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Termina lá, começa aqui

A temporada está terminando na Europa. A Inglaterra já conhece seu campeão, o Chelsea, em uma temporada surpreendentemente emocionante. Emocionante não pelo fato de ter sido decidida na última rodada entre Chelsea e Manchester United, afinal esses dois times ganharam os últimos seis campeonatos. Mas pelo fato de ter sido finalmente quebrado o chatíssimo clube do Big Four. Tottenham e Manchester City disputaram até a penúltima rodada a vaga na próxima UEFA Champions League, e até o Aston Villa aspirou tal feito. A entrada do Tottenham no Top 4 é auspiciosa por dois motivos: primeiro, porque o time ganhará cacife financeiro para continuar evoluíndo e até quem sabe galgar mais um degrauzinho na tábua de classificação. Segundo porque inevitavelmente o City fará parte desse clubinho em uma ou duas temporadas, já que os árabes não pouparão petrodólares para turbinar seu brinquedo. Portanto, isso garante pelo menos seis clubes brigando, não apenas quatro.

Na Alemanha também terminou. O Bayern Munique levou na última rodada e o Shalke 04 terminou como vice (grande novidade). A UCL verá além dos dois rivais o Werder Bremen, que bateu um Bayer Leverkusen que foi do céu ao inferno em dois meses, passando de líder para quarto colocado em uma sequência incrível de maus resultados.

Itália e Espanha conhecem seus campeões neste fim de semana, com Inter e Barcelona favoritos, enquanto Roma e Real Madrid correm por fora. França também já tem o Olympique Marseille como novo campeão (algo que não ocorria a 18 anos). A primeira edição da Europa League conheceu seu primeiro campeão, o Atletico de Madri que batera o Fulham. Agora algumas copas nacionais serão definidas, além da grande final da UCL no Santiago Bernabeu.

Pois bem. Enquanto a temporada da Europa termina em clímax, com finais, campeões, coroações e todos os torcedores de futebol se preparando para a Copa do Mundo que iniciará em apenas 27 dias, no Brasil começou o Brasileirão.

Brasileirão que começa auspicioso. As duas partidas que assisti, Flamengo 1 x 1 São Paulo e Botafogo 3 x 3 Santos foram excelentes. Além disso outros times mostraram boa capacidade de fazerem boas campanhas, como o Atlético Mineiro e o Corinthians. Palmeiras venceu, mas mostrou muitas falhas e certamente lutará pelas posições intermediárias. Ou como disse o comentarista Paulo Vinícius Coelho, o time espera apenas o ano terminar. Isso no início da temporada.

Mais anticlimático, impossível. Enquanto lá a temporada termina no auge apenas aguardando a cereja no bolo futebolístico, lá na África do Sul, aqui o nosso estúpido calendário conseguiu a proeza de quebrar a Copa Libertadores e a Copa do Brasil, que terão a semifinal antes da Copa do Mundo e a final depois. Separadas por incríveis quarenta dias. O pior não é isso. O pior é ver o campeonato brasileiro interrompido após sete rodadas. Depois, quarenta dias para desmontar os elencos, saír às compras atrás dos refugos da Europa, trocar de técnico, treinar (coisa que nossa imbecil pré-temporada de doze dias não permite) e começar tudo do zero.

O compasso de espera é tamanho que os dois últimos campeões brasileiros entraram em campo com times mistos, um dos maiores clássicos do Brasil formado por duas fortes equipes que disputam a Libertadores também teve uma profusão de reservas (Inter x Cruzeiro) e até times que teoricamente jogam para não cair, ou no máximo para ficar em situação intermediária, como o Atlético GO ou o Vitória pouparam jogadores. O Grêmio enfrentou o Atlético GO também com time misto e empatou em zero a zero.

Após um primeiro semestre extremamente congestionado de datas, com estaduais hiperinchados, Copa Libertadores, Copa do Brasil e sete rodadas do brasileirão, haverá uma maratona de jogos após a copa, com dez rodadas em 32 dias, e aí começa a Sul Americana, para prejudicar a temporada de alguns times, que abandonarão a disputa do continental ora porque lutam por vaga no G4, ora porque não querem cair para a segunda divisão.

Calendário racional com uma confederação formada por bandidos e desonestos, com uma televisão que consegue dobrar até a prefeitura e a câmara de vereadores de São Paulo para impor o horário das partidas para que elas não prejudiquem suas novelas, com clubes covardes e subservientes e cartolas vendidos e corruptos, infelizmente nunca veremos.

Se antes eu julgava não necessário a adequação do calendário brasileiro ao europeu, hoje eu penso diferente. Acho necessário essa harmonização por vários motivos. Primeiro, porque permiria que os clubes brasileiros participassem do rico mercado de torneios e amistosos de pré-temporada na Europa, Ásia, América do Norte e África. Este expediente permite que Manchester United, Chelsea, Barcelona e Milan ampliem cada vez mais sua base de torcedores/consumidores e eles faturam cada vez mais alto com venda de produtos. Segundo porque permitiria a harmonização do calendário de clubes com o de seleções. Nós não mais teríamos nossos campeonatos prejudicados por Copa América, Copa das Confederações, Copa do Mundo. Também os melhores clubes não seriam mais penalizados por terem seus jogadores convocados pela seleção, coisa que acontecerá agora, com Flamengo perdendo o Kleberson e o Fierro, o Santos perdendo o Robinho e outros.

Infelizmente, nós torcedores de futebol somos obrigados a termos um produto meia-boca graças à incompetência gerencial, pois potencial há para ser um dos três ou quatro melhores e mais rentáveis futebol do mundo, junto de Inglaterra, Itália, Alemanha e Espanha. Mas os medíocres matam a galinha dos ovos de ouro (sempre) por pura ganância.

P.S. Aqui há uma série de textos escritos sobre o tema do calendário brasileiro de futebol.

P.P.S. Aqui há uma proposta fictícia de calendário, criada por mim em uma tarde. Isso mostra que se gente séria fizesse isso, haveria grande possibilidade de termos um calendário decente. Mas não há gente séria administrando o futebol brasileiro.

Aluguel Futebol Clube

O especialista em calendário esportivo no Brasil Luis Felipe Chateaubriand afirma constantemente que uma temporada de futebol de sucesso deve ser racionalmente construída de maneira que seja otimizada nos seus aspectos técnico, comercial e sistêmico. Um calendário que privilegie o aspecto técnico é aquele que permite que os atletas tenham férias, pré-temporada (uma ilusão no Brasil) e tempo para treinar sem comprometer sua saúde. O calendário comercial ideal é o que garante aos cerca de 700 clubes profissionais jogos oficiais em cerca de dez dos doze meses do ano (os outros dois meses são o de férias e o de pré-temporada). E o aspecto sistêmico é o que é alinhado ao calendário mundial, sem conflito de datas com as datas de seleções e que permita que a competição principal (no caso, o Campeonato Brasileiro em suas séries A, B, C e D) seja disputado preferencialmente aos fins de semana enquanto os dias de semana são reservados às competições continentais (Libertadores e Sulamericana), regionais e à Copa do Brasil.

Não precisa ser lá tão astuto assim para perceber que o calendário brasileiro está longe, bem longe  de ser bom. Quanto mais ideal.

Enquanto um time europeu de um grande centro (Itália, Alemanha, Inglaterra, Espanha) joga cerca de 65 partidas por ano disputando três ou quatro competições (uma ou duas copas, a liga nacional e um torneio continental), um clube brasileiro disputará dez partidas a mais, caso chegue nas fases finais dos torneios. É uma carga bem maior para o atleta, ainda mais em um país ainda não habituado a rotação de elenco como são os europeus. E a coisa é pior, pois em geral há um excesso de jogos no primeiro semestre, com o estadual, a Copa do Brasil ou Libertadores e o início do Brasileiro colidindo e impedindo que um time se dedique integralmente às competições, e uma falta de jogos no segundo semestre. E os times que jogam a Sulamericana geralmente a abandonam, pois em geral disputam posições importantes no Campeonato Brasileiro e não possuem elenco para duas competições simultâneas. Um trabalho de asno, esse calendário da CBF.

