Jornalismo, digo, panfletismo semanal

Jornalismo imparcial é isso aí.

Pois bem… advinhem qual dos governadores, o de São Paulo ou o do Rio que é da coligação PSDB/PFL-DEM e qual apóia o presidente Lula? Fácil, né?

Mas não é só.

Na semana passada o jornal Folha de São Paulo publicou a seguinte manchete: Dilma – “Eu não fugi da luta e não deixei o Brasil”. Induzindo a crerem que a ministra criticara os exilados políticos, dentre eles diversos membros do PT e, coincidentemente, o candidato José Serra. Mas a declaração da ministra não havia sido aquela. Havia sido o seguinte: “Eu nunca fugi da luta ou me submeti. E, sobretudo, nunca abandonei o barco”.

Há uma grande diferença, não? Sim, há. E a FSP ‘reconheceu’ seu ‘erro’ e noticiou na seção “erramos” na página 3, alguns dias depois:

BRASIL (11.ABR, PÁG. A7) Em parte dos exemplares, foi publicado erroneamente que a pré-candidata do PT à Presidência disse, em evento em São Bernardo no último sábado: “Eu não fugi da luta e não deixei o Brasil”. A declaração correta, publicada na maior parte dos exemplares, é: “Eu nunca fugi da luta ou me submeti. E, sobretudo, nunca abandonei o barco”.

Claro, como se uma notinha de rodapé na página 3 tivesse o mesmo destaque e repercussão que a manchete original “errada” teve. Aliás, tanta repercussão que o Globo e o Estadão repetiram o “erro” da Folha e publicaram a matéria equivocadamente. Será que os jornalistas, editores, redatores e revisores dos três maiores jornais do país cometeriam um erro tão primário, tão infantil, assim, sem mais nem menos? Quem acreditou nessa história põe o dedo aqui, que já vai fechar.

O estrago já estava feito, tanto que esses jornais entrevistaram um monte de pessoas tendo como mote uma declaração que não existiu. Pois é. Conveniente pedido de desculpas.

Mas a coisa não para por aí.

Nesta mesma semana o site do PT foi atacado por hackers (que já haviam atacado antes e tirado a página do ar)  que colocaram a foto do Serra e assinaram como PSDB Hackers.

Óbvio que o ex-governador não pediu o ataque virtual. Mas então, quem atacou? Oras, sabiamente diz a Revista Veja, quem mais o faria senão o próprio PT?

Chega a ser emocionante, não, a isenção da nossa mídia? E tem gente que ainda argumenta, dizendo que só pode ser verdade, já que saiu na Veja.

(créditos dos tópicos a Guilherme Basílio, parceiro de caminhada virtual e ao blog Na Prática a Teoria é Outra)

P.S. Olha só que ternurinha a capa dessa semana.

Não chega a ser pungente o amor no coração que esse homem carrega? Ah… se não fosse a Veja pra nos mostrar o quão demoníaca é essa Dilma…

Mas será que alguém já pensou em denunciar a Veja pro TSE por propaganda eleitoral antecipada? A redação da Veja deve ter feito estágio com os responsáveis pela edição do debate Lula x Collor de 1989.

P.P.S A blitzkrieg da mídia em favor do Serra não pode parar! Veja a última da Globo. Inocente coincidência, claro.

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4 Respostas para “Jornalismo, digo, panfletismo semanal

  1. Vi essa capa da última Veja hoje numa banca e não pude deixar de comentar com um amigo. É muito descarada! E depois vem jornalista dizendo que a imprensa é apenas um meio.
    Então tá…

  2. Fabio Martelozzo Mendes

    Olá Michel.

    A imprensa é sempre partidária. Sempre. Não há neutralidade, pois todos temos um ponto de vista e analisamos a realidade a partir deste ponto de vista.

    Isto posto, há a postura honesta a se tomar, que é a de assumir que temos posição e justificarmos essa posição. Ou a postura desonesta, que é a que toda a mídia brasileira assume, que é a de fingir que são apenas observadores isentos e neutros e retratam a realidade objetiva (como se tal coisa existisse).

    Se bem que a Veja e a Folha estão escondendo cada vez menos suas preferências partidárias…

  3. Não é de hoje que venho dizendo que a Globo é parcial e que ela utiliza de todos os meios que lhe são necessários para auto-afirmação e propaganda de sua religião, de sua posição política e do preconceitos contra as pessoas que vivem em situação marginalizada.

    Concordo com vc. No mínimo, o correto seria assumir uma posição. Mas acho que isso minaria o poder de influência, já que – imagino – as pessoas veriam o que está no subliminar.

  4. Fabio Martelozzo Mendes

    Aí é que está, Thiago. Não é a Globo que manipula a população e é parcial. São todos os meios de comunicação.

    Há a “manipulação” por dois motivos: primeiro, não há confronto de idéias, pois todos os meios de comunicação representam um lado apenas. Segundo porque ao representarem a realidade de maneira hegemônica, fica mais fácil o disfarce de que eles apenas “apresentam os fatos”.

    Houvesse uma mídia que não representasse os valores hegemônicos, ou que fosse minimamente divergente, como há nos EUA, na Inglaterra, na Espanha, etc, haveria um mínimo e produtivo debate de idéias.

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