E não é que era o técnico…

A novela que envolveu a tentativa de contratação do Muricy Ramalho pelo Palmeiras se arrastou como um dramalhão mexicano. E como um dramalhão mexicano, teve final patético. E, claro, repercutiu na mídia por essas duas longas e arrastadas semanas. E suscitou interpretações diferentes em diferentes profissionais do jornalismo esportivo. O Paulinho, em seu impagável blog, elogiou a postura do dirigente palmeirense (aqui). Segundo ele, foi uma negociação absolutamente transparente e honesta, que chegou a um final não satisfatório por diferenças de propostas. O Caio Maia, da revista Trivela, por outro lado, considerou trapalhona e equivocada a tentativa de contratação (aqui). Segundo ele a declaração da diretoria do Palmeiras demonstrando interesse no Muricy foi equivocada, e a esperança de que o clube o conseguisse contratar por um valor menor que o pago pelo Luxemburgo, ilusória. Afinal, Luxemburgo não ganha nada desde 2004 enquanto o Muricy é o atual tri-campeão brasileiro.

Isto posto, vamos ao que interessa que é o futebol dentro de campo. Primeiro, totalmente atrapalhada a decisão de termos rodada de campeonato no mesmo dia de uma final de Libertadores. Passassem todos os jogos para quinta-feira, oras! E minha tentativa de assistir às duas partidas (Flamengo x Palmeiras e Cruzeiro x Estudiantes) estava revelando que eu na verdade não conseguia assistir a nenhuma. Tive de optar, e optei pelo meu… fiquei com o jogo do Maracanã.

Após 20 minutos assistindo a partida, algumas questões começaram a surgir: como que essa defesa, tão inconstante e falha anteriormente, consegue se mostrar segura contra o Flamengo no Maracanã? Afinal, são os mesmos jogadores. Como um time que antes variava de formações e escalações, sem nunca demonstrar firmeza em nenhuma, consegue jogar de maneira convincente e sólida em quatro partidas consecutivas?

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A resposta é uma só. Técnico. E não dá para ser explicada apenas com base na natural empolgação do elenco com a troca de comando. Primeiro, porque os resultados foram conseguidos não na base da raça, mas na base da organização da equipe.

Como jogaria sem Obina e Williams, Ortigoza entrou como centro-avante e Diego Souza entraria como segundo atacante. Isso de acordo com a mídia esportiva. Sim, porque nenhum jornalista esportivo da grande mídia sabe fugir do 4-4-2, mesmo que o jogo mostre outra coisa. Diego Souza voltava até quase a linha do meio-campo, puxando seu marcador e abrindo espaços para as penetrações alternadas de Deyvid Sacconi e Cleiton Xavier. Na verdade o Palmeiras se organizou como um 4-2-3-1, com Diego Souza aberto pela esquerda, mas sempre voltando ao meio-campo para recompor a marcação e buscar o jogo, Deyvid Sacconi aberto pela direita e Cleiton Xavier articulando pelo meio, com Ortigoza de atacante único. Ortigoza demonstrou ter presença física suficiente para encarar tal função, embora nunca tenha ficado isolado na partida, já que quando a bola estava com um dos meias-externos, o outro encostava no atacante, dando-lhe sempre uma opção.

Aliás, Ortigoza, Diego Souza e Cleiton Xavier foram os principais responsáveis pelo sufoco que o Palmeiras impôs ao Flamengo. Eles marcavam a saída de bola não dando espaço algum para que o time carioca pudesse organizar suas descidas ao ataque, geralmente abortando as tentativas na intermediária. Tanto que em duas pressões na intermediária surgiram os gols palestrinos, um em uma roubada de Ortigoza, e o outro numa roubada do soberano Pierre, abrindo para Sacconi penetrar na área pela direita e dar a assistência ao paraguaio.

E finalmente, a defesa do Palmeiras teve uma atuação impecável. Nenhum atacante do Flamengo recebia bolas em condições de levar perigo a Marcos. A sobra e a cobertura funcionou quase à perfeição. Adriano foi uma figura patética e apagada em campo.

No segundo tempo os três jogadores alvi-verdes que não eram titulares, cansaram. Primeiro sai o Edmilson (de atuação segura) e entra Sandro Silva, não havendo nenhuma alteração na forma do Palmeiras jogar. Para a saída do Deyvid Sacconi entra Capixaba, com Wendel passando a compor um trio de volantes e Diego Souza passa a se alternar pelas duas alas, continuando a levar perigo ao Flamengo. E com Ortigoza saindo, entra Marcão, para garantir o resultado. O gol do Flamengo motivou o time a procurar o gol, forçando o Marcos a efetuar duas boas defesas. Porém o Bruno também deu sua contribuição, no primeiro tempo ao evitar o gol em um chute forte de Cleiton Xavier e no segundo ao defender uma bola de Ortigoza.

A organização defensiva, o posicionamento dos três meias ofensivos, a variação de jogadas e esquemas no decorrer da partida, a opção de sufocar o adversário em seu campo de defesa. Nenhum desses fatores pode ser atribuído a ninguem senão ao técnico. E certamente não a um técnico motivador, mas a um técnico que entende de tática e sabe organizar seu time em campo. Jorginho 1 x 0 Luxemburgo. Uma outra análise do técnico Jorginho e de sua possível efetivação no site Terceira Via Verdão.

Enquanto isso:

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O Cruzeiro sai na frente. Vi o gol. Logo depois, o empate. Por fim o Mineirazzo. E eu perdi essa partida histórica… I hate Rede Globo…

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3 Respostas para “E não é que era o técnico…

  1. No Terra Magazine tem uma postagem muito interessante sobre os métodos de Jorginho:

    http://borgesluciano.blog.terra.com.br/2009/07/17/interino-do-palmeiras-mistura-papo-com-bola-em-treino-populista/

    Tenho que admitir que, como palmeirense, fiquei empolgado com o cara. Não só entende de tática como de técnica. (E o Luxa dispensando e subaproveitando as promessas do time B! Tsc, tsc, tsc…)

    Enfim, o melhor a ser feito é, definitivamente, deixar o cara e economizar uma graninha e já ir contratando peças para substituir as perdas para a Europa.

    Assisti a final da Liber, cara, como o Kléber joga, putaquepariu. (Aliás, que timeco aquele cruzeiro; todos achando que ‘o gol ia sair’ porque tinha que sair, já que eles eram os campeões, ‘certo?’ [voz do Gérson]. Baita soberba e salto alto, perderam merecidamente. E que papelão da torcida…)

  2. Fabio Martelozzo Mendes

    Marcos. Também estou achando que o Jorginho pode ser o cara. A possível chegada do Evair serviria para blindar o cara, pois a torcida (estou falando de torcida, não de amendoins, corneteiros e conselheiros da oposição) seria mais paciente em vaiar um ídolo (Evair) e um jogador que vestiu com muita honra o manto sagrado (Jorginho).

    A mudança de postura tática foi flagrante. De um time frágil na defesa e sem definição de esquema para um time que joga com personalidade e com firmeza.

    Estou esperançoso, embora com os pés no chão. Obrigado pela visita e abraços.

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