Porém, o péssimo calendário gera uma distorção ainda maior. Como o Brasileirão começa a pegar fogo só por volta de junho, muitos empresários colocam seus atletas em times do interior de SP, MG e RJ para disputarem o estadual e depois os colocam em algum outro time para disputar o Brasileiro. Com isso, muitos times do interior não tem mais elenco. Esses times alugam alguns jogadores por alguns meses, depois desmancham o elenco, buscam outros atletas e disputam as séries inferiores (isso se disputarem) do Brasileirão. E o atleta passa a ser uma espécie de “trabalhador por contrato temporário”, jogando neste ou naquele time em época de pico, como os temporários contratados pelas lojas na época do natal.

Como esperar que o torcedor do interior tenha o mínimo de identificação com o clube de sua cidade ou com o atleta que veste a camisa de seu time, sabendo que o cara não irá ficar no time por mais de quatro meses? E que o time, na verdade, não existe, mas é uma espécie de camisa alugada por alguns empresários apenas para manterem sua mercadoria (os jogadores) se movimentando para não perder valor de mercado? Não dá, né.

Não por acaso, times tradicionais do interior do Brasil, como o Botafogo de Ribeirão Preto,  o Noroeste de Bauru, a Ferroviária de Araraquara e centenas de outros começam a perder espaço para times artificiais sustentados por empresários como o Atlético Sorocaba do Reverendo Moon, o Guaratinguetá, o Desportivo Brasil e o Grêmio Itinerante (já foi Barueri, agora é Prudente e o que será, ninguém sabe). São times que não tem e não terão torcida. São apenas criadouros de jogadores para serem negociados.

Enquanto seus donos saem por aí dizendo serem uma evolução esportiva, na verdade são o sintoma do sucateamento promovido pela CBF e pelas federações. Pois diferentemente dos clubes que são empresas na Europa ou mesmo as franquias esportivas nos EUA, esses clubes ganham dinheiro com aquilo que seria uma atividade-meio do futebol, a venda de jogadores , e não com a atividade-fim dos clubes de futebol, que é a disputa esportiva (e o eventual lucro que se obtem de patrocínios, transmissões, vendas de produtos e ingressos).

A CBF, enquanto sucateia o futebol brasileiro, ainda enche seus bolsos (e o do Ricardo Teixeira e de seus comparsas) com ele. Uns vampiros, por assim dizer.

A propósito. O Luis Felipe Chateaubriand já escreveu diversos livros sobre o calendário de futebol, entre eles “Futebol Brasileiro: Uma Proposta de Calendário“. Um livro de fácil leitura, claro e com propostas bastante factíveis. Uma leitura agradabilíssima para qualquer fã de futebol. Embora mesmo em sua simplicidade, os asnos que dirigem a CBF não foram capazes de absorver.

P.S. Aqui, mais uma série de postagens sobre o calendário (ou a falta de) do futebol brasileiro.

Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo

Com mais um campeonato brasileiro às vésperas do término, campeonato emocionante, equilibrado e totalmente imprevisível, quase que desapareceram os rumores levantados pela Rede Globo (que deveria ser cliente, não gestora do futebol brasileiro – mas isso é outra história) sobre a volta dos campeonatos disputados na fórmula do mata-mata.

Não há como defender o mata-mata utilizando o  argumento da “emoção”, pois tanto esse campeonato quanto o anterior empurraram até a reta final todas as definições, mantendo a torcida, a imprensa e os que acompanham a disputa em suspense. Também não há como dizer que o campeonato em pontos corridos não seja interessante para a torcida, com publicos crescentes e audiências (baixas em média durante todo o ano) também em ascensão.

Apenas para exemplificar, a média de público atual está na faixa de 18.196 pagantes (até a 36ª rodada), enquanto em 2008 foi de 16.992, em  2007 foi 17.461 e em 2006 foi de 12.401 (fonte:  site da CBF). Segundo matéria do Globo Esporte, campeonato atual tem a melhor média dos últimos 22 anos (aqui). E a tendência de crescimento foi comprovada pelo Emerson Gonçalves, do blog Olhar Crônico Esportivo, ao analisar uma pesquisa feita entre os torcedores do estado de São Paulo, que se mostraram favoráveis à atual fórmula:

“A pergunta seguinte já entrou no gosto do torcedor pelo sistema empregado: Qual sistema de disputas prefere? Pontos corridos ou mata-mata?

Entre os que acompanham o campeonato, 64% declararam-se a favor dos pontos corridos, enquanto 26% optaram pelo sistema mata-mata, 3% declararam-se indiferentes e 7% não responderam.

