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O casamento entre homossexuais

Texto tirado do Blog do Alon, com negritos meus.

O casamento entre homossexuais (20/07)

Em resumo, trata-se apenas de lançar o tema da escolha sexual no rol dos assuntos com que o Estado nada tem a ver

Falta nesta eleição alguém viável e que reúna coragem para dizer simplesmente o seguinte: “Vou fazer como a presidente da Argentina, vou trabalhar para aprovar no Congresso Nacional a liberação plena do casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

É casamento mesmo, e não subformas de contornar a encrenca. O debate entre os argentinos foi esclarecedor. Trata-se apenas de garantir um direito fundamental: o da igualdade. Se heterossexuais podem casar-se, por que não estender a prerrogativa aos homossexuais?

Assuntos como a religião e a orientação sexual são da esfera privada. E o Estado? Cabe a ele oferecer as condições para o pleno exercício do direito de escolha. Só. Se determinada igreja condena certas preferências sexuais, que selecione os fiéis como bem entender. Mas é assunto dela, não nosso (se a ela não pertencemos).

Complicado é a Igreja Católica tratar com suavidade os casos de pedofilia homossexual em suas fileiras e, ao mesmo tempo, pressionar os poderes constituídos para manter como cidadãos de segunda categoria os homossexuais que desejam levar uma vida transparente, digna e cidadã.

Idem para as demais igrejas, incluídas as evangélicas. Se estão insatisfeitas com a influência do catolicismo na esfera pública, não é razoável que também queiram ditar normas para quem não segue sua cartilha.

É hora de enfrentar o preconceito, nas diversas variações. Uma delas: a resistência a permitir que casais homossexuais adotem crianças.

Vamos acabar com isso. Dezenas de milhares de pequenos órfãos ou relegados esperam uma oportunidade de futuro. Orientação sexual não define a qualidade do pai, ou da mãe, para criar o filho, ou a filha.

Em resumo, trata-se apenas de lançar o tema da escolha sexual no rol dos assuntos com que o Estado nada tem a ver.

Eis um ponto. Mas infelizmente é baixa a probabilidade de ele e outros relevantes serem debatidos com franqueza e objetividade. O script dos candidatos viáveis é sabido. Eles percorrem o país não para saber o que devem fazer, mas principalmente para recolher os vetos provenientes dos diversos grupos de pressão.

Assim, pouco a pouco, os candidatos vão se transformando em portadores do nada. Ou do quase nada. A consequência natural é serem incapazes de mobilizar a sociedade. Daí que estejamos diante da campanha eleitoral talvez mais passiva desde a redemocratização.

Do jeito que vai, ela só galvanizará mesmo os portadores e beneficiários de espaços estatais (ou paraestatais) e os candidatos a um. Cada qual no seu papel. Já a sociedade acompanhará à distância, reservando-se o direito de decidir na hora da urna.

Nos países desenvolvidos costuma ser assim, quando a eleição não coincide com nenhuma grande crise. O problema é que nós não somos ainda um país desenvolvido. Temos impasses gigantescos a superar. Impasses cuja solução exige imensa energia social.

O “casamento gay” é um exemplo. Deve haver outros. Mas em fase de bonança econômica nem o governismo quer marola nem a oposição tem coragem de ousar.

Uma pena.

Democratizar o dinheiro, a terra, a palavra

O Emir Sader é um dos mais importantes pensadores de esquerda do Brasil. Não é pouco, ainda mais ao observar o time das idéias no lado direito do campo, profundamente enfraquecido após a morte de Roberto Campos e Paulo Francis, por exemplo. Afinal, depender de Olavo de Carvalho, um parnasiano fora da realidade que mistura fanatismo religioso com reacionarismo recalcitrante, ou Reinaldo Azevedo (nem dá para citar o bobo-da-corte Diogo Mainardi) é realmente muito pouco.

Mas a pobreza da inteligentsia da direita (embora também não dê para elogiar a produção de esquerda com tanto entusiasmo assim) é até explicável pela total falta de necessidade de haver uma contundente defesa do ideário conservador. Não há. Há um aparato ideológico tão coesamente militante, formado pelos meios de comunicação que tratam de naturalizar o pensamento conservador que o trabalho hercúleo de se desmontar a construção ideológica é dos pensadores de esquerda, não o contrário.

