Thank God it’s Friday – Biertruppe Vintage nº 1

A última cerveja que eu mostrei aqui, a Tcheca, é uma cria da Biertruppe, cuja história já foi contada, portanto não irei repetí-la.

Mas repetirei a dose do fabricante. Hoje falo da Biertruppe Vintage nº 1. O conceito de cerveja “vintage” é aquela cerveja que passa por um processo de envelhecimento, que lhe acrescenta características e aprofunda a complexidade de sabores e aromas na cerveja. Muitas vezes são cervejas safradas (como vinhos) e em alguns casos as garrafas são numeradas. Uma excelente vintage (uma Old Ale, pois vintage não é estilo) é a Strong Suffolk.

A Biertruppe Vintage nº 1 tem uma história longa. A cerveja, depois de brassada foi armazenada em barris de carvalho por 100 dias (diferente da fraude Bohemia Oaken, que conta com “chips” de carvalho, pedacinhos de madeira colocadas no líquido para passar algumas características amadeiradas para o produto final) e depois foi engarrafada. Teoricamente, estaria pronta para a venda no final de 2009. Mas a burocracia (ou burrocracia) impediu a aprovação do rótulo da cerveja nos órgãos federais. Eles encrencaram com o termo “vintage” (o que atrasou também o lançamento da Colorado Vintage, que foi rebatizada para poder receber a liberação), pois segundo os “especialistas”, não seria um termo aplicável à cerveja (certamente eles não conhecem cerveja e nem a Strong Suffolk Vintage Ale, a Fuller’s Vintage Ale e dezenas de outras cervejas “vintage”).

Pois bem. No final das contas, não houve liberação. A cerveja passou a ser degustada apenas por poucos afortunados. Sorte minha que fui um deles.

Lembro que a alguns meses o Edu Passarelli disse no Twitter que a Biertruppe Vintage é a melhor cerveja já produzida no Brasil. Pois é. Parece coisa de quem quer puxar a brasa para a sua sardinha. Mas não.

A cerveja é realmente única. Especial. É uma Barley Wine de 9% de teor alcoólico que por ter passado 100 dias em barril de carvalho assumiu características muitíssimo particulares. A cerveja foi feita com cepas de fermento e lúpulo ingleses e tem um paladar bastante refinado. Pouca carbonatação e uma espuma média, bege. O aroma é intenso e muito complexo. Eu percebi a madeira, frutas (frutas secas), adocicado (baunilha?) e um pouco de álcool. Como os barris que receberam a nº 1 antes haviam acondicionado vinho e brandy, algumas características dessas bebidas passaram pra cerveja. O sabor acompanha a cerveja, com frutado, sabor de álcool (calor) moderado e muito integrado no conjunto. O corpo é denso. O líquido parece ser mais “grosso” que as cervejas normais. Não é para ser bebido aos golões. Mas para ser sorvida, degustada com atenção, respeito e reverência.

Pois, afinal de contas, realmente se trata da melhor cerveja já produzida no Brasil. Pena que, a exemplo das outras criações da Biertruppe, uma vez que acabar, não será produzida de novo. Deixará saudades.

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