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Baader-Meinhof Blues

Minha atualização cinematográfica, nessas épocas de instantaneidade internética, beira o sinal de fumaça. Só bem recentemente cheguei a conhecer o filme “O Grupo Baader-Meinhof“, filme que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009.

O filme, óbvio, conta a história da Facção do Exército Vermelho, grupo guerrilheiro de esquerda que era conhecido pela mídia como “Baader-Meinhof”. Não vou mencionar a história do grupo, facilmente localizável na internet, mas a forma como o episódio da história recente alemã foi abordado em película é bastante interessante.

Há evidentemente uma certa romantização da atuação do grupo. O que não deixa de ser surpreendente numa época em que o aparato ideológico a partir de Reagan conseguiu demonizar a luta armada em todos os seus aspectos (claro que os terroristas islâmicos fanáticos foram os principais responsáveis por isso graças a seus ataques contra alvos civis), o que ignora o fato de que a grande maioria dos processos de independência ou de derrubada de governos opressivos e totalitários. Desde a guerra da independência dos EUA até o atentado contra o Hotel King David em Jerusalém, promovido pelo Haganá para expulsar as forças de ocupação britânicas, táticas de terrorismo e guerrilha tem sido largamente utilizadas por forças consideravelmente menos fortes.

E eis a questão (aliás, o título em alemão, “Der Baader Meinhof Komplex” evoca essa dubiedade, pois “komplex” pode significar tanto “grupo” quanto “questão”): poderiam os grupos terroristas de esquerda se enquadrarem nesta categoria, visto que, diferentemente de grupos como o IRA, que combatia um governo de ocupação, ou as guerrilhas do Araguaia que combatiam um governo ditatorial e repressivo, a maioria dos países europeus ocidentais seriam democracias liberais?

A primeira geração pós-nazismo combatia o que consideravam ser uma nova forma do fascismo: o imperialismo, propulsionado pelo governo e pelos principais banqueiros e empresários, todos saídos das fileiras nazistas, e pela mídia reacionária que desqualificava a luta da esquerda pacifista e incitava a violência e repressão policial contra os estudantes. E o estopim foi justamente a repressão policial brutal contra os estudantes, que na esteira das convulsões estudantis francesas que eclodiriam em 1968, protestavam contra a presença do Xá Reza Pahlavi e culminou na morte do estudante Benno Ohnesorg e o assassinato do líder de esquerda Rudi Dutschke por um estudante de extrema-direita, incitado pelo empresário Axel Springer (dono dos jornais Bild-Zeitung e Die Welt).

A partir daí dá-se o início de uma frenética sequência de ataques contra alvos norte-americanos e alemães, perseguições, prisões, julgamento, contra-ataques até culminar com o que foi conhecido como Outono Alemão, uma série de atentados terroristas que protestavam contra a situação da prisão dos principais líderes da Facção. Tudo ao som de muito rock’n'roll.

Os achados, além das excelentes atuações, é a beleza de duas de suas protagonistas. Johanna Wokalek, que fez o papel de Gudrum Ensslin (a despeito de Ulrike Meinhof aparecer na mídia no nome do grupo, o braço direito de Andreas Baader certamente era sua mulher Gudrum) e (principalmente) Nadja Uhl, interpretando Brigitte Mohnhauptm líder da violentíssima segunda geração da Facção do Exército Vermelho e responsável pela morte do banqueiro Ponto e do empresário Schleyer, durante o Outono Alemão.

Em uma época de revisionismo histórico lancinante, de contínuos ataques às conquistas obtidas nos anos 60, de desqualificação da luta política, o filme é um incentivo à reflexão sobre o período. Mas, se você não se interessar por história ou política, há aqui um motivo para se assistir ao filme.

Futebol e porrada

A desculpa foi arranjada. Estava ensinando inglês para um grupo que, ao mudar de livro, cuja fonologia era baseada na pronúncia-padrão americana para um livro que enfatizava o inglês britânico, passou a enfrentar certas dificuldades para compreender o que escutavam. Então sugeri a meus alunos que assitissem (sem recorrer a legendas em português) alguns filmes como “Harry Potter”, “Bridget Jones” ou “Notting Hill”. Claro, como bons alunos eles não assistiram a filme nenhum. Então eu peguei esse título para servir  de exemplo para as diferenças de pronúncia entre ambas as variedades de inglês.

O filme é Hooligans. Ou, Green Street Hooligans, como saiu na Inglaterra. Conta a história de Matt, expulso de Harvard, que se muda para a Inglaterra para morar com a irmã. Lá passa a se envolver com a “firm” do irmão de seu cunhado, Pete, que apóia o West Ham United.

Peraí! Um americano vai pra Inglaterra e vira hooligan do West Ham! Verossimilhança pro saco. Claro. Mas como vender nos EUA um filme baseado em um produto cultural (futebol) ignorado e desprezado lá e como explicar um outro ambiente cultural (hