Um poema às quartas

Fellow Citizens

I drank musty ale at the Illinois Athletic Club with
the millionaire manufacturer of Green River butter
one night
And his face had the shining light of an old-time Quaker,
he spoke of a beautiful daughter, and I knew he had
a peace and a happiness up his sleeve somewhere.
Then I heard Jim Kirch make a speech to the Advertising
Association on the trade resources of South America.
And the way he lighted a three-for-a-nickel stogie and
cocked it at an angle regardless of the manners of
our best people,
I knew he had a clutch on a real happiness even though
some of the reporters on his newspaper say he is
the living double of Jack London’s Sea Wolf.
In the mayor’s office the mayor himself told me he was
happy though it is a hard job to satisfy all the office-
seekers and eat all the dinners he is asked to eat.
Down in Gilpin Place, near Hull House, was a man with
his jaw wrapped for a bad toothache,
And he had it all over the butter millionaire, Jim Kirch
and the mayor when it came to happiness.
He is a maker of accordions and guitars and not only
makes them from start to finish, but plays them
after he makes them.
And he had a guitar of mahogany with a walnut bottom
he offered for seven dollars and a half if I wanted it,
And another just like it, only smaller, for six dollars,
though he never mentioned the price till I asked him,
And he stated the price in a sorry way, as though the
music and the make of an instrument count for a
million times more than the price in money.
I thought he had a real soul and knew a lot about God.
There was light in his eyes of one who has conquered
sorrow in so far as sorrow is conquerable or worth
conquering.
Anyway he is the only Chicago citizen I was jealous of
that day.
He played a dance they play in some parts of Italy
when the harvest of grapes is over and the wine
presses are ready for work.

AMIGOS CITADINOS

Uma noite, no Clube Atlético Illinois, bebi cerveja
velha com o milionário que fabrica a manteiga Green River.
E a cara resplandecia-lhe como a de um antigo Quaker
enquanto falava da sua belíssima filha, e eu sabia
que ele trazia na manga a paz e a felicidade.
Depois ouvi Jim Kirch discursar na Associação de
Publicidade sobre os recursos comerciais da América do Sul.
E pela maneira como acendia um charuto dos baratos
e o deixava pendurado de um dos cantos da
boca, sem se ralar com os modos da gente bem,
percebi que soubera deitar a unha à verdadeira felicidade,
apesar de um ou outro jornalista lhe chamar
o retrato vivo do Lobo do Mar de Jack London.
Até o administrador do concelho, no seu gabinete, me
disse que era feliz, embora experimentasse algumas
dificuldades para contentar todos os
caçadores de empregados e para participar em todos
os banquetes que lhe eram oferecidos.
Lá em baixo, em Gilpin Place, perto de Hull House,
encontrava-se um homem com os queixos atados,
torturado pela dor de dentes,
e no entanto, no que respeita a felicidade, batia de
longe o milionário da manteiga, Jim Kirch e o
administrador do concelho.
É fabricante de concertinas e de guitarras: não só as
fabrica com as próprias mãos do princípio ao
fim, como também as toca depois de as ter acabado.
Tinha uma guitarra de mogno com o fundo de nogueira;
deixava-ma por sete dólares e meio se a quisesse;
e tinha outra parecida, mais pequena, por seis dólares,
mas só me disse o preço quando lho perguntei,
e disse-o com certo embaraço, como se o fabrico de
um instrumento e a música valessem um milhão
de vezes o preço em dinheiro.
Pensei que ele tinha uma alma das verdadeiras e
compreendi algo mais sobre Deus.
Havia nos seus olhos a luz de quem conquistara a
dor até aquele ponto em que a dor é conquistável
ou digna de o ser.
Foi o único cidadão de Chicago que invejei naquele dia.
Tocou uma dança que se costuma ouvir algures em Itália,
quando, terminada a vindima, se vai pisar os cachos.

(traduzido por Alexandre O´Neill)
in Antologia poética, Tempo de poesia

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