Daí a importância do professor da UFRJ. Ocupa um espaço antes compartilhado com outros nomes da reflexão de esquerda, como o Idelber Avelar . Eu nem sempre concordo com ele. Não que eu discorde de seu radicalismo. Ao contrário. Considero imprescindível  a existência do pensamento radical no campo das idéias, até como uma vacina contra o excessivo pragmatismo eleitoral e governamental. Discordo de sua falta de crítica em relação a Bolívia, considerada muitas vezes como uma alternativa, não como um governo populista e autocrático. Enfim… nada é perfeito…

Mas esta coluna de Emir, publicada no site Carta Maior, acertou na mosca. Ainda mais na época de vuvuzelas midiáticas e cala boca galvão/dunga/tadeu schimidt e outras bobagens na mídia tuiteira.

Democratizar o dinheiro, a terra, a palavra

O problema maior da transição da ditadura à democracia no Brasil é que a democracia se restringiu ao sistema político. Não foram democratizados pilares fundamentais do poder na sociedade: terra, bancos, meios de comunicação, entre outros.

O Brasil da democracia teve assim elementos fortes de continuidade com o da ditadura. A política de meios de comunicação, por exemplo, nas mãos de ACM, o ministro de Sarney, completou a distribuição clientelística de canais de radio e televisão e favoreceu a consolidação do monopólio da Globo – os próprios Sarney e ACM, proprietários de emissoras ligadas à rede da Globo.

Não se avançou na reforma agrária, nem foi tocado o sistema bancário. É como se a ditadura tivesse sido apenas uma deformação de caráter político aos ideais democráticos. Mas nem os agentes imediatos do golpe e sujeitos políticos do regime – as FFAA – foram punidos. Como se tivesse sido “um mal momento”, até mesmo “um mal necessário”, como diriam as elites políticas tradicionais, que seguem por ai.

No entanto o golpe e a ditadura foram extraordinariamente funcionais ao capitalismo brasileiro. O processo que se desenvolvia de democratização política, econômica e social do país não interessava nem aos capitais estrangeiros, nem aos grandes capitais brasileiros. Estes, concentrados em áreas monopólicas, não se interessavam no enorme mercado popular urbano que o aumento sistemático do poder aquisitivo dos salários propiciava, nem no mercado popular rural, a que a reforma agrária apontava.

O eixo da indústria automobilística no setor do grande capital industrial e outros setores que produziam para os setores da classe média, para a burguesia e para a exportação, se coligaram com os golpistas no plano político, para impor, mediante o golpe, um modelo que atacava duramente o poder aquisitivo dos salários.

O golpe os atendeu imediatamente, com intervenção em todos os sindicatos e com a política de arrocho salarial. Foi uma “lua-de-mel” para os empresários, uma super exploração do trabalho, mais de uma década sem aumento de salários, sem negociações salariais. Bastaria isso para entender o caráter de classe do golpe e do regime e militar.

A dura repressão aos sindicatos e a todas as formas de organização do movimento popular contaram com o beneplácito do silêncio dos órgãos de comunicação, que pregaram o golpe e apoiaram a instalação do regime de terror que comandou o país por mais de duas décadas.

A democracia reconheceu o que os trabalhadores – com os do ABC na linha de frente – haviam conquistado: a legalização da luta sindical, junto ao direito de existência de centrais sindicais, a legalização dos partidos, o direito de organização dos movimentos populares, entre outras conquistas.

Mas os pilares do poder consolidado pela ditadura ficaram intocados. Ao contrário, seu poder monopólico sobre a terra, o sistema bancário, os meios de comunicação, se fortaleceram.

Esses temas ficam pendentes: quebrar o monopólio do dinheiro, da terra e da palavra – como algumas das grandes transformações estruturais que o Brasil precisa para construir uma sociedade econômica, social, política e culturalmente democrática.

Postado por Emir Sader às 12:13

Escrevendo a Bíblia

Copiado do Pavablog.

Clipping – Editora processa blogueira: pode plagiar esta notícia

Uma das minhas áreas de estudo (na faculdade) e interesse pessoal é tradução. Já até postei aqui neste blog uma tradução coletiva que eu e um grupo de colegas fizemos de um conto de Katherine Mansfield: Her First Ball (Seu Primeiro Baile). Pois lendo o blog do Sérgio Rodrigues, romancista e crítico literário, topei com a seguinte notícia que beira o bizarro:

Editora processa blogueira: pode plagiar esta notícia

A tradutora e blogueira Denise Bottmann, do site Não Gosto de Plágio, precisa de ajuda. Caçadora mais ou menos solitária de picaretas editoriais, está sendo processada pela editora Landmark, que pede ao juiz indenização mais a retirada de seu blog do ar – informa Alessandro Martins, do blog Livros e Afins. Tudo por ter denunciado que a tradução de “Persuasão”, de Jane Austen, lançada pela Landmark com a assinatura de um de seus proprietários, Fábio Cyrino, seria praticamente um xerox de uma antiga – e fraca – tradução portuguesa da lavra de Isabel Sequeira, até em seus numerosos erros. A blogueira Raquel Sallaberry, do Jane Austen em Português, também está sendo processada pela editora.