Na divisão por sexo, 70% dos homens optaram pelos pontos corridos, contra 55% das mulheres.

Por faixa etária, 69% da rapaziada dos 16 aos 24 optou por esse formato, contra 61% do pessoal dos 25 aos 44 e 66% de quem tem acima de 45 anos de idade.

Considerando escolaridade, pontos corridos foi a escolha de 52% de quem cursou até a 4ª série, 62% de quem ficou entre a 5ª e 8ª séries do ensino básico, 69% de quem tem o ensino médio e 64% de quem tem curso superior.

Por faixas de renda os resultados foram também favoráveis a esse formato: 58% entre os que ganham até 2 salários-mínimos por mês, 61% entre os que ganham de 2 a 5 SM, 68% entre o pessoal de 5 a 10 SM e nada menos que 87% de preferência entre a turma de 10 ou mais salários-mínimos mensais.

Nessa altura da entrevista, o pesquisador colocou as seguintes frases:

– O campeonato de pontos corridos é melhor pois premia os times mais regulares e que investem melhor e também mantém a emoção até o final da disputa.

– O mata-mata é melhor pois permite que um time se destaque no final do campeonato e seja campeão, mesmo que não tenha tido uma campanha melhor que os outros.

Entre os que acompanham o Campeonato Brasileiro, 69% concordaram com a primeira frase e 26% com a segunda.” Texto completo, aqui.

Por um lado, a consolidação de uma fórmula, que é positiva pois premia por mérito não por sorte e permite que o clube continue auferindo renda até o final da temporada, traz mais credibilidade para o torneio junto à opinião pública. Por outro, não dá para se contentar com estes avanços, que sim, são importantes, mas insuficientes para garantir ao futebol brasileiro a modernidade necessária.

Ainda há a necessidade de um calendário racional, que segundo o Luis Filipe Chateaubriand é o calendário que atenda princípios orgânicos (integração com o calendário do futebol mundial), esportivo (mantém a competitividade e a atividade dos atletas de maneira equilibrada) e financeiro (permite que os clubes maximizem as receitas com o futebol).

E, para mim, um calendário racional passa pela adoção do ano europeu e uma completa reformulação das competições atuais, possibilitando aos clubes que disputam a Libertadores disputerem também a Copa do Brasil, racionalizando e integrando os campeonatos regionais no calendário, permitindo que os clubes brasileiros participem do extremamente lucrativo mercado de torneios e amistosos de pré-temporada (como já falara sobre isso aqui)  e minimizando os problemas de evasão de jogadores no meio do campeonato (falei sobre isso aqui). Até eu, a exemplo da Revista Trivela e da Revista Four Four Two elaborei uma proposta de calendário que permite essa racionalização (aqui).

Esta racionalização do calendário acabaria com a falsa oposição de pontos corridos x mata-mata, pois permitiria a realização de campeonatos nos dois sistemas (sendo a verdadeira questão termos campeonatos em pontos corridos E em mata-mata), com o Campeonato Brasileiro em pontos corridos, mas com Copa do Brasil, Libertadores, Copa Sulameircana e Campeonatos Estaduais disputados no sistema de play-offs, com suas finais realizadas no final da temporada, aumentando o clímax futebolístico do ano.

Resta vontade política, ação dos clubes (os verdadeiros donos do negócio) e o mínimo de seriedade para tirarmos o futebol brasileiro da era mezozóica e encararmo-lo como um negócio e um setor da economia, não como o quintal da casa de dirigentes corruptos.

P.S. O já mencionado Luis Filipe Chateaubriand escreveu um artigo na Universidade do Futebol comentando os “sofismas” utilizados pelos defensores do mata-mata.

Mudança de calendário do futebol brasileiro – uma entrevista

Já publiquei neste blog diversos textos sobre o calendário brasileiro, inclusive com links para diversos outros sites e blogs, além de artigos de autoria de Luis Felipe Chateaubriand, recebidos através de e-mail.

Pois bem, o Luis Felipe escreveu um livro (estou quase no final) sobre o tema e foi entrevistado pelo Juca Kfouri e pelo Wanderlei Nogueira.

Agora sua entrevista à rádio Jovem Pan foi disponibilizada em vídeo.

