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Sumido da blogosfera

Estou meio sumido. Nem o poema da última quarta-feira entro. Pois é. Excesso de coisas para ler e fazer, pouco tempo. Enfim.

De tudo o que li nessa semana, uma frase marca. Ei-la:

“Leonardo (Boff) lembra logo no primeiro parágrafo de um projeto em que trabalhamos juntos, o do livro “Brasil Nunca Mais”, nos tempos em que escrever e editar textos sobre o que estava acontecendo no país implicava em correr risco de vida. Quem faz belos discursos hoje sobre as “ameaças à liberdade de expressão e em defesa da democracia” hoje não viveu aquele tempo de trevas ou não sabe do que está falando. Ou está querendo enganar alguém, achando que todo mundo é bobo e esquecido.”

Pois é. Chega dessa mumunha pseudo-libertária que a mídia mais reacionária e conservadora, mais tacanha e golpista (sim, golpista) tenta enfiar goela abaixo nos eleitores do Tiririca. Chega.

Ah, quem escreveu a frase foi o Ricardo Kotcho. O resto pode ser lido aqui.

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Deus e as eleições

Plebiscito Pelo Limite Da Terra

PLEBISCITO PELO LIMITE DA TERRA

Vivem hoje na zona rural brasileira cerca de 30 milhões de pessoas, pouco mais de 16% da população do país. O Brasil apresenta um dos maiores índices de concentração fundiária do mundo: quase 50% das propriedades rurais têm menos de 10 ha

por Frei Betto

Entre 1 e 7 de setembro o Fórum Nacional da Reforma Agrária e Justiça no Campo promoverá, em todo o Brasil, o plebiscito pelo limite da propriedade rural. Mais de 50 entidades que integram o Fórum farão da Semana da Pátria e do Grito dos Excluídos, celebrado todo 7 de setembro, um momento de clamor pela reforma fundiária em nosso país.

Vivem hoje na zona rural brasileira cerca de 30 milhões de pessoas, pouco mais de 16% da população do país. O Brasil apresenta um dos maiores índices de concentração fundiária do mundo: quase 50% das propriedades rurais têm menos de 10 ha (hectares) e ocupam apenas 2,36% da área do país. E menos de 1% das propriedades rurais (46.911) têm área acima de 1 mil ha cada e ocupam 44% do território (IBGE 2006).

As propriedades com mais de 2.500 ha são apenas 15.012 e ocupam 98,5 milhões de ha: 28 milhões de hectares a mais do que quase 4,5 milhões de propriedades rurais com menos de 100 ha.

Diante deste quadro de grave desigualdade, não se pode admitir que imensas propriedades rurais possam pertencer a um único dono, impedindo o acesso democrático à terra, que é um bem natural, coletivo, porém limitado.

O objetivo do plebiscito é demonstrar ao Congresso Nacional que o povo brasileiro deseja que se inclua na Constituição um novo inciso limitando a propriedade da terra – princípio adotado por vários países capitalistas – a 35 módulos fiscais. Áreas acima disso seriam incorporadas ao patrimônio público e destinadas à reforma agrária.

O módulo fiscal serve de parâmetro para classificar o tamanho de uma propriedade rural, segundo a lei 8.629 de 25/02/93. Um módulo fiscal pode variar de 5 a 110 ha, dependendo do município e das condições de solo, relevo, acesso etc.. É considerada pequena propriedade o imóvel com o máximo de quatro módulos fiscais; média, 15; e grande, acima de 15 módulos fiscais.

Um limite de 35 módulos fiscais equivale a uma área entre 175 ha (caso de imóveis próximos a capitais) e 3.500 ha (como na região amazônica). Apenas 50 mil entre as cinco milhões de propriedades rurais existentes no Brasil se enquadram neste limite. Ou seja, 4,950 milhões de propriedades têm menos de 35 módulos fiscais.

O tema foi enfatizado pela Campanha da Fraternidade 2010, promovida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Todos os dados indicam que a concentração fundiária expulsa famílias do campo, multiplica o número de favelas e a violência nos centros urbanos. Mais de 11 milhões de famílias vivem, hoje, em favelas, cortiços ou áreas de risco.

Nos últimos 25 anos, 1.546 trabalhadores rurais foram assassinados no Brasil; 422 presos; 2.709 famílias expulsas de suas terras; 13.815 famílias despejadas; e 92.290 famílias envolvidas em conflitos por terra! Foram registradas ainda 2.438 ocorrências de trabalho escravo, com 163 mil trabalhadores escravizados.

