Fairy Tales

O ano foi 1988. Naquela época não existia internet, nem a tecnologia barata de reprodução de CDs, ferramentas que facilitaram imensamente a divulgação e propagação de tudo quanto é informação e novidades no mundo da música. Para se antenar com as novidades, só recorrendo a revistas importadas (Melody Maker, New Musical Express), fanzines, alguns esparsos programas de rádio que davam espaço para a música independente (na 89 fm – Rádio Rock, Brasil 2000). Para divulgar os novos sons, as bandas recorriam às famigeradas “demo tapes”, fitas cassete gravadas artesanalmente, geralmente em estúdio alugado pela própria banda (com poucos recursos), com capa tosca e qualidade de áudio sofrível. Alguns lugares davam espaço para a música independente, algumas poucas gravadoras independentes. Em São Paulo existia a Woodstock Discos, especializada em heavy metal. Na galeria do Rock existia a Baratos Afins, que lançou a fina flor do rock independente paulista dos anos 80 além da MPB experimental de gente como Itamar Assunção. Outro selo independente paulistano, este localizado numa galeria da Rua Barão de Itapetininga, era a Wop Bop. Um dos lançamentos da Wop Bop daquele ano foi o álbum Fairy Tales, da banda santista Harry. O som da banda, da época em que para se fazer música eletrônica era preciso investir uma boa grana em equipamentos caros e de difícil manuseio, transitava entre o tecnopop do New Order e o EBM do Front 242, mas como as informações circulavam em uma velocidade muitíssimo mais lenta naquela época e o isolamento era muito maior, quem enveredasse por aqueles caminhos acabava por desenvolver um som particular, descolado de “movimentos” coordenado. A banda era então formada por Hansen, Di Giácomo, Verta e Johnsson e eles gravaram o álbum Fairy Tales que continha letras em inglês, barulhinhos eletrônicos, baixo, guitarra, bateria, teclados, programação eletrônica e samples de discursos de Getúlio Vargas, gaitas de foles e ruídos de guerras. Um clássico do rock brasileiro dos anos 80, versão independente. Eu tinha em versão cassete.

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Depois de Fairy Tales (que pode ser baixado na íntegra aqui), a banda lançou Vessels Town, produzido pela lendária gravadora Stiletto e depois entrou em um longo período de inatividade. Retornou aos palcos recentemente, numa época mais propícia para a produção artística independente, onde a internet e as tecnologias de reprodução permitem que mais artistas lançem suas obras publicamente.

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Uma resposta para “Fairy Tales

  1. NA ÉPOCA EM QUE FOI LANÇADO, EU OUVI O VINIL EM URUGUAIANA-RS, A 2.000KM DA TERRA NATAL DA BANDA…
    ALGUNS ANOS DEPOIS, VI EM UMA REPORTAGEM O NOME DE UM DOS “GRANDÕES” DA SONY MUSIC (SE NÃO ME ENGANO), E ERA MESMO NOME QUE EU VI NO VINIL DA ÉPOCA… ENTREI EM CONTATO VIA E-MAIL E … “BINGO”, ERA O MESMO CARA DA BANDA… V E R T A . ELE FOI MUITO GENTIL E ATENCIOSO E FALEI Q NÃO TINHA CÓPIA DO DISCO E DE REPENTE ELE PODERIA ME AJUDAR…. EM 10 DIAS, EU RECEBI O CD REMASTERIZADO EM CASA, FOI UMA ALEGRIA IMENSA… SEMPRE QUE ESTOU TRANQUILO, COLOCO “HARRY FAIRY TALES” PARA CURTIR… SOM INTELIGENTE !!!!! Fernando Pacheco. nando.pacheco2@hotmail.com

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