Aproveitem:

http://mais.uol.com.br/view/314008Outras

Outros artigos do Luis Felipe sobre calendário:

Construindo um calendário racional para o futebol brasileiro

Adaptando o calendário do futebol brasileiro ao calendário mundial 

Ainda a adaptação do calendário brasileiro de futebol ao calendário mundial… 

Outros argumentos para a adaptação do calendário brasileiro ao calendário do futebol mundial 
 

Outras postagens sobre o assunto:

https://sinosdobram.wordpress.com/2009/08/13/ainda-o-calendario-do-futebol/

https://sinosdobram.wordpress.com/2009/08/06/drops-calendario-do-futebol-brasileiro/

https://sinosdobram.wordpress.com/2009/07/25/revoada-e-descompaso/

https://sinosdobram.wordpress.com/2009/07/20/futebol-globalizado-aqui-nao/

Ainda o calendário do futebol

O tema do calendário está (ainda bem) na boca do povo. As revistas FourFourTwo e Trivela trataram desse assunto recentemente, uma nas páginas de sua revista e a outra no seu blog, reeditando uma matéria de um ano e meio atrás. O Juca Kfouri, o Emerson Gonçalves, o Fabio Kadow e outros jornalistas esportivos trataram do assunto recentemente.

Mais dois drops sobre o assunto. Um é outro artigo escrito pelo Luis Felipe Chateaubriand, publicado na Universidade do Futebol e no Blog do Juca.

Eis o artigo:

Adaptando o calendário do futebol brasileiro ao calendário mundial

Por LUIS FILIPE CHATEAUBRIAND*

A ideia de se adaptar o calendário do futebol brasileiro ao calendário europeu – que, pouco a pouco, vai-se tornando mundial – suscita polêmicas as mais diversas.

Há os defensores e os detratores dessa possibilidade. 

O presente documento visa mostrar por que adaptar nosso calendário ao que acontece na maioria dos países é algo vantajoso para os clubes do futebol brasileiro.

É comum que os defensores da adequação do calendário daqui ao da Europa sejam chamados de “colonizados”.

A dita adaptação seria uma imitação do que acontece em outro continente e, se a procedêssemos, estaríamos agindo como meros agentes reprodutores do que se faz lá fora.

 

Contudo, existem três argumentos a se opor a essa crítica.”

Continua aqui.

O outro é que o mesmo Juca Kfouri irá entrevistar o Chateaubriand em seu programa Juca Entrevista. Vejam os horários de transmissão:

Sábado, 15/08, às 21 horas.

Reprises:

Domingo, 16/08, às 00:00 horas.
Domingo, 16/08, às 11:30 horas.
Segunda, 17/08, às 13:00 horas.
Quarta, 19/08, às 11:00 horas.

Outros posts sobre calendário brasileiro neste blog:

https://sinosdobram.wordpress.com/2009/08/06/drops-calendario-do-futebol-brasileiro/

https://sinosdobram.wordpress.com/2009/07/25/revoada-e-descompaso/

https://sinosdobram.wordpress.com/2009/07/20/futebol-globalizado-aqui-nao/

Drops – calendário do futebol brasileiro

Coincidentemente (ou não) saíram hoje dois posts em blogs de futebol falando sobre nosso calendário. Claro, houve também a entrevista desastrada do caudilho do futebol brasileiro, o sanguessuga-mor, Ricardo Teixeira.

Ei-los:

“Do sítio ‘Universidade do Futebol’

Construindo um calendário racional para o futebol brasileiro
Três premissas, atuando em sinergia, podem conferir à temporada brasileira bons frutos à competição e à saúde dos clubes
Por Luis Filipe Chateaubriand*

Não chega a ser novidade que o calendário do futebol brasileiro é dotado de imperfeições diversas, sendo um inibidor das possibilidades que os clubes de futebol possam ter para maximizar a satisfação de seus clientes, os torcedores, e obter resultados financeiros em decorrência disso.

É, portanto, imperativo que sejam feitas mudanças estruturais no calendário de nosso futebol. Este documento visa propor algo nesse sentido.

Para que o calendário do futebol brasileiro possa ser mais eficaz do que acontece atualmente, há que se ir além de apenas adotar a fórmula de turno e returno e pontos corridos para o Campeonato Brasileiro – medida acertada, porém insuficiente, para se ter um bom calendário.

Com efeito, três premissas são importantes para que se tenha um bom calendário no futebol brasileiro, a saber: continua aqui.”

