Ah, Portugal

Há entre mim e Portugal uma relação de afeição improvável. Improvável porque nunca estive em Portugal. E também porque nós, brasileiros, não costumamos buscar o que vem do outro lado do Atlântico. Claro, há as influências mais óbvias e claras, na arquitetura, na culinária, enfim. Mas nós não buscamos voluntariamente conhecer ou usufruir o que a cultura portuguesa contemporânea nos oferece.

E eu sou, talvez, um dos poucos brasileiros jovens (ainda me considero jovem, não sei por quanto tempo) que se interessa por música portuguesa.  E entre os destaques, há Mísia, Maria de Medeiros e Dulce Pontes.

Mísia é filha de portugueses e catalães e faz parte da nova geração que moderniza a música tradicional portuguesa, cantando também em francês, catalão e espanhol.

Maria de Medeiros é mais conhecida como atriz, tendo atuado em Pulp Fiction, O Xangô de Baker Street e mais recentemente em O Contador de Histórias, entre dezenas de outros. Depois de décadas na carreira cinematográfica, a atriz portuguesa passa a se dedicar à música, não revisitando a tradição, mas fazendo uma intersecção com a música brasileira ao gravar Caetano Veloso, Chico Buarque e Ivan Lins.

Por fim Dulce Pontes. A mais “velha guarda” das três, também a mais conhecida no Brasil, principalmente por “Canção do Mar”, trilha sonora de vários filmes, inclusive da novela As Pupilas do Senhor Reitor, novela do SBT baseada no romance de Julio Diniz.

Ah, Portugal. Tua música pode não ser do gosto geral aqui no Brasil, mas quem a aprecia se deliciará.

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6 Respostas para “Ah, Portugal

  1. poxa, muito legal, conhecia muito pouco a musica portuguesa. Agora vou começar a escutar mais.

    • Fabio Martelozzo Mendes

      Há muito pouco intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal. A “balança comercial” favorece os brasileiros e muito poucos artistas lusos tem algum destaque no Brasil.

      O que é uma pena, pois todas as áreas poderiam se beneficiar de uma maior integração: cinema, música, literatura, etc.

      Abraços.

  2. Creio que a omissão do Madredeus foi proposital, com o fito de chamar a atenção para outros nomes da música portuguesa atual, já que esta foi, por um bom tempo, em termos internacionais, dominada por aquele grupo.

    Se obscurecia outros artistas, por sua vez o Madredeus fez por merecer. O grupo foi uma das melhores coisas da música de qualquer lugar. Teclados eletrônicos ao lado de instrumentos tradicionais, multiplicados pela voz de Teresa Salgueiro. Santo Deus!

  3. Fabio Martelozzo Mendes

    Sim, Anrafel.

    Aliás, em matéria de música portuguesa o Madredeus é meu preferido. E taí outra que bebe na fonte brasileira, a Teresa Salgueiro, que ao lançar seu trabalho solo buscou parcerias e influências brazucas.

    Mas o Madredeus merece estar no panteão da música. E já que mencioneu “Canção do Mar”, da Dulce Pontes, famosa no Brasil, há para mim uma das mais belas canções do Madredeus, O Pastor, trilha sonora da minissérie Os Maias, da Globo.

  4. Uma observação interessante sobre o fado é que ele teve origem no Brasil e depois foi, digamos, formatado em Portugal.

    Essa idéia foi defendida por José Ramos Tinhorão, que a expôs com argumentos sólidos e hoje é defendida por inúmeros especialistas, daqui e d’além mar.

    Grosso modo, teria sido assim. Domingos Caldas Barbosa, mulato brasileiro, violonista e compositor, a partir de 1763 foi morar em Portugal, onde ficou até morrer, em 1800.

    Lá, conseguiu adentrar os salões e finos ambientes onde cantava suas modinhas e lundus, que conseguiram grande sucesso a ponto de despertar a inveja de ninguém menos que Manuel Maria du Bocage.

    Pois, segundo Tinhorão, foi da popularização desses lundus e modinhas que o espírito e o talento portugueses criaram o que viria a ser a sua música nacional, o fado.

    Tinhorão merece crédito. Pode ser xenófobo, conservador ou nacionalista extremado, mas é um grande pesquisador e historiador da nossa música.

    (Essa música, “O Pastor”, é maravilhosa. Ponto para a Rede Globo, que apresentou a tanta gente daqui o som do Madredeus).

    • Fabio Martelozzo Mendes

      Interessante. Não conhecia essa teoria.

      Aliás, em matéria de música, sou mais um curioso que um conhecedor.

      Abraços.

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