Que fim levaram todas as revoluções

Nunca antes na história da música deste país se viu tamanha revolução. E nem depois. Em plena efervescência da década de 70, ainda bebendo da fonte da tropicália, surge o grupo Secos e Molhados.

Misturando glam rock, rock progressivo e MPB, o som da banda era definitivamente inovador, ao mesmo tempo brasileiro e cosmopolita. João Ricardo, o líder, era talentosíssimo compositor. Mas nada disso seria coisa alguma não fosse pela entrada de Ney Matogrosso. Por mais que João Ricardo fosse o cérebro, Ney era o rosto e a alma.

Ney tinha a voz. Mas não apenas. Tinha (e tem) uma presença de palco  que pouquíssimos artistas tem. Seu jeito de dançar, ainda mais nos repressivos e militares anos 70, era ao mesmo tempo libertário e ofensivo, pois chocava a moral de então, sem nunca parecer grosseiro ou forçado.

E tinha o visual. A adoção de maquiagem, que muitos atribuiram como fonte de inspiração para que os americanos do Kiss também adotassem (nunca confirmado – aliás, o Kiss é outra banda que também se inpirou no glam rock e no glitter de Gary Glitter, T-Rex, Slade e Alice Cooper) criou uma identidade instantânea. E o grupo virou um sucesso instantâneo.

Vendeu muito. Lotava ginásios por onde passavam. E tão rápido quanto ascenderam, saíram da cena. Com a saída de Ney Matogrosso, por mais que muitos digam ser João Ricardo o responsável pelo SM, a banda virou apenas pálida lembrança daquele turbilhão que varreu o Brasil em 1973/1974.

Nada antes chegou perto do impacto que o SM teve na música brasileira. Nem a Tropicália. E muito menos depois, com o roquinho comportadinho e mauricinho dos anos 80 e com o rock infantilóide e comercial dos anos 90/2000.

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4 Respostas para “Que fim levaram todas as revoluções

  1. Boa Fábio!!!

    Secos e Molhados foram e são (na essência) fodas demais!

    E pô.. não sei uma coisa.. Ney Matogrosso mesmo sem o SM continua sendo o Ney, e talvez e muito provavelmente até mais fortalecido em função da experiência e todos os conceitos adquiridos e pelo fato de navegar por águas remotas quanto pelas modernas.. Enfim.. eu sou fanzaço do Ney Matogrosso… acho um dos mais “picas” da nossa música (quiçá do mundo, porque não?).. um showman ( com tudo que um showman tem que ter).. foda demais!
    É logico, que tenho muito carinho pela antiga banda.. porém.. sou mais o Ney…
    E sem falar que ele nunca perdeu aquele “espírito”…

    boa Lembrança cara! boa lembrança… (apesar de que tô sempre escutando os caras.. tenho vários cds.. mas vê-lo lembrado na internet é algo muito bom também.. nos dá aquela mensagem de que “não estamos sozinhos”.. e isso é muito bom!)

    Valeu!

  2. Fabio Martelozzo Mendes

    Bom saber, Igor, que compartilhamos o mesmo (bom) gosto musical. Pelo menos no que diz respeito ao Secos & Molhados.

    E, vou falar. O Ney é foda mesmo. Vários anos atrás, fiquei sabendo de um show do Ney Matogrosso no Sesc Pompéia, a um precinho bem módico. Fomos (eu, minha esposa e mais uma turma) e compramos o ingresso. Estava escrito no ingresso “Nó em pingo d’água”. Pensei, xi… me ferrei.

    Era um grupo de música brasileira (basicamente chorinho) instrumental. E o Ney fazia uma participação especial na segunda parte. Bem, sobre o NEPG, valeria até a pena fazer um post depois, pois os caras eram feríssimas.

    Na segunda parte do show o Ney entrou no palco. O teatro do Sesc Pompéia é minúsculo, com um palquinho. É em estilo “arena”, sem fundo, com cadeiras dos dois lados, sem nenhum espacinho pra colocar iluminação, cenografia e outras coisas (nas quais o Ney é fera). Pois haviam só os músicos de um lado e o Ney do outro.

    Vou falar. O cara engoliu o teatro inteiro. Ele tem um domínio de palco, uma técnica, um jeito de se impôr apesar de sua diminuta estatura que até envergonharia 99,9% dos chamados “artistas” e “cantores” que pululam mundo afora. O cara é sensacional.

  3. aquela foto não é do Ney….

  4. Fabio Martelozzo Mendes

    Qual foto, João?

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