E

“Eppur si muove

“Mas ela se move”…

Atribui-se essa frase a Galileu Galilei, que a teria pronunciado logo depois de rejeitar sua tese de que a Terra girava em torno do Sol, num tribunal da Santa Inquisição.


Tal como a Terra, a ideia de mudar o calendário brasileiro também se move, vem se movendo há anos, apesar do descrédito, descaso e oposição de muitos. Dizia-se até não muito tempo atrás, que no Brasil duas pessoas eram realmente importantes: o presidente da república e o ministro da fazenda (a bem da verdade, sabíamos todos que, se fosse para resolver alguma coisa de fato, o certo mesmo era o ministro). Hoje, apesar das mudanças muitas que o Brasil viveu, o presidente ainda é o presidente e o que ele fala costuma repercutir, para o bem ou para o mal. No caso presente, para o bem.


Ontem, Ricardo Teixeira não só admitiu como de certa forma até mesmo defendeu a mudança do calendário do nosso futebol, numa bela, digamos, reviravolta. Ao invés de repetir o que ele falou, como estamos na internet, clique aqui e leia a matéria no portal GloboEsporte. Continua aqui (a matéria sobre calendário).”

P.S. O blog Além das Quatro Linhas do nosso amigo Michel Costa publicou um artigo sobre o assunto e uma proposta de calendário (aqui). A revista FourFourTwo (edição brasileira) também fez uma reportagem sobre o calendário e também fez sua proposta (aqui). A revista Trivela também publicou matéria semelhante. Em fevereiro do ano passado. Caso eu tenha acesso à matéria, coloco um link aqui.

P.P.S. Nosso grande amigo Ubiratan Leal (também conhecido como Ubirabanks por sua habilidade sob as traves) disponibilizou a reportagem da revista Trivela (aqui). E também colocou um post no blog da Trivela para repercutir o assunto.

Revoada e descompasso

Em meu post anterior sobre futebol, chamado “Futebol globalizado? Aqui não“, eu comentei, com a ajuda de outros blogs, sobre o dano que o calendário brasileiro mal feito e descompassado traz aos próprios clubes pelo fato de impedi-los de disputarem os amistosos e torneios de pré-temporada que acontecem na Europa, América do Norte, Ásia, África e Austrália. Esse dano é financeiro e mercadológico.

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Agora vamos falar do dano esportivo que esse descompasso traz ao nosso campeonato. O já citado nesse blog Emerson Gonçalves faz uma interessante análise da tabela do campeonato brasileiro (aqui) e conclui que existem quatro períodos distintos no campeonato brasileiro: “1º turno: 9 de maio a 8 de julho  – Fase “das Copas-”; “2º turno: 1º de julho a 31 de agosto – Fase “Janela de Verão”; “3º turno: 11 de julho a 23 de agosto – Fase “Jogos Sem Descanso”; “4º turno: 29 de agosto a 6 de dezembro – Fase “Reta Final”.

Pois bem. O calendário trôpego prejudica no início do campeonato justamente os times mais qualificados, pois junta reta final de Copa Libertadores e Copa do Brasil com o início do Brasileirão. Depois, com a janela de verão européia, há a saída de jogadores de inúmeros times, ao mesmo tempo em que ocorre a intensificação das partidas, com rodadas duas vezes por semana

Ou seja: bem no momento quando os times terão seus elencos mais exigidos, com maior incidência de contusões, suspensões e maior cansaço, os clubes tem seus elencos reduzidos com as vendas para o exterior. Claro que alguns clubes aproveitam essa janela para poderem reforçar seus elencos. Mas em geral a “balança comercial da bola” é superavitária para o mercado brasileiro. Resumidamente, exportamos mais que importamos.

Os grandes times já começam a se movimentar: O Atlético MG repatriou Rentería. o Flamengo o David (zagueiro ex-Palmeiras), o Cruzeiro o Gilberto (Tottenham) e o Corinthians o Edu. Mas as saídas de André Santos e Cristian tiram bastante força do Corinthians (que ainda pode perder o Douglas e o Felipe – quatro titulares em um mês) e o Inter perde grande parte de seu já combalido ataque com a saída do Nilmar. O Cruzeiro contratou o Guerrón, mas perdeu Ramires. Enquanto isso o Flamengo perde para o futebol russo seu principal articulador, Ibson.