Desde 1993, o Grupo Móvel do Ministério do Trabalho libertou 33.789 escravos. De 1.163 ocorrências de assassinatos, apenas 85 foram a julgamento, com a condenação de 20 mandantes e 71 executores. Dos mandantes, somente um se encontra preso, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, um dos mandantes da eliminação da irmã Dorothy Stang, em 2005.

Tanto o plebiscito quanto o abaixo-assinado visam a aprovar a proposta de emenda constitucional (PEC 438) que determina o confisco de propriedades onde se pratica trabalho escravo, bem como limites à propriedade rural. As propriedades confiscadas seriam destinadas à reforma agrária.

Embora o lobby do latifúndio apregoe as “maravilhas” do agronegócio, quase todo voltado à exportação e não ao mercado interno, a maior parte dos alimentos da mesa do brasileiro provém da agricultura familiar. Ela é responsável por toda a produção de verduras; 87% da mandioca; 70% do feijão; 59% dos suínos; 58% do leite; 50% das aves; 46% do milho; 38% do café; 21% do trigo.

A pequena propriedade rural emprega 74,4% das pessoas que trabalham no campo. O agronegócio, apenas 25,6%. Enquanto a pequena propriedade ocupa 15 pessoas por cada 100 ha, o agronegócio, que dispõe de tecnologia avançada, somente 1,7 pessoas.

Frei Betto é escritor, autor de “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org -Twitter:@freibetto

*Este artigo foi publicado na edição de 13 de agosto de 2010 do Correio Braziliense, na editoria Opinião, pág. 17

http://www.limitedaterra.org.br/index.php

A Paróquia da Trindade (Igreja Anglicana) oferecerá seu espaço, entre os dias 1-7 de setembro, para o Plebiscito pelo Limite da Propriedade da Terra. Participe assinando o abaixo assinado.

Endereço

Praça Olavo Bilac, nº 63. Campos Elíseos. CEP 01201-050. São Paulo-SP Tel/Fax: 11- 36678161
Próximo a Estação Metrô Marechal / início da Av.Angélica
Estacionamentos: Praça Olavo Bilac e na Rua Pirineus.

http://trindade.org/drupal/

Medos privados em lugares públicos

Ou seriam lugares privados mesmo?

Para quem achava que o máximo de mobilização política da classe média-alta era a passeata das dasluzetes pela liberação do bronzeamento artificial (o Discreto Charme da Burguesia).

Para quem achava que a sociedade organizada em seu ápice era o assédio moral àqueles que quisessem atuar contra a fome e a miséria nas ruas de São Paulo (Desmendigação).

Não. Agora chegamos à quintessência da inversão de valores de cidadania.

Higienópolis não quer metrô
Por FPS3000 às 9:28 PM Links para esta postagem

Higienópolis não quer uma estação de metrô dentro do bairro.

E é capaz de conseguir seu intento, mantendo o caráter de condomínio fechado que possui desde sua fundação, já que estações de metrô, se abrem os bairros à visitação pública, trazem também com isso a sensação de insegurança típica de quem não quer encarar o mundo à sua volta e tem muito medo de ver a realidade que o cerca.

Higienópolis não quer metrô, assim como a Vila das Belezas, que impediu a construção de uma estação na linha 5 pelo mesmo motivo (manter a característica fechada do bairro); e como a Chácara Klabin, dos condomínios fechados e segurança cada vez mais rígida, que inclusive melhora a Polícia de sua região com recursos próprios para poder isolar-se com mais dignidade do mundo que cerca a região.

Numa ironia que corrói, e fere, e destrói – como tanta coisa estúpida que só existe nessa selva de pedra chamada São Paulo.

Essa classe média alta, classe B, que não quer o populacho beirando sua piorta, nem os mendigos e ambulantes, prefere se mobilizar para isolar-se que correr atrás de soluções para os problemas que afligem a todos, sem exceção.

E o que é mais engraçado, tratam-se de pessoas que andam à vontade nas ruas parisienses, mas que não é capaz de perceber que desenvolvimento de verdade é deixar o carro em casa e usar os pés para ir a qualquer parte.

Ou as rodas, por exemplo, como a turma da bike tem mostrado cada vez mais, ainda que com os exageros típicos dos ativistas de plantão.

….

E eles ainda querem se defender de nós … oh, e agora, quem é que vai ME defender dessa gente que está tornando São Paulo uma cidade cada vez mais cretina?

Copiado do Trash ETC.

E

Movimento Nos Defenda de Higienópolis

Reportagem da Folha Online diz que moradores do chiquetérrimo Higienópolis estão se mobilizando CONTRA a possível presença de uma estação de metrô no seu bairro, famoso pela diversidade de cachorrinhos de raças exóticas (pugs, chow-chows, scottish terriers e french bulldogs) que esmerdeiam as calçadas e fodem com o nome do aprazível vilarejo.

É, você não leu errado: eles não querem metrô na porta de casa. Metrô tem de passar longe porque atrai muito pobre, camelô, drogado e vagabundo. Afinal, compramos nossos Mercedes, Azeras e BMWs justamente para não dependermos dessas latas de sardinha e nos misturarmos à choldra ignara e seus perfumes baratos.

Não é a primeira vez que isso acontece no planalto paulistano. No também chiquetérrimo Morumbi, as madames subiram em seus saltos sete-e-meio, empunharam suas bolsas Louis Vuitton e foram à luta, impedindo com uma mobilização altaneira a construção da Estação Três Poderes da linha 4. Com isso, ou o empregado doméstico deles desce na estação São Paulo – Morumbi (e toma um busão), ou desce na estação Butantã (e toma um busão), o que resultará num dos trechos mais longos (se não for o MAIS longo) entre estações de todo o metrô paulistano. Eles que acordem mais cedo, oras! Afinal, a Martaxa fez bilhete único e os serviçais podem tomar quantas conduções precisarem para saírem de suas aldeias primitivas e chegarem à civilização.

Alguns viram na mobilização dos quatrocentões do Movimento Defenda Higienópolis contra a horda de desocupados que o metrô traz em seus vagões apenas uma desculpa para a real preocupação dos bacanas: impedir o aumento do IPTU de suas taperas de 400 m² superpostas. Só quem não conhece SP poderia pensar nessa hipótese: quando se fala em imóvel aqui na Paulicéia, a palavra associada é “valorização”. E existe um movimento bastante peculiar por aqui: se uma estação é construída perto de um centro comercial ou bairro popular, os imóveis do entorno se valorizam. O mesmo não ocorre nos “redutos dos homens bons”. Portanto, o problema é que eles acham que transporte público degrada o entorno e, por consequência, desvalorizará suas residências. IPTU é o de menos, pode-se ajeitar isso com um bom vereador a propor uma desvalorização na PGV da região, baseado em estudos estatísticos confiáveis patrocinados pela Cyrella ou Adolpho Lindemberg.

Especificamente sobre Higienópolis/Pacaembu, é secular a guerra dos moradores contra o Estádio Paulo Machado de Carvalho, que para eles deveria ser fechado aos fétidos torcedores e destinado exclusivamente para suas caminhadas matinais e, vá lá, a tradicional feira livre da Praça Charles Miller, onde podem adquirir vegetais fresquinhos para o repasto. E, claro, comer pastel. Afinal, todo rico tem de ter umas manias de pobre pra se mostrar enturmado, solidário e galeroso.

É muito provável que a mobilização dos bacanas de Higienópolis seja bem sucedida, a julgar pela experiência exitosa dos colegas do Morumbi e à tradicional sensibilidade dos governantes paulistas às reivindicações dos homens bons da nação.

Roubando o genial Humberto Capellari, humildemente proponho a criação do Movimento nos Defenda de Higienópolis, antes que seja tarde.

Copiado do Com Fel e Limão.

E você ein, que estava até aumentando a fé na espécie humanus paulistanus…

Escrevendo a Bíblia

Copiado do Pavablog.

Desmendigação

Nesta terça-feira, ao esperar por um serviço de impressões, estava lendo a Folha de São Paulo quando topei com a seguinte reportagem:

“terça-feira, 1 de junho de 2010

Campanha para expulsar pedintes da Santa Cecília pressiona restaurantes

Estratégia do conselho de segurança do bairro é ameaçar quem doa alimento com visita da Vigilância Sanitária

AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO

Moradores e comerciantes de Santa Cecília (centro de São Paulo) traçaram uma estratégia para expulsar os moradores de rua do bairro: farão uma ofensiva para que ONGs e restaurantes parem de doar comida a pedintes.
Segundo o último censo de sem-teto da cidade, divulgado ontem, há 1.334 moradores de rua e frequentadores de albergues nesse distrito.
Quem vive na região diz que esse número aumenta a cada dia devido à repressão ao tráfico na área da cracolândia, na mesma região.
A restrição de doações aos sem-teto foi planejada em reunião do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) na última semana, que foi acompanhada pela Folha. Entre os participantes da reunião, estavam representantes de moradores, comerciantes, polícia, Subprefeitura da Sé, Guarda Civil e hospital Santa Casa. Ninguém se manifestou contra a proposta. Uma comerciante disse que jogava desinfetante nos moradores de rua que dormiam na porta de sua loja pela manhã. Houve quem afirmasse que passaria a fazer o mesmo.

“Deveria haver um local que concentrasse todas as instituições que querem doar. Mas não na rua, sem higiene”, diz o presidente do Conseg, Jorge Rodrigues. Para o representante da Santa Casa, Edison Ferreira da Silva, outro problema das doações é que os sem-teto acabam jogando restos de comida e de roupas na rua, o que colabora para entupir os bueiros do bairro.

ABORDAGEM
O conselho iniciará sua estratégia mapeando ONGs, lanchonetes e restaurantes que doam comida. O segundo passo será procurar os responsáveis de cada lugar para convencê-los a suspender a doação.
O conselho avisará, por fim, que, ao constatar que algum local continua alimentando os moradores de rua, a Vigilância Sanitária será chamada para que interdite estabelecimentos irregulares.

Procurada, a Vigilância adianta que não há problema nenhum em doar comida, desde que a refeição seja servida com higiene. O órgão costuma orientar restaurantes sobre como fazer a doação.

Um sem-teto de 19 anos ouvido pela reportagem diz que o plano do Conseg não funcionará. “Se não nos derem comida, vamos começar a roubar”, ameaça.

A pós-doutora em saúde pública e em educação pela USP Aparecida Magali Alvarez, que desde 1993 pesquisa moradores de rua, critica o plano de expulsão. “A sociedade deveria se unir para ajudá-los”, afirma.
Já o frentista Marcos Magella, que há dez anos trabalha na região, vê a presença dos sem-teto como problema, mas discorda da escolha do Conseg. “O problema mesmo é a droga. Se impedirem o tráfico, os mendigos vão embora”, declarou.”

Não. Eles (Conseg) não irão pressionar quem dá comida aos pombos, pois os pombos transmitem doenças graves. Tampouco irão pressionar os donos de terrenos baldios a capinarem suas áreas, pois elas ajudam na proliferação dos ratos, que transmitem peste e um sem-número de outras doenças. Também não irão pressionar a Polícia Militar para melhor policiar a área, ou a prefeitura para melhor equipar o serviço social e o sistema de albergues.

Não. Irão pressionar restaurantes e comerciantes por alimentarem sem-teto. Isso mesmo. ESTÃO AMEAÇANDO QUEM DOA COMIDA A SERES HUMANOS EM SITUAÇÃO DE NECESSIDADE.

A mentalidade classe média, a mesma que critica qualquer forma de caridade ao alegar que “isso é responsabilidade do governo” mas também condena o Bolsa Família, que tira 15 milhões de famílias do perigo de morte por inanição, pois isso é “paternalismo e bolsa-esmola”. O certo, dizem tais filósofos, não é dar o peixe. É ensinar a pescar. O certo é dar emprego. Como se a capacitação de um contingente maciço de indigentes, de pessoas que sequer tem acesso à educação formal, fosse possível, após séculos e séculos de abandono, coronelismo e indigência.

A hipocrisia nojenta dessa parcela da sociedade é a que apóia as açõe higienistas da gestão Kassab, que reveste o piso sob viadutos de maneira a impedir que se durma sob eles, que instala encostos de braço nos bancos para que os sem-teto não durmam neles, ao invés de criar mecanismos sociais práticos e eficazes para a retirada dos moradores de rua e sua reinserção na sociedade.

As lendas sobre certos governantes que enchiam aviões de mendigos para depois jogá-los ao mar (às vezes atribuídas a Lacerda, às vezes a ACM) poderia ser realidade, na mentalidade desses cidadãos de bem…

P.S. Aqui está a reportagem sobre a pavimentação anti-mendigos implementada pela prefeitura PSDBista/DEMista:

“Serra põe rampa antimendigo na Paulista
A gestão do prefeito José Serra (PSDB-SP) começou nesta semana a instalar rampas de concreto “antimorador de rua” em uma das extremidades da avenida Paulista, na passagem subterrânea que leva à Doutor Arnaldo. O piso será chapiscado, tornando-o mais áspero e incômodo para quem tentar dormir no local.”

Aqui as obras do Kassab: República está mais clara e terá câmeras de segurança. Outra novidade da revitalização é o banco ‘antimendigo’. Diferentemente do construído na Praça da Sé, o assento traz divisórias que limitam o espaço suficiente para acomodar uma pessoa não-obesa. Na Sé, o banco tem formato curvado nas pontas e é menor.

P.P.S. Uma defesa da política social implementada pelo governo Lula.

P.P.P.S. Aqui o porque uma ação séria, responsável e humana é possível:


Humor negro, humor canino

“Estamos aqui reunidos para a despedida do melhor assistente que um mágico poderia desejar”. Da revista New Yorker, copiado do blog do Maurício Stycer.

Estes, no blog do Laerte.