Caso a denúncia seja mesmo na mosca, como os exemplos citados em seu blog indicam (tem até uma mesma gralha cômica, “átrio” virando “trio” em ambos os textos), Denise terá exposto mais uma vez o golpe de requentar traduções sem pagamento de direitos, bandeira de subdesenvolvimento cultural que infelizmente está longe de ser novidade no Brasil. Se você também não gosta de plágio, ajude a espalhar a notícia.”

Incrível, não? A blogueira Denise Bottman denuncia uma desonestidade intelectual e é ameaçada de processo pelos autores da desonestidade intelectual. O máximo, não? Ainda não. Veja o que a Denise publica hoje em seu blog:

justiça e internet

sexta-feira recebi uma carta de citação da quarta vara cível de são paulo.

numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas traduções de persuasão, de jane austen, e o morro dos ventos uivantes, de emily brontë, ambas publicadas pela referida editora em 2007.

além de vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais, os reclamantes solicitaram:
- ”publicidade restrita”, isto é, que o processo corresse em sigilo de justiça,
- a remoção do blog nãogostodeplágio da internet, invocando o “direito de esquecimento”,
- ”antecipação dos efeitos da tutela de mérito”, isto é, que a justiça determinasse a remoção imediata do blog antes da avaliação do mérito da ação impetrada.

o juiz, em seu despacho, não determinou segredo de justiça e negou a antecipação de tutela, por considerar que se trata de uma questão complexa, envolvendo discussão a respeito da liberdade de expressão e crítica na internet, sendo necessária uma análise mais apurada dos fatos para verificar a verossimilhança das alegações.

entre as variadas reações extrajudiciais e judiciais que tenho enfrentado a partir das denúncias feitas aqui no nãogostodeplágio, esta é a primeira que solicita a remoção do blog.

isso, a meu ver, extrapola o campo em que devo me defender contra acusações de pretensa denunciação caluniosa e adquire envergadura mais ampla. estamos aqui numa seara muito mais delicada e fundamental, a saber, a simples e básica necessidade de constante defesa do estado de direito, contra tentativas de amordaçamento e atropelo das garantias democráticas da sociedade.”

Ou seja, ela não estava apenas sendo processada. A editora Landmark também estava pedindo a censura do blog por ele ter denunciado um processo de desonestidade intelectual.

Renovo o pedido do Sérgio Rodrigues: podem plagiar a notícia.

Mortalidade na blogosfera

Quando eu comecei a fazer este blog coloquei alguns links bacanas ao lado. São sites que eu costumo visitar, que acho legais ou mesmo sites de amigos. Mas pelo visto eu não dou muita sorte para os blogueiros não…

Em agosto foi o Idelber Avelar, do site Biscoito Fino e a Massa. O blog foi por anos e anos uma referência no pensamento de esquerda, do debate político que fugia da falta de assunto “petralhas x direitobas” que domina a blogosfera política brasileira.

Depois, ainda em agosto, foi a vez do Pedro Dória. Blogueiro cujo maior mérito (segundo o próprio) é a descoberta de Bruna Surfistinha. Balela. O blog era o mais inteligente ao tratar as questões de política internacional (embora seus comentaristas muitas vezes chafurdassem na bobagem “petralha x direitoba”), além de discorrer com leveza sobre assuntos diversos, tecnologia, sexualidade, etc.

Em novembro parou o Darwininano, blog do Darwinista (também conhecido por Marcelo, comentarista do Pedro Dória e do blog da Trivela), que tratava de política, biologia, ecologia, música e afins.

E após eu colocar um banner neste blog para Os Viralata, fiquei sabendo logo no início de 2010 que o Albano, cujo blog pessoal também hiberna, tirou o site de literatura independente do ar. Vender livro independente não é mole. A justificativa do Albano é que no natal (teoricamente a época mais propícia para vender o que quer que seja) apenas quatro volumezinhos foram vendidos. Me senti um pastel, pois tinha acabado de postar no blog, Twitter e outros meios a minha recomendação ao referido site. Aparentemente meus poucos mas fiéis leitores não foram o suficiente para evitar o fechamento do interessante site.

