Infância pra quê? O importante é consumir

Na minha jornada diária na blogosfera topei com este texto no blog “Escreva, Lola, Escreva“:

INFÂNCIA PRA QUÊ? O IMPORTANTE É CONSUMIR

Foco na criança para criar consumidores pra vida toda.
Vi no YouTube um documentário muito bom, Consuming Kids: The Commercialization of Childhood (Crianças Consumidoras: A Comercialização da Infância – tem até legenda em português!). Os dados são alarmantes e comprovam o que já vimos no documentário brasileiro Criança, a Alma do Negócio, sobre o mesmo tema. Nos EUA, existem 52 milhões de pessoas com menos de 12 anos. Elas consomem 40 bilhões de dólares por ano. Mas o mais importante é que elas influenciam diretamente os pais no consumo de mais de 700 bilhões de dólares por ano. Essa quantia astronômica representa o PIB dos 115 países mais pobres juntos. Um mercado gigantesco.

E, pra explorá-lo, nada como não ter nenhuma regulamentação. No final nos anos 70 houve discussões no congresso americano para ver se se bania a propaganda pra crianças. Foi testemunhado por especialistas que toda propaganda para crianças de 8 anos para baixo era enganosa, já que uma criança não tem como entender o caráter persuasivo dos comerciais. Logicamente, uma regulamentação dessas iria contra o sistema capitalista do “cada um por si”, e na crença de que todos são responsáveis pelas decisões que fazem, e que existe um deus-mercado ético que se auto-fiscaliza, sem a interferência do diabo-governo. Reagan sepultou qualquer regulamentação de qualquer coisa, com sua política de que o governo não é a solução pros problemas do mundo, e sim o problema. Antes do congresso votar contra a regulamentação, o mercado infantil crescia 4% ao ano (que já era alto). A partir dos anos 80, com a total liberdade dos publicitários para fazer o que quisessem, passou a crescer 35% ao ano. Transformers é daquela época, um símbolo de um programa que foi criado apenas para vender brinquedos. Tartarugas Ninjas é outro: o filme em si era só um pretexto, um comercial em tela grande, feito unicamente para envolver o lançamento de mais de mil produtos. E, lógico, foi Guerra nas Estrelas que começou tudo isso uns anos antes. George Lucas já disse que não é um cineasta. É um fabricante de brinquedos.
Quando uma criança vê seu brinquedo preferido falar e se mexer, cria uma conexão sentimental com esses personagens (bom, o que a propaganda faz com os adultos, associando carros com oferta de mulheres pros homens, e qualquer coisa com autodepreciação pras mulheres, também é pura chantagem emocional). A criança vai dormir com seu personagem favorito estampado nos lençóis (ou seja, literalmente dorme com ele), veste camisetas com ele, usa cadernos com ele. Suas mochilas e lancheiras seguem o mesmo padrão. Fica bem fácil colocar aquela estampa em todos os outros produtos do supermercado.
Texto completo (recomendável) aqui.”

 

O assunto, nesta época do ano de comercialismos exacerbados (se bem que, com o ano todinho fragmentado em “datas comemorativas” como o carnaval em fevereiro, páscoa em março, dia das mães em maio, dia dos namorados em junho, dia dos pais em agosto, dia das crianças em outubro e natal em dezembro – fora reveillon, copa do mundo e halloween, qual época do ano não é de “comercialismo exacerbado”?) já tinha sido levemente tocado neste post, onde comentei sobre a formação de consumidores, não de leitores, através da nova literatura infanto-juvenil.

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2 Respostas para “Infância pra quê? O importante é consumir

  1. É claro que sou contra a onda consumista e essa doente sociedade pequeno-burguesa que tanto mal faz (tema cujo escrevo em tom de brincadeira em outros sites, para não causar polêmcica, mas aqui falo sério) mas é inaceitável alguém cujo já vi escrever textos defendendo as mulheres reclamar do sistema capitalista. É contradição.

    Não fosse o capitalismo (e a doença-consumitiva que faz com que o mercado seja 70% dominado por seres vivos do sexo feminino, ou seja, elas são as culpadas de tudo e isso é INEGÁVEL) e as mulheres ainda estariam em casa lavando louça como nos SAUDOSOS tempos de antanho, onde tudo era melhor (os idosos nos falam, antigamente TUDO era melhor e e prefiro acreditar nos mais velhos que muito sabem).

    Podem não gostar do comentário, mas eu prefiro acreditar nos mais velhos, que enaltecem o passado com CONHECIMENTO DE CAUSA.

  2. Fabio Martelozzo Mendes

    Não posso dizer que concordo com sua opinião, principalmente quando diz que o passado era melhor.

    Anyway… opinião registrada.

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