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66

Outro folhetim do Laerte.

O primeiro, Muchacha, tratava da década de 50. Este, da década de 60. A diferença é que eu postei Muchacha com ele já acabado.  66 está só no começo. E pode ser que demore pra engrenar. Mas, como sempre, vale a pena seguir.

Clique na imagem para ser redirecionado para o folhetim.

P.S. Há outros assuntos no prelo, mas a falta de tempo atrasou um pouco os textos.

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Humor negro, humor canino

“Estamos aqui reunidos para a despedida do melhor assistente que um mágico poderia desejar”. Da revista New Yorker, copiado do blog do Maurício Stycer.

Estes, no blog do Laerte.

Muchacha

De Los Tres Amigos (em voga principalmente após a morte de Glauco), o que sempre foi mais bem dotado tecnicamente era o Laerte. Não era tão escrachado quanto Glauco. Nem tão incisivo quanto Angeli. Mas construia personagens profundos, desenhava com perfeição e calcava muitas vezes sua obra em sutilezas pouco exploradas por seus colegas de geração.

E assim como seus colegas, Laerte envelheceu. Cansou de escrever sobre personagens e entrou numa fase mais “filosófica”.

Nessa nova fase, escreveu uma “graphic novel” em folhetim internético. A Muchacha. É uma história passada nos anos 50, época de TV feita ao vivo, de cantoras do rádio e marcathismo (mesmo no Brasil getulista). Deve sair em livro, em versão revista, expandida, corrigida e adaptada. Mas, que tal curtir a obra direto da fonte?

Cliquem na imagem e acompanhem. Mas, lembrem-se. É um blog. Que, como um mangá, deve ser lido de trás pra frente 🙂

Glauco morreu

“O cartunista Glauco Villas Boas, 53, foi morto nesta madrugada em sua casa, em Osasco, após uma tentativa de assalto ou sequestro –a polícia ainda investiga. Raoni, 25, um dos filhos do cartunista, também morreu durante uma discussão com dois homens armados que invadiram a casa.”

Continua aqui.

Pra quem foi adolescente na década de 80 e foi educado com Chiclete com Banana (não a horrenda banda de axé, mas a cultuada revista underground de quadrinhos, plataforma de gente como Angeli, Glauco, Laerte, Luis Gê e toda uma geração de desenhistas e quadrinhistas brasileiros) sabe o tamanho da tragédia. Sem mais palavras.

Geraldão

Dona Marta

Casal Neuras

Doy Jorge

Gemma Bovery

Em 1991 “Sandman“, uma história em quadrinhos escrita por Neil Gaiman, ganhou o prêmio “World Fantasy Award” como melhor conto. Em 1992 a graphic novel “Maus“, escrita por Art Spielgelman, venceu o Pulitzer. A revista Time escolheu “Watchmen“, graphic novel em série escrita por Alan Moore (mesmo autor de “V de Vingança“) como um dos cem melhores romances do século XX. Em 2006 “American Born Chinese” foi indicado ao prêmio “National Book Award” de melhor romance. A questão se as histórias em quadrinhos são arte ou literatura levou Tony Long, editor da revista Wired, a escrever o artigo “The Era of Mediocrity” (A era da mediocridade), onde o autor dizia que embora algumas graphic novels fossem boas, jamais deveriam ser consideradas romances ou contos de verdade. As respostas foram inúmeras, criticando-o inclusive por ser um “obcecado pela forma (do romance tradicional)”. E de acordo com Mark Sigel, editor da empresa que lançou “American Born Chinese”, passara da hora de esquecer-se dos aspectos “formais” das graphic novels para concentrar-se nos aspectos “de conteúdo”, como narrativa, personagens, enredo, ponto de vista, etc.

Desta forma eu iniciei um “paper” que escrevi a vários anos para obter os créditos na disciplina de Estudos Culturais, onde eu comparei Madame Bovary, romance fundamental de Gustave Flaubert e Gemma Bovery, graphic novel inspirada no romance de Flaubert, escrito por Posy Simmonds.

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Claro que meu objetivo não será fazer uma crítica literária, muito menos de literatura comparada num blog metido a pedante. Mas sim comentar e recomendar essa obra aos que se dispuserem a fugir da mediocridade em matéria de histórias em quadrinhos.

Primeiramente chama a atenção a forma da história. A Posy Simmonds mescla de maneira muito interessante a prosa com os quadrinhos, compondo uma forma “híbrida” de difícil classificação.

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E se a obra original de Flaubert destilava sua acidez contra a burguesia provinciana francesa, contra o clero, contra o casamento, narrando com realismo até então inaudito tabus como o adultério, Posy Simmonds de maneira semelhante transpõe essa acidez contra os yuppies e a juventude urbana de classe média londrinos.

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Ainda não tive a oportunidade de ler “Tamara Drewe“, obra subsequente da autora onde ela dialoga com outro clássico do romance do século XIX: “Far from the Madding Crowd“, de Thomas Hardy, que como Gemma Bovery foi inicialmente publicado como folhetim, encartado na edição impressa do jornal inglês “The Guardian“. Outra referência aos romances do século XIX ao reproduzir a forma como muitas obras chegaram aos públicos: em fascículos.

P.S. No mesmo dia da publicação do meu post, mas um pouquinho mais tarde (o meu entrou às 8:00 hs e este entrou às 18:11 hs) o Paulo Ramos, do Blog dos Quadrinhos publicou um post sobre outras obras que misturam prosa e quadrinhos (aqui).