Agora, para fechar o obituário internético, descubro que um dos melhores blogs de política (e tudo o mais) que existe na internet, o Hemenauta, fechou. Veja o que o Na Prática a Teoria é Outra disse sobre o cara: “o Hermenauta era o único blog brasileiro comparável aos grandes lá de fora. Em vários momentos, doutrinou completamente a grande imprensa.”

Pois é, amigos. Resitam. Se houver algum blogueiro supersticioso cujo link encontra-se ao lado e quiser retirá-lo, deixe um comentário :-) Infelizmente a internet perde bastante com essas desativações.

Infância pra quê? O importante é consumir

Na minha jornada diária na blogosfera topei com este texto no blog “Escreva, Lola, Escreva“:

INFÂNCIA PRA QUÊ? O IMPORTANTE É CONSUMIR

Foco na criança para criar consumidores pra vida toda.
Vi no YouTube um documentário muito bom, Consuming Kids: The Commercialization of Childhood (Crianças Consumidoras: A Comercialização da Infância – tem até legenda em português!). Os dados são alarmantes e comprovam o que já vimos no documentário brasileiro Criança, a Alma do Negócio, sobre o mesmo tema. Nos EUA, existem 52 milhões de pessoas com menos de 12 anos. Elas consomem 40 bilhões de dólares por ano. Mas o mais importante é que elas influenciam diretamente os pais no consumo de mais de 700 bilhões de dólares por ano. Essa quantia astronômica representa o PIB dos 115 países mais pobres juntos. Um mercado gigantesco.

E, pra explorá-lo, nada como não ter nenhuma regulamentação. No final nos anos 70 houve discussões no congresso americano para ver se se bania a propaganda pra crianças. Foi testemunhado por especialistas que toda propaganda para crianças de 8 anos para baixo era enganosa, já que uma criança não tem como entender o caráter persuasivo dos comerciais. Logicamente, uma regulamentação dessas iria contra o sistema capitalista do “cada um por si”, e na crença de que todos são responsáveis pelas decisões que fazem, e que existe um deus-mercado ético que se auto-fiscaliza, sem a interferência do diabo-governo. Reagan sepultou qualquer regulamentação de qualquer coisa, com sua política de que o governo não é a solução pros problemas do mundo, e sim o problema. Antes do congresso votar contra a regulamentação, o mercado infantil crescia 4% ao ano (que já era alto). A partir dos anos 80, com a total liberdade dos publicitários para fazer o que quisessem, passou a crescer 35% ao ano. Transformers é daquela época, um símbolo de um programa que foi criado apenas para vender brinquedos. Tartarugas Ninjas é outro: o filme em si era só um pretexto, um comercial em tela grande, feito unicamente para envolver o lançamento de mais de mil produtos. E, lógico, foi Guerra nas Estrelas que começou tudo isso uns anos antes. George Lucas já disse que não é um cineasta. É um fabricante de brinquedos.
Quando uma criança vê seu brinquedo preferido falar e se mexer, cria uma conexão sentimental com esses personagens (bom, o que a propaganda faz com os adultos, associando carros com oferta de mulheres pros homens, e qualquer coisa com autodepreciação pras mulheres, também é pura chantagem emocional). A criança vai dormir com seu personagem favorito estampado nos lençóis (ou seja, literalmente dorme com ele), veste camisetas com ele, usa cadernos com ele. Suas mochilas e lancheiras seguem o mesmo padrão. Fica bem fácil colocar aquela estampa em todos os outros produtos do supermercado.
Texto completo (recomendável) aqui.”

 

O assunto, nesta época do ano de comercialismos exacerbados (se bem que, com o ano todinho fragmentado em “datas comemorativas” como o carnaval em fevereiro, páscoa em março, dia das mães em maio, dia dos namorados em junho, dia dos pais em agosto, dia das crianças em outubro e natal em dezembro – fora reveillon, copa do mundo e halloween, qual época do ano não é de “comercialismo exacerbado”?) já tinha sido levemente tocado neste post, onde comentei sobre a formação de consumidores, não de leitores, através da nova literatura infanto-juvenil.

Um passeio pela blogosfera (alternativa) do futebol

O Campo dos Sonhos

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Sabe aquela partida inesquecível do seu time, o título suado, a virada inacreditável… ou mesmo a oportunidade para ver os craques dos anos 60, 70 ou 80? Então, agora você pode baixar essa partida.