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Após o período de janela de transferências, os times voltam a ter um calendário menos apertado, quando o campeonato entra em seu terço final, coincidindo também com o início da Copa Sulamericana. E muitos times que disputam a Copa estão lutando ou contra o rebaixamento, ou por uma classificação na Libertadores, consequentemente entrando na competição internacional com times reservas e sem prioridade.

E mais uma vez times brasileiros perdem a chance de se internacionalizarem, de lutar por um título, de aumentarem seu faturamento graças a um calendário esdrúxulo e mal-formatado.

Porém não há a menor previsão de que a Copa do Brasil, Copa Libertadores e Copa Sulamericana venham a ser disputadas simultaneamente em um prazo mais estendido. Para os clubes brasileiros seria altamente positivo, pois os clubes que disputam  a Libertadores poderiam disputar a Copa do Brasil também e os clubes que disputam a Sulamericana poderiam dar maior prioridade a ela. Mas a AFA e a Fox Sport se oporiam, pois o atual calendário permite que Boca Junior e River Plate possam disputar dois campeonatos internacionais por ano (aliás, justamente a interferência da Fox Sport e do Banco Santander fizeram que os times mexicanos “voltassem atrás” em sua decisão de abandonarem os torneios da Conmebol). E o futebol brasileiro vai se mediocrizando, perdendo jogadores por preços irrisórios (leia aqui um outro artigo do Emerson Gonçalves falando sobre o valor dos jogadores brasileiros no mercado europeu).

A movimentação do mercado aparentemente beneficia Palmeiras e Atlético MG, enquanto enfraquece Flamengo, Corinthians e Inter. O Palmeiras receberá o lateral Figueroa e promete trazer mais um atacante, isso sem perder Pierre e Diego Souza, sua espinha dorsal. O Atlético reforça seu ataque o que poderá dar-lhe um pouco mais de força, pois seu elenco é acanhado. O Inter já começa a ter seu desempenho prejudicado e o Corinthians, embora já tenha garantido seus títulos  e a vaga na Libertadores, deve ter menos profundidade no elenco para chegar junto no campeonato (embora eu não seja louco de desconsiderar Ronaldo).

Como exigir dos técnicos um planejamento de partidas, de elenco, que possa fazer com que seu time dispute com chances reais todos os torneios e campeonatos utilizando ao máximo seu elenco? Apenas para exemplificar: na temporada 2008/2009 o Manchester United disputou 64 partidas, conquistando 3 títulos (Mundial, Inglês e a Carling Cup) e perdendo dois (a final da UCL e a FA Cup na semi-final). O Cruzeiro disputará em 2009 69 partidas, mas teria disputado apenas três torneios: mineiro, Libertadores e brasileiro. Se o São Paulo ou Palmeiras tivessem chegado à final da Libertadores, disputariam 75 partidas no ano pelos mesmos três campeonatos. Isso mostra como os clubes brasileiros disputam mais partidas e menos torneios, ainda sem a oportunidade de terem uma pré-temporada rentável financeiramente e positiva esportivamente.

Enfim. Mais um post para falar de bastidores de futebol, não de bola rolando. Mas os jogos do brasileirão não me animaram nesta semana e na Europa os amistosos não significam grande coisa para prever a temporada.

P.S. O jornalista Erich Beting, do blog Negócios do Esporte e do site e revista Máquina do Esporte escreveu um post que fala sobre os prejuízos financeiros causados pelo descompasso entre os calendários brasileiro e europeu. O texto se chama “O calendário invertido e a receita perdida no futebol” e pode ser lido aqui.

P.P.S. No blog do Juca Kfouri tomei ciência da existência do seguinte livro: Futebol Brasileiro: Um Projeto de Calendário. O livro “tem como objetivo mostrar que o calendário do futebol brasileiro – principal problema de nosso futebol – continua sendo extremamente irracional, apesar das melhorias pontuias que aconteceram nos últimos anos. O autor acredita que a melhoria do calendário de nosso futebol é condição imprescindível para a melhoria da gestão dos clubes e, por decorrência, da gestão do próprio futebol brasileiro e, neste sentido, propõe uma metodologia de organização do calendário considerada eficaz.” Ver mais aqui.