O Ciclo Pascal

O ciclo pascal

Luiz Carlos Ramos

O Ciclo Pascal — que compreende a Quaresma, a Semana Santa, o Tempo Pascal propria­mente dito, e encerra-se com o Pentecostes — formou-se a partir de um processo de reflexão e sis­tematização do cristia­nismo que vai do pri­meiro ao quarto século da era Cristã. A partir deste ciclo se constituiu todo o calendário litúrgico.

Nas comunidades primiti­vas, era comum a reunião no primeiro dia de cada semana na qual celebrava-se a memória de Jesus. A origem do culto cristão remonta a essa “Páscoa Semanal”, que ocorria no chamado “Dia do Senhor”.

Em boa parte por influência do judaísmo cristão, desenvolveu-se uma celebra­ção anual da Páscoa como um “grande dia do Senhor”, cuja festa se prolongava por cinqüenta dias, sendo o último, o dia de chegada do Espírito, o Pentecostes Cristão, isso já no século II.

No século IV, desenvolveu-se a tradição de reviver e refletir de um modo mais sistematizado, os momentos da paixão, isso deu origem às celebrações da Semana Santa. Desde o século III as vésperas da Páscoa já eram dias de refle­xão. Os catecúmenos que por dois anos vinham sendo preparados, agora eram acompanhados por toda a comunidade. Inspirando-se nos quarenta dias de pre­paro de Jesus para seu ministério, nasceu o período da quaresma. Assim, em torno da celebração da morte e ressurreição de Jesus, desenvolveu-se todo o Ciclo Pascal do Calendário Litúrgico Cristão, marcado pela penitência e confis­são, mas também pela alegria e exultação do crucificado e ressuscitado.

A Quaresma é o período no qual se enfatiza a importância da contrição, do preparo e da conversão. Inicia-se no quadragésimo dia antes da Páscoa (não se contam os domingos). O início na Quarta-feira de Cinzas retoma à tradição bíblica do arrependimento com cinzas e vestes de saco (Jn 3.5 – 6). É um momento oportuno para refletir sobre a confissão e o valor do perdão de Deus.

Sua espiritualidade enfatiza momentos de preparo na história bíblica geral e da vida de Jesus:

  • Quarenta dias de Jesus no deserto (Mt 4.2; Lc 4.1ss);
  • Quarenta dias de Moisés no Sinai (Êx 34.28);
  • Quarenta anos do povo no deserto (Êx 16.35);
  • Elias em direção ao Horeb (1Rs 19.8).

A Semana Santa tem início no Domingo de Ramos, celebração de Cristo como o Messias, salvador dos pobres, o rei dos humildes. Reflete-se, nessa semana, passo a passo, os últimos momentos da vida de Jesus.

Este é o momento da vigília de preparo para a ressurreição.

Sua espiritualidade chama-nos a atenção para os momentos finais de Jesus até o ápice de sua paixão:

  • A Santa Ceia (Mt 26.17 – 30);
  • O Lava-pés (Jo 13.1 – 17);
  • Jesus no Getsêmani (Mt 26.36 – 46; Mc 14.26 – 31);
  • O julgamento, sepultamento e a crucificação (Mt 27; Mc 15; Lc 23; Jo 19).

A Páscoa¸ propriamente, é a festa da ressurreição e da libertação. Um novo Êxodo ocorre, e a humanidade passa do cativeiro da morte para a vida.

Sua solenidade pode iniciar-se já na Quinta-Feira Santa (instituição da ceia), que dá início ao chamado Tríduo Pascal. Contudo a celebração da ressurreição começa com uma vigília na noite de sábado encontrando sua plenitude no rom­per da aurora do Domingo da Páscoa, quando Cristo é lembrado como o sol da justiça que traz a luz da nova vida, na ressurreição.

A espiritualidade norteadora da Páscoa aponta para a ressurreição nos mais variados relatos das comunidades do século I d.C.:

  • A ressurreição (Mt 28.1 – 20; Mc 16.1 – 8; Lc 24.1 – 12; Jo 20.1 – 18; At 1.14);
  • Cânticos Pascais (Sl 113 ao 118 e Êx 12).

Entre os hebreus, era comum a celebração da chamada “festa das semanas” ou Pentecostes, isso porque ela se dava sete semanas, ou cinqüenta dias, após a Páscoa. Nela, o povo dava graças ao Senhor pela colheita. Mais tarde, adquiriu mais uma dimensão celebrativa, a da proclamação da lei (instrução) no Sinai, cinqüenta dias após a libertação do Egito.

Na era cristã, o Pentecostes tornou-se o último dia do ciclo pascal, quando celebra-se a chegada do Espírito Santo como aquele que atualiza a presença do ressuscitado entre nós, dando força para que as comunidades sejam testemu­nhas de Jesus na história.

A espiritualidade que nos orienta nesse período fala da presença consoladora do Espírito que semeia nos corações a esperança do Reino de Deus e nos impul­siona para a missão:

  • Festa das semanas (Êx 34.22; Lv 23.15);
  • Jesus promete o Consolador (Jo 16.7);
  • Jesus ressuscitado sopra seu Espírito (Jo 20.22);
  • A chegada do Espírito Santo no dia de Pentecostes (At 2).

Extraído do excelente blog de liturgia e espiritualidade Texto e Textura.

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