Tributo ao Carrinho

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Uma ode ao futebol macho, viril, violento e porradeiro. Aqui não tem essa de “drible da foca”, “pedalada”, “rolete”. O que vale aqui é levantar o adversário, parti-lo ao meio com um carrinho com o pé levantado. Mostrar as travas da chuteira.

The Run of Play – Attacking Football

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Um olhar cético e pouco óbvio a respeito do futebol. Os aspectos culturais e sociais que o esporte bretão suscita. Só que na lingua bretã.

Filosofia Tática

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Você está de saco cheio do PVC (Paulo Vinícius Coelho) e sua visão esquematizada, estatística e tecnicista do futebol? Então este blog não é para você.

Futebol Tático

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Se o “Filosofia Tática” transformara o futebol em mero tecnicismo, “Futebol Tático” quase torna o esporte em uma disciplina acadêmica.

World Stadiums

worldstadiums

Um  catálogo com estádios do mundo inteiro. Estádios, estádios e mais estádios. Do passado, do presente e mesmo do futuro. Pois bem, aqui você tem tanto o multimilionário Wembley de Londres quanto o simpático Barão de Serra Negra de Piracicaba.

Distintivos

distintivos

Site do saudoso jornalista Luiz Fernando Bindi, com distintivos do mundo todo. Todo mesmo.

Minhas Camisas

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Colecionadores de camisas de times de futebol, uni-vos. E uni-vos no Minhas Camisas, um site que é blog, fórum, loja virtual, comunidade e ferramenta de divulgação de designers de uniformes esportivos.

MyP2P

myp2p

Quer assistir a partidas de futebol do mundo inteiro, inclusive do leste europeu, América Latina, Grécia, Oriente Médio, além de esportes ao vivo sem pagar um centavo por isso? Então tá.

Pois é. Lembra quando o futebol era muito menos complicado…

A Puta da Uniban (sic)

O blog “Boteco Sujo” dá uma amostra do que aconteceu semana passada em um campus universitário (??????) paulista:

“Uma estudante de Turismo cometeu o crime de ir para faculdade vestindo apenas uma blusinha que mal chegava até suas coxas. Quando a garota começou a subir uma das rampas da universidade, oferecendo uma vista privilegiada das suas redundâncias, provocou um levante entre marmanjos que provavelmente nunca haviam visto uma mulher sem roupa desde que foram desmamados. Os estudantes começaram a cercar a moça, com gritos e galanteios de pedreiro, e foram se empolgando até que ameaçaram estuprá-la. Ela, então, correu e se trancou numa sala.

Foi aí que todos os alunos abandonaram as aulas e se aglomeraram numa multidão que ameaçava invadir a sala onde a garota havia se escondido, aos gritos de “puta, puta!”. Homens e mulheres se juntaram para xingá-la. Foi preciso que um grupo de policiais militares entrasse no prédio para evitar que a menina se tornasse a protagonista de um gang bang forçado.

Agora, uma retificação. Nada disso aconteceu nos tempos moralistas e patriarcais da boa rainha Vitória. Essa história aconteceu, de verdade, na noite da última quinta-feira, dia 22, no câmpus da Uniban em São Bernardo do Campo.” Continua aqui.

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A Marjorie Rodrigues escreve um longo post sobre a humilhação pública como arma de intimidação ditatorial e traça um paralelo ao caso recém acontecido.

“ E é aí que entra o negócio da Uniban. É no mínimo interessante chegar de viagem e dar de cara com uma notícia dessas. As pessoas ainda não vêem horror numa humilhação pública. Ainda acham que há coisas que alguém possa fazer para merecer isso. Ainda acham que há o que a justifique. Não vêem um ato de extrema violência nisso. É fácil olhar para um monte de corpos empilhados e dizer “ai, que horror”, mas a gente não vê (ou se recusa a ver) que a força geradora dessas atrocidades está aí, na capacidade de dar aquele sorriso. Na capacidade de se juntar a uma turba e gritar “puta, puta, puta”.

A Mary W escreveu sobre isso. Muito bem, como sempre. Que a gente só vê a violência no outro e não percebe que a violência está em nós. Que a gente faz parte disso. Uma coisa que eu percebi em muitos comentários Internet afora (inclusive teve um mais ou menos assim aqui) é que a reação instintiva é dizer que os alunos da Uniban agiram como “animais”. Eu também já falei sobre animalização aqui. Mas nunca custa repetir. Que, quando você animaliza o outro, está distanciando ele de você. Porque animais não têm solução, não podem aprender a ser humanos nunca. Reduzir o outro assim é, também, uma violência. E, para cometer violência contra alguém, só mesmo não o considerando um semelhante.

