Amsterdam

Ian McEwan é atualmente um escritor de best-sellers. Legítimo representante da gloriosa tradição do romance britânico, linhagem iniciada no século XVIII com Fielding e Richardson, passando pelos séculos XIX e XX sempre com nomes de grande envergadura (Dickens, as Brontës, Hardy, Woolf, etc). Seus últimos romances, Na Praia, Sábado e Reparação (que ganhou uma razoávelzinha adaptação cinematográfica com um horrendo título) ganharam um lugar na galeria de grandes obras para o grande público, onde temas espinhosos antes bastante explorados passam a ocupar um espaço menor. O que antes era explícito, passa a ser sugerido.

O que não significa que os temas que lhe valeram o apelido de Ian Macabre estejam ausentes.  Apenas mais sofisticados.

Em Amsterdam estão todos presentes.  Sexo e morte. Estupro e suicídio. Mas, subjacente, um conflito que tem se delineado na obra do autor, que marca a passagem da esperança para o cinismo, da possibilidade da luta para a aceitação da inevitabilidade da derrota. O que em obras anteriores do autor se configurava como uma abertura para a luta política, mesmo que utópica, em Amsterdam torna-se impossível.

O conflito político entre Julien Garmony, Vernon Halliday e Clive Linley explode em derrota para todos. Inclusive a solução evasiva de refúgio na arte configura-se  como fracasso e derrota. Derrota que posteriormente seria encampada por McEwan, como em Sábado. De qualquer forma temos uma obra de transição, entre a dissolução trágica e utópica de “First Love, Last Rites” e “Cement Garden” e o conformismo neoconservador de “Sábado” e “Reparação“. Ainda assim uma obra grande e merecedora da atenção.

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