuvuzelas midiáticas e cala boca galvão/dunga/tadeu schimidt e outras bobagens na mídia tuiteira.

Democratizar o dinheiro, a terra, a palavra

O problema maior da transição da ditadura à democracia no Brasil é que a democracia se restringiu ao sistema político. Não foram democratizados pilares fundamentais do poder na sociedade: terra, bancos, meios de comunicação, entre outros.

O Brasil da democracia teve assim elementos fortes de continuidade com o da ditadura. A política de meios de comunicação, por exemplo, nas mãos de ACM, o ministro de Sarney, completou a distribuição clientelística de canais de radio e televisão e favoreceu a consolidação do monopólio da Globo – os próprios Sarney e ACM, proprietários de emissoras ligadas à rede da Globo.

Não se avançou na reforma agrária, nem foi tocado o sistema bancário. É como se a ditadura tivesse sido apenas uma deformação de caráter político aos ideais democráticos. Mas nem os agentes imediatos do golpe e sujeitos políticos do regime – as FFAA – foram punidos. Como se tivesse sido “um mal momento”, até mesmo “um mal necessário”, como diriam as elites políticas tradicionais, que seguem por ai.

No entanto o golpe e a ditadura foram extraordinariamente funcionais ao capitalismo brasileiro. O processo que se desenvolvia de democratização política, econômica e social do país não interessava nem aos capitais estrangeiros, nem aos grandes capitais brasileiros. Estes, concentrados em áreas monopólicas, não se interessavam no enorme mercado popular urbano que o aumento sistemático do poder aquisitivo dos salários propiciava, nem no mercado popular rural, a que a reforma agrária apontava.

O eixo da indústria automobilística no setor do grande capital industrial e outros setores que produziam para os setores da classe média, para a burguesia e para a exportação, se coligaram com os golpistas no plano político, para impor, mediante o golpe, um modelo que atacava duramente o poder aquisitivo dos salários.

O golpe os atendeu imediatamente, com intervenção em todos os sindicatos e com a política de arrocho salarial. Foi uma “lua-de-mel” para os empresários, uma super exploração do trabalho, mais de uma década sem aumento de salários, sem negociações salariais. Bastaria isso para entender o caráter de classe do golpe e do regime e militar.

A dura repressão aos sindicatos e a todas as formas de organização do movimento popular contaram com o beneplácito do silêncio dos órgãos de comunicação, que pregaram o golpe e apoiaram a instalação do regime de terror que comandou o país por mais de duas décadas.

A democracia reconheceu o que os trabalhadores – com os do ABC na linha de frente – haviam conquistado: a legalização da luta sindical, junto ao direito de existência de centrais sindicais, a legalização dos partidos, o direito de organização dos movimentos populares, entre outras conquistas.

Mas os pilares do poder consolidado pela ditadura ficaram intocados. Ao contrário, seu poder monopólico sobre a terra, o sistema bancário, os meios de comunicação, se fortaleceram.

Esses temas ficam pendentes: quebrar o monopólio do dinheiro, da terra e da palavra – como algumas das grandes transformações estruturais que o Brasil precisa para construir uma sociedade econômica, social, política e culturalmente democrática.

Postado por Emir Sader às 12:13

Escrevendo a Bíblia

Copiado do Pavablog.

Um poema às quartas

On the Pulse of Morning

A Rock, A River, A Tree
Hosts to species long since departed,
Marked the mastodon.

The dinosaur, who left dry tokens
Of their sojourn here
On our planet floor,
Any broad alarm of their hastening doom
Is lost in the gloom of dust and ages.

But today, the Rock cries out to us, clearly, forcefully,
Come, you may stand upon my
Back and face your distant destiny,
But seek no haven in my shadow.

I will give you no more hiding place down here.

You, created only a little lower than
The angels, have crouched too long in
The bruising darkness,
Have lain too long
Face down in ignorance.

Your mouths spilling words
Armed for slaughter.

The Rock cries out today, you may stand on me,
But do not hide your face.

Across the wall of the world,
A River sings a beautiful song,
Come rest here by my side.

Each of you a bordered country,
Delicate and strangely made proud,
Yet thrusting perpetually under siege.