Ora, os alunos da Uniban não são loucos, não. Não são animais, não. São seres humanos. Só levaram ao extremo uma forma de pensar que é muito disseminada: que a mulher é a culpada por seu estupro, que as roupas denotam recato ou promiscuidade e que promiscuidade é meio de avaliar o caráter de uma mulher. Os alunos da Uniban só levaram ao extremo o machismo que a gente vê disseminado de forma mais sutil em tantos outros lugares. Repare também que tem gente condenando os alunos da Uniban, dizendo: ”mesmo que ela fosse uma puta e desse pra todo mundo, não justifica”– ou seja: apesar de condenar a humilhação pública, ainda condenam a roupa. Ainda submetem as mulheres à dicotomia santa x puta. Ou seja: pensam igualzinho a quem criticam. São tão machistas quanto.”

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Pois bem. Toda uma psicologia das massas possa ser evocada para explicar esse episódio. Mas não apenas. Se as massas assumem prontamente o mais irracional que possa existir no cérebro do ser humano (aliás, como as brigas de torcidas, confrontos de skin-heads, e linchamentos podem comprovar), a cultura atual já naturalizou o machismo, como o Fausto, do blog Boteco Sujo, percebeu ao conversar com um dos rapazes da Uniban: “Uma fala do aluno com quem conversei resume o clima daquele ambiente universitário: — Eles estavam errados em querer estuprar a mina, mas ela provocou, né, véio? Então…  Então? — Então talvez ela merecesse.”

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Outro tópico interessante, sobre outro assunto mas que dialoga de maneira contundente com este acontecimento, foi escrito há um mês, mais ou menos, pelo Rafael Galvão:

“A postura francesa no pós-guerra é uma das coisas mais impressionantes daquela época. Se o país não foi corajoso o bastante para resistir à Alemanha, coragem não lhe faltou para perseguir as mulheres que “colaboraram” com a Alemanha — ou seja, que tentaram sobreviver dormindo com o inimigo, como mais tarde milhares de alemãs ganhariam o chucrute de cada dia de pracinhas americanos. Deve ser algo na psique francesa: os alemães podiam estuprar o país, mas não podiam seduzir suas mulheres.”

Uma pequena diferença entre Londres e Paris.

Update: A Uniban está se mobilizando. Não para punir os responsáveis. Mas para tirar os vídeos que mostram a agressão do ar. Os dois videos que ilustram essa postagem já foram apagados pelo Youtube. Mais informações aqui.

P.S. No iG há uma matéria onde a atitude boçal e cretina dos universitários é mostrada.

1001 Discos para ouvir antes de morrer

Download: 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer

 

livro
Download da coleção de CD´s do livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer (1001 Albuns you must hear before you die)

Sinopse:

Em 1001 discos para ouvir antes de morrer, 90 jornalistas e críticos de música internacionalmente reconhecidos apresentam uma rica seleção dos álbuns mais inesquecíveis de todos os tempos.

Abrangendo desde as origens do rock ‘n’ roll nos anos 50 aos mais recentes sucessos, este livro vai guiar você por diferentes tendências sonoras e mostrar o poder que a música tem de representar as aspirações e os sentimentos de toda uma geração.

Embora grande parte do livro seja dedicada ao rock e ao pop, há também dezenas de boas indicações de jazz, blues, punk, heavy metal, disco, soul, hip-hop, música experimental, world music, dance e muitos outros estilos.

continua aqui.

O Código Da Vinte

Cansou-se da subliteratura comercial que assola nosso pós-moderno século XXI?

Harry Potter te dá nos nervos, Dan Brown é um embuste, o Crepúsculo é diversão para adolescentes hormonais?

Seus problemas acabaram. Eduardo Mion, goleiro, blogueiro e analista financeiro nas horas vagas acaba de lançar em formato de folhetim a paródia de Código Da Vinci, chamada, advinha, Código Da Vinte, estrelada pelo prof.Rupert Longdon e ambientada nas sujas, quentes e mal-frequentadas ruelas da capital paulista: aqui.

Cortesia de “Onde não nasce grama“.

