Eu tenho, você não tem

De acordo com alguns economistas, uma das características da globalização é a tendência de concentração de riquezas ainda maior. O mundo globalizado terá cada vez menos e maiores empresas. Veja o nome dos mega-laboratórios farmaceuticos. As corporações são formadas pela fusão de várias e várias empresas de diversos países, buscando aumentar seu cacife para competir no mercado global. A agora ABInBev, ultra-hiper-mega cervejaria formada por Anheuser Bush (Budweiser), Interbrew (maior cervejaria da Bélgica) e AmBev (essa já uma megaempresa formada pela fusão de Antárctica, Brahma e Skol) domina uma fatia enorme do mercado cervejeiro do mundo e conta com um portfólio de mais de cem marcas diferentes atuando no mundo todo.

No mundo do futebol a tendência não poderia ser diferente. Porém, ao contrário do mundo empresaria, no futebol não existem fusões ou conquista de consumidores de marcas concorrentes. Afinal de contas, dificilmente um torcedor do Atlético MG se tornaria cruzeirense apenas pelo fato da raposa estar oferecendo um produto melhor (ou seja, obtendo melhores resultados). Por outro lado, além da conquista de “novos mercados” em países “periféricos” na geopolítica da bola (Ásia, África, Austrália, América do Norte), do qual nossos clubes brasileiros se encontram alijados (como expliquei aqui) existe outra imensa fonte de renda que está se concentrando nas mãos de cada vez menos clubes: os patrocínios e premiações por competições.

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De acordo com notícia publicada no site da revista Trivela, a premiação a ser distribuída aos participantes da Uefa Champions League nesta temporada será 33% maior que na temporada anterior. É um valor monstruoso, que tem causado uma distorção esportiva séria nos campos da Europa.

Por exemplo, na França, o Lyon dominou completamente o campeonato por oito temporadas, turbinado pela grana faturada na UCL. É um círculo vicioso. O clube participa da UCL, enche os cofres, fortalece ainda mais seu elenco, com isso consolida sua hegemonia nacional e contiunua a participar da UCL. Daí enche os cofres, fortalece ainda mais seu elenco…

De acordo com o Deloitte Football Money League, publicado no site português Futebol Finance, o clube inglês que mais fatura, o Manchester United, arrecada mais que o dobro que o quinto clube inglês, o Tottenham Hotspur (325 mi de Euros contra 145), enquanto no Brasil, de acordo com a Casual Auditores, também publicado no Futebol Finance, a diferença entre o clube que mais fatura e o quinto neste ranking é de 27% (R$ 160,5 mi pra São Paulo contra R$ 117,9 mi pra Corinthians). E o abismo é ainda maior na Espanha, onde há uma oligarquia formada por Real Madrid e Barcelona e mais nenhum clube tem condições de postular ao título.

Platini e a FIFA tentam quebrar essa dominância, quer através de regras barrando a transferência indiscriminada de jogadores estrangeiros (o famigerado 6+5), ou tentando flexibilizar o clubinho fechado da UCL. Porém enquanto não diminuir drasticamente a diferença paga por UCL e Liga Europa (reformulada para tentar quebrar o estereótipo de “competição de segunda classe), os clubes que formavam o antigo G-14 continuarão a fazer parte de uma casta separada. No futebol europeu há os haves e os have nots.

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2 Respostas para “Eu tenho, você não tem

  1. Fabio,
    Essa concentração de riqueza é, sem dúvida, péssimo para o futebol. Se antes tínhamos dezenas de bons times espalhados pelo mundo, hoje não passam de quinze no grupo capaz de atingir o alto nível.
    Isso sem falar no quanto empobreceu o futebol sul-americano (no caso Brasil, Argentina e Uruguai), português e holandês, que antes produziam bom futebol em seu território.
    Hoje, sabemos o quanto a legislação européia protege os gigantes europeus contra ações da UEFA e FIFA no sentido de reequilibrar a distribuição dos melhores jogadores, mas a questão é que daqui a pouco aqueles que outrora eram grandes clubes ficarão eternamente condenados a meros formados de “pé-de-obra”.

  2. * outrora FORAM grandes clubes

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