Your armed struggles for profit
Have left collars of waste upon
My shore, currents of debris upon my breast.

Yet, today I call you to my riverside,
If you will study war no more. Come,

Clad in peace and I will sing the songs
The Creator gave to me when I and the
Tree and the stone were one.

Before cynicism was a bloody sear across your
Brow and when you yet knew you still
Knew nothing.

The River sings and sings on.

There is a true yearning to respond to
The singing River and the wise Rock.

So say the Asian, the Hispanic, the Jew
The African and Native American, the Sioux,
The Catholic, the Muslim, the French, the Greek
The Irish, the Rabbi, the Priest, the Sheikh,
The Gay, the Straight, the Preacher,
The privileged, the homeless, the Teacher.
They hear. They all hear
The speaking of the Tree.

Today, the first and last of every Tree
Speaks to humankind. Come to me, here beside the River.

Plant yourself beside me, here beside the River.

Each of you, descendant of some passed
On traveller, has been paid for.

You, who gave me my first name, you
Pawnee, Apache and Seneca, you
Cherokee Nation, who rested with me, then
Forced on bloody feet, left me to the employment of
Other seekers–desperate for gain,
Starving for gold.

You, the Turk, the Swede, the German, the Scot …
You the Ashanti, the Yoruba, the Kru, bought
Sold, stolen, arriving on a nightmare
Praying for a dream.

Here, root yourselves beside me.

I am the Tree planted by the River,
Which will not be moved.

I, the Rock, I the River, I the Tree
I am yours–your Passages have been paid.

Lift up your faces, you have a piercing need
For this bright morning dawning for you.

History, despite its wrenching pain,
Cannot be unlived, and if faced
With courage, need not be lived again.

Lift up your eyes upon
The day breaking for you.

Give birth again
To the dream.

Women, children, men,
Take it into the palms of your hands.

Mold it into the shape of your most
Private need. Sculpt it into
The image of your most public self.
Lift up your hearts
Each new hour holds new chances
For new beginnings.

Do not be wedded forever
To fear, yoked eternally
To brutishness.

The horizon leans forward,
Offering you space to place new steps of change.
Here, on the pulse of this fine day
You may have the courage
To look up and out upon me, the
Rock, the River, the Tree, your country.

No less to Midas than the mendicant.

No less to you now than the mastodon then.

Here on the pulse of this new day
You may have the grace to look up and out
And into your sister’s eyes, into
Your brother’s face, your country
And say simply
Very simply
With hope
Good morning.

NO DESPONTAR DESTE NOVO DIA

A Pedra, o Rio, a Árvore,
Anfitriões de espécies já extintas
O mastodonte, o dinossauro,
Que deixaram marcas várias
De sua passagem por aqui
No chão do nosso planeta,
A urgência do seu crepúsculo
Há muito perdida na poeira do tempo.

Mas hoje, a Pedra nos chama a nós, claramente,
Vem, fique de pé sobre mim
E mire seu destino distante,
Mas não busque abrigo em minha sombra,
Que eu não o protegerei dos dias que passam.

Você, criado inferior aos anjos,
Que tanto se habituou à escuridão
Que por tantos anos viveu
Com a cara mergulhada na ignorância
Sua boca vomitando palavras
Carregadas de ameaças homicidas.

A Pedra nos chama hoje,
Vem, fique de pé sobre mim,
Mas não esconda a sua cara.

Por detrás dos muros do mundo,
Um Rio canta um canto lindo. Ele diz,
Vem, descanse ao meu lado.

Cada um de vocês, um país sitiado,
Sofisticado e estranhamente orgulhoso
Mas movendo-se continuamente sob ameaças contínuas.
Suas intrigas fabricadas pela ganância
Deixaram montes de sujeira em minhas margens,
Ondas de detritos no meu leito.
Ainda assim eu os chamo hoje
Para que a guerra seja esquecida
Aqui ao largo do meu curso.

Vem, se aproxime em paz,
E eu cantarei o canto
Que o Criador me ensinou quando
Eu, a Árvore e a Pedra éramos um.
Antes que o cinismo fosse essa marca indelével em sua testa
E quando você ainda sabia que nada sabia.
O Rio cantava então, e ainda canta hoje.

Hoje, não há como não sentir a urgência
De responder ao canto do Rio e à sabedoria da Pedra.
Asiáticos, ticanos, judeus,
Africanos, índios,
Católicos, mussulmanos, franceses, gregos,
Irlandeses, rabinos, padres, sheiques,
Gays, heteros, pregadores,
Privilegiados, favelados, professores.
Eles ouvem. Todos eles ouvem
as palavras da Árvore.

Eles escutam a primeira e última das Árvores
Falando com a humanidade.
Vem para mim,
Aqui às margens do Rio.
E permaneça aqui comigo, às margens deste Rio.

Cada um de vocês, descendente
de um viajante, já pagou sua passagem.
Você, que me deu meu primeiro nome, você,
Tupi, Guarani, Yanomani, você
Nação Xingu, que descansou sobre mim,
Mas que então foi forçado a ganhar
A vida em empregos criados
Por outrem desesperados
Pelo ganho, famintos pelo ouro.

Você, turco, árabe, sueco,
Alemão, esquimó, escocês,
Italiano, húngaro, polonês.
Você, ashanti, yoruba, kru,
Comprou, vendeu e roubou
E acordou dentro de um pesadelo
Sem nunca ter deixado de sonhar.

Vem, se acomode junto a mim.
Eu sou a Árvore plantada junto ao Rio,
Que jamais sairá daqui.
Eu, a Pedra, o Rio, a Árvore,
Eu sou seu – sua passagem já foi paga.
Erga então seu rosto para o céu
E encare esta manhã que nasce para você.
A História e toda a dor que Ela carrega
Não pode ser desvivida, mas se encarada
Com coragem, não precisa ser vivida de novo.

Erga seus olhos para o céu e repare
Esse dia despontando só para você.
Dê asas novamente
Aos seus sonhos adormecidos.

Mulher, criança, homem,
Agarre esse dia com as mãos
E o molde na forma do seu
Mais profundo desejo. Esculpa o dia
À sua mais própria imagem e semelhança.
Erga seu espírito.
Cada nova hora que chega promete
Possibilidades infinitas para um novo começo.
Não se deixe paralisar pelo medo
Ou aprisionar eternamente
Pelo ódio e a violência.

À sua frente o horizonte se expande
Agora, abrindo espaço
Para que você caminhe passos jamais antes ousados.
Aqui, no despontar deste novo dia
Olhe com coragem
Para o alto e para além de onde estamos,
A Pedra, o Rio, a Árvore, o seu país.
Não menos ao pobre do que ao rico,
Não menos a você agora do que ao dinossauro então.

Aqui, no despontar deste novo dia,
Você deve olhar confiante para o alto e para além
E olhar também, fundo, nos olhos da sua irmã,
No rosto do seu irmão,
Do seu país,
E dizer simplesmente
Com uma esperança que já não cabe mais em si
Aquela que seria a mais banal das frases:
“Bom dia!”

(tradução de Mauro Catopodis)

66

Outro folhetim do Laerte.

O primeiro, Muchacha, tratava da década de 50. Este, da década de 60. A diferença é que eu postei Muchacha com ele já acabado.  66 está só no começo. E pode ser que demore pra engrenar. Mas, como sempre, vale a pena seguir.

Clique na imagem para ser redirecionado para o folhetim.

P.S. Há outros assuntos no prelo, mas a falta de tempo atrasou um pouco os textos.

A “mourinização” do futebol

Há quem diga que a tragédia do Sarriá, a derrota do Brasil frente a uma Itália que jogava fortemente postada na defesa e apostando nos contragolpes, foi a principal responsável pela predominância do futebol-força, que valoriza a preparação física, a solidez defensiva e a disciplina tática, em relação ao chamado “futebol-arte”, que valoriza a posse de bola, o drible, o improviso e o talento individual.

Claro que um único evento não pode ser considerado o único causador, mas serve como momento-chave de uma mudança de paradigmas históricos.