O Brasil não é um país racista

Poucas (pouquíssimas) coisas me tiram mais do sério que manifestações claras de racismo, ainda mais as travestidas de “justiça”. Não disse que poucas coisas me tiram do sério. Ao contrário, eu sou um estressadinho que perde a paciência por qualquer coisa. Mas pelo fato de colocar o racismo no topo da minha lista (me tira mais do sério que uma derrota do Palmeiras, como essa ridícula para o Vitória) mostra o quão deplorável é a questão. Ainda.

Como a Vênus Platinada, e seus bracinhos representados por Folha de São Paulo, Estadão, Veja, etc, consegue moldar a opinião pública com uma facilidade poucas vezes reproduzível no mundo atual, já houve a ridicularização e desqualificação da política de ações afirmativas no Brasil. Não adianta mais explicar que as ações afirmativas não são feitas para serem permanentes, nem explicar que historicamente o Estado já beneficiara outras categorias de pobres no passado (como a distribuição de terras para imigrantes europeus) e que os negros nunca tiveram qualquer possibilidade de inserção no mercado de trabalho ou mesmo de reparação histórica contra os abusos cometidos. Já era. A classe média conservadora (e branca, pois diferentemente do que existe nos EUA, a proporção de afrodescendentes na classe média é irrelevante no Brasil) já se convenceu da inconveniência das políticas de ações afirmativas, bem como das políticas de inserção social (esmolas eleitoreiras, segundo o senso comum).

Racismo Cordial

A Vênus luta para convencer (e até então consegue) a opinião pública da ilegalidade e imoralidade da concessão da propriedade de terra aos quilombolas (pessoas que tem residido naquelas regiões a séculos e que recentemente obtiveram a legalização dos territórios) mas não move um único editorial para mencionar a ilegalidade e imoralidade da ocupação de terras devolutas (do Estado – ou seja, de todos) por parte de fazendeiros (ou seja, posseiros), desqualifica a luta política por reconhecimento através da ridicularização e criminaliza a luta de diversos movimentos sociais e políticos. A propósito, alguém consegue me explicar qual a função da série Gente Lesa? Abordar o tema da sustentabilidade com bom humor – explicação oficial – ou simplesmente solapar a credibilidade do tema junto à classe média?.

Como me falta isenção emocional pra tratar desse tema, melhor recorrer a quem faz melhor. Neste aspecto há o Liberal, Libertário, Libertino, do Alex Castro que na série de posts sobre o racismo aborda as questões com argúcia e precisão: Liberal, Libertário, Libertino – série racismo.

Sobre a questão dos quilombolas, há a organização Koinonia, que é um órgão ecumênico e inter-religioso que assessora os movimentos civis e atualmente é presidido pelo grande amigo e pastor Paulo Ayres Mattos, bispo da Igreja Metodista: Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço.

Não deixem de conferir esses dois links.

Tudo que é sólido desmancha no ar

Estou fazendo um novo curso de teoria literária na minha quase interminável faculdade de letras que tem como mote as relações entre o modernismo, vanguardas e a tradição.

8880_500 (capa antiga da obra)

Uma das leituras obrigatórias é o quase mítico livro do crítico marxista Marshall Berman, “Tudo que é sólido desmancha no ar”, que trata do tema da modernidade, modernização e modernismo. Enfim… obrigatório mesmo é a introdução do livro (para o curso – diga-se), mas ele é de leitura deliciosa e fluente. E por acaso, ao navegar pela blogosfera, descobri esse post sobre a experiência moderna de se comprar e ler um livro:

“Tudo que é sólido desmancha no ar

Às teias estava a poltrona, hein? Até que resolvi, pela 40ª vez, sentar-me novamente a ela.

