Crise, que crise?

Eis que o primeiro mês da janela de transferências de verão se vai e tirando as extravagâncias madridistas o mercado se porta com a mais suspeita das calmarias.

Na Inglaterra quem movimenta as peças é o Manchester City e sua injeção de capital via Dubai. Contrataram Roque Santa Cruz, Gareth Barry, mas aquela ambição de formar uma seleção mundial com Fabregas, Buffon, Cristiano Ronaldo e outros está longe de se concretizar. Ainda devem chegar boas e caras peças, como Tevez, talvez Eto’o. Porém nada que indique que o City brigará pelas primeiras posições na liga.

O detalhe é que até os que devem brigar pelas primeiras posições primam pela discrição. O Manchester United perdeu Ronaldo e Tevez. E não dá pistas de que deva torrar todas as libras esterlinas faturadas com a venda do paneleiro da Madeira em reforços. O tão sonhado Benzema também se bandeou para os lados do Santiago Bernabeu. E a realidade é Antonio Valencia. Um bom meia-externo. Mas nada que faça a torcida suspirar. O Liverpool, que terminou a temporada em alta, engata uma marcha-ré terrível, com a ameaça de perder Xabi Alonso, Javier Mascherano, Alvaro Arbeloa e sem a perspectiva da chegada de peças de reposição à altura. Glen Johnson? Sim. Bom lateral direito. Mas nada que os torne mais candidatos ao título. E o Chelsea, que deve ter a generosa carteira de Abramovich aberta novamente, trouxe apenas o treinador Carlo Ancelotti, ainda uma grande incógnita. Mas seu time envelhecido e desmotivado ainda não viu um único reforço digno de nome.

Parece que a desvalorização da Libra Esterlina frente ao Euro, aliada à generosidade fiscal castelhana,  faz com que a chuvosa ilha deixe de ser um destino desejado pelos futebolistas do mundo.

A Itália vê a decadência, iniciada com a falta de modernização do futebol no final dos anos 90, aprofundada com o Calcciocaos em 2005/2006, dar as caras de vez por lá. Figo, Nedved e Kaká não jogarão mais na próxima temporada. Ibrahimovich, Pato, Pirlo e Maicon demonstram querer buscar novos ares caso seus clubes não garantam a valorização que julgam merecer. E com a exceção de Diego, não há a chegada de nenhum nome de peso à península.

Somente a Espanha agita esse mercado de transferências. Mas o abismo que separa o Real e o Barça dos outros deve se aprofundar ainda mais. O Valencia está fora do mercado. O Sevilla demonstra não ter cacife financeiro para buscar reforços que o capacitem como candidatos ao título. Mesmo o Barça demonstra não mais ter a pujança financeira necessária para buscar reforços caríssimos, querendo inclusive se desfazer de Eto’o. Apenas o Real turbina o mercado com contratações hiperinflacionadas custeadas por transações financeiras pra lá de suspeitas.

E no Brasil o tradicional êxodo de jogadores no verão europeu não começou. E nada indica que ele repetirá a revoada de anos anteriores.

Crise? Impressão sua. Vamos ver como funcionará a xepa do fim da janela, lá pro fim de agosto.

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5 Respostas para “Crise, que crise?

  1. Muito bom Fábio. Adorei o texto, ainda acho que esse mercado vai esquentar mais um pouco. Com certeza não como já fora em outros anos. Chelsea, Liverpool e Manchester precisam fazer alguma coisa para não ficarem para trás. Li em algum lugar que o Yuri Zhirkov fez exames no Chelsea. Bom reforço?

    Abraço

  2. Fabio M

    O Lui (caricato e bobo) disse que a camisa do Manchester United ficou parecendo Power Rangers. Esse Lucho me mata de rir. Adorei os sites que você postou lá.

    A camisa do TSV 1860 München é uma das camisas mais bonitas que eu já vi!!! Espetáculo.

    Tomara que eles voltem para a primeira divisão neste ano.

    Volta logo!

  3. “Apenas o Real turbina o mercado com contratações hiperinflacionadas custeadas por transações financeiras pra lá de suspeitas.”
    Como assim? 50% do financiamento das aquisições florentinopereanas vem do Santander. Acho que você quis dizer que as transações são meio (no sentido de metade) suspeitas. E não sou eu quem vai dizer qual das duas metades é a suspeita!

    Abraço

  4. Fabio Martelozzo Mendes

    Hello Fellas

    Bom tê-los por aqui mais uma vez.

    Sobre as camisas de times de futebol, Philippe: este ano deu uma diarréia mental lá pros lados dos designer da Inglaterra. A maioria está horrível. Incrivelmente, a do Everton ficou muito pior que esa Power Rangers do ManU.

    Mion. Na verdade a outra metade também vem de financiamento bancário. Mas esse não é o problema. O problema é como (e por quem) será pago esse financiamento. Será que a cidade de Madrid será generosa com os merengues (às custas de dinheiro colchonero, também…) como foi na época dos primeiros galáticos?

  5. Não começou uma ova, o Neto Baiano já mandou-se do Vitória… hahahaha!!!

    Sei não, algo sempre acontece que o Manchester não consegue o tetra, e parece que vai empacar nessa temporada de novo.

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