Pois bem. Após dois anos de valorização de futebol bonito, ofensivo, de posse de bola e que visa o gol, simbolizados pelas conquistas de Manchester United de Rooney, Tevez e Ronaldo frente ao pragmático e sólido Chelsea de Avran Grant, e no ano seguinte a vitória do avassalador Barcelona que jogava no ultra-ofensivo 4-3-3 com um volante, dois meias e três atacantes (Messi, Eto’o e Henry) sobre o mesmo Manchester United, eis que o vitorioso desta edição da Liga dos Campeões da UEFA praticava extamente o oposto dessa filosofia.

A Internazionale ensinou o caminho das pedras. Travou o Barcelona, que nesta temporada continuava tão insinuante, ofensivo e avassalador quanto na anterior. Ao anular as principais peças ofensivas de seu adversário, Mourinho armou a arapuca que derrubou os catalães e executada à perfeição, também vitimou os bávaros na final.

Pois bem. A lição foi ensinada. E, parece, aprendida. A primeira rodada da Copa do Mundo de 2010 foi a rodada com a menor média de gols de toda história. Equipes com razoável técnica, mas com excessiva disciplina tática, vigor físico e dedicação conseguiram fazer frente a equipes bem mais técnicas e habilidosas.

Enquanto França e Uruguai se anulavam, oferecendo praticamente nenhuma oportunidade ao adversário para marcar, o que se viu em partidas como Camarões x Japão e Sérvia x Gana foi a lição de Mourinho dando certo outras vezes. Segundo o comentarista Paulo Vinícius Coelho, o Japão foi o time que jogou mais agrupado até então na Copa. E Gana, com muita força física e disposição, derrotou uma Sérvia que se viu sem alternativa alguma naquela partida.

A Costa do Marfim, time que conta com razoáveis recursos técnicos, jogou esperando Portugal a partida toda, sem se lançar ao ataque antes de meados da segunda etapa. Ronaldo simplesmente não apareceu.

Mas o melhor (ou pior) ainda estava por vir.

A Espanha começou contra a Suíca avassaladora como o Barcelona. A troca de passes, veloz e precisa, a posse de bola que batia nos 65% e a movimentação faziam parecer que os ibéricos confirmariam seu favoritismo e que o gol seria questão de tempo. Mas ao passar do tempo ficou claro que havia incrível dificuldade dos espanhóis converterem em chances de gol sua melhor técnica e posse de bola. Um contra-golpe acabou com a invencibilidade da Espanha.

O Eduardo Cecconi, do blog Preleção, analisa detalhadamente a partida que ruiu as esperanças daqueles que torciam pelo futebol fluido, veloz e envolvente nesta Copa. Acabaram as esperanças? Não necessariamente, muito embora a Sérvia tenha batido outro prego no caixão do futebol ofensivo ao bater a Alemanha hoje pela manhã. Afinal, Argentina e Holanda continuam a jogar ofensivamente. Resta saber até quando resistirão.

Se este título da UCL e esta copa representarão uma mudança de paradigma tático, ou então, um esgotamento das fórmulas táticas atuais, com a percepção de que há ferramentas existentes que permitem a anulação de qualquer força ofensiva, como também demonstrou a frágil Coréia do Norte frente a um pouco inspirado Brasil, ainda não sabemos. Mas certamente o ano de 2010 no futebol pertence a Mourinho.

Um poema às quartas

STILL I RISE

You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may trod me in the very dirt
But still, like dust, I’ll rise.

Does my sassiness upset you?
Why are you beset with gloom?
‘Cause I walk like I’ve got oil wells
Pumping in my living room.

Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I’ll rise.

Did you want to see me broken?
Bowed head and lowered eyes?
Shoulders falling down like teardrops,
Weakened by my soulful cries?

Does my haughtiness offend you?
Don’t you take it awful hard
‘Cause I laugh like I’ve got gold mines
Diggin’ in my own backyard.

You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I’ll rise.

Does my sexiness upset you?
Does it come as a surprise
That I dance like I’ve got diamonds
At the meeting of my thighs?

Out of the huts of history’s shame
I rise
Up from a past that’s rooted in pain
I rise
I’m a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.

Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that’s wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise.

AINDA ASSIM, EU ME LEVANTO

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.

(Tradução de Mauro Catopodis)