Bem, contarei, hoje uma anedota. Aconteceu comigo mesmo, e com meus amigos que me acompanhavam na jornada.
Estava eu feliz, dinheiro finalmente cai na conta. O que fazer? A mesma besteira consumista do mês passado? Mas, claro que sim. Agora, com um pouco de raciocínio lógico. Quer gastar em papéis? Vá ao sebo.
Fui até a rua da Fnac, Pinheiros, e passei por todos os sebos de lá. Perguntava, Tem Tudo que é sólido desmancha no ar? E tive direito a dois tipos de respostas, Não, está em falta, muita gente procura por ele; Sim, tenho, mas não o encontro. Perfeito. Tive de me redimir às grandes lojas de livros. Na Livraria Cultura, online, eu encontrava o livro por R$27,00. Na Fnac, eu só o teria se morasse no Morumbi.
Passou-se um dia, e me encontro aqui em frente ao computador sem muita paciência para as coisas que realmente deveria fazer (sem ressentimentos). No melhor pernambucanês, estava bulindo na internet e, pausa. Honestamente, eu tenho muito para fazer, mas não sei bem o que acontece que só funciono sob pressão, mal de jornalista, tudo há de ter deadline. Nesses momentos, sinto dó de mim mesma. Quantos amigos trabalham pela manhã, estudam à tarde comigo, e conseguem acompanhar os textos? Enquanto, eu, aqui, tenho a manhã livre, a noite também, e fico perambulando pela internet procurando por coisas supérfluas. Bem, talvez eu deva, agora, agradecer por essa minha falta de vontade. Voltando à navegação pela internet. Encontrei o livro em arquivo de pdf. É isso. Um texto todo de enfeites para dizer que encontrei o livro de Marshall Berman pela internet e DE GRAÇA. Agora, só me resta salvá-lo e imprimi-lo.
Pergunte-me, porém, se estou satisfeita? Não muito. Gosto de passar o cartão na maquininha e correr o risco de não ser aceita. Nem tanto. O livro foi reimpresso pela Companhia das Letras, dona do melhor perfume para papéis já inventado.
MAS, o que uma boa moça não faz por coisas de graça?

Interessou pelo livro?, vai aí o link. Divirta-se

solido(capa atual)

Eis os novos caminhos da experiência da leitura – a desreificação do objeto literário, saíndo do fetiche da mercadoria e migrando pra virtualização do livro.

Copiado do blog Sentada na Poltrona.

Nietzsche para fedelhos

Essa eu roubei do blog da Vanessa, A Barata.


 

 A do Dumbo e do Nietzsche pra fedelhos…é de matar!

Encontrei-as aqui.

Arte do jornalista Alvaro Borba – Mais dele aqui.”

Ao ler as tiras do Nietzche para fedelhos, me lembrei de outro lance sério/cômico que descobri na faculdade com a professora de estudos culturais (marxista até a medula): o Dialectics for kids.

Fala a verdade, idealismo alemão nunca foi tão fácil, não?

 

Transmissão esportiva no Brasil

Estimulado por um post no blog da Trivela que nos convidava ao debate a respeito da fórmula de transmissão esportiva no Brasil (infelizmente, desvirtuado), o sempre arguto Eduardo Mion escreveu um belo post em seu blog:

“Agruras da transmissão esportiva no Brasil
Ando ruminando sobre o assunto desde a final da Libertadores de 2009 e agora, com a confirmação da aquisição dos direitos de transmissão para o Brasil da Liga dos Campeões pela Globo, o gancho apareceu de novo. Para quem não sabe ou não lembra, a final do maior torneio das Américas aconteceu entre Cruzeiro e Estudiantes de La Plata e não teve transmissão ao vivo por TV aberta para São Paulo. A Globo, detentora dos direitos de transmissão, optou por passar Flamengo x Palmeiras, usando como argumento a baixa audiência da final de 2008, entre Fluminense e LDU. Pois bem, houve uma grita generalizada no meio, condenando a opção pelo IBOPE em detrimento do jornalismo. E aproveitando o ensejo, muita gente desceu a lenha na emissora por mágoas futebolísticas antigas, como o ufanismo das transmissões, o puxa-saquismo dos times de maior torcida de RJ e SP e a falta de conhecimento de futebol internacional.”

Continua aqui.

A coincidência (como sempre) é que eu planejei escrever um post sobre trasmissões esportivas aqui e em outros países. Afinal de contas, tenho a minha cota semanal de ao menos um post de autoria minha sobre futebol. Mesmo que não seja dentro das 4 linhas. Amanhã solto mais alguma coisa.

Falando em futebol, dêem um passeio pelos links ao lado que falam de futebol. Alguns são profissionais, outros amadores. Mas todos falam sobre o esporte bretão com muita classe e competência. Maiores que a minha, diga-se de passagem.

A música como forma de protesto

Não é lá nada de brilhante ou profundo esse artigo do Andreas Kisser publicado no Yahoo!, mas nem o que eu escrevo é, porque exigiria isso de um recorte?

“A música como forma de protesto

 Sex, 14 Ago, 05h08

Por Andreas Kisser, colunista do Yahoo! Brasil

A música já é conhecida por ser utilizada para mensagens de protesto e reivindicações, sempre teve o poder de atingir as massas e mudar o curso da História.”

Continua aqui.

Fazendo eco com este post: http://sinosdobram.wordpress.com/2009/07/18/os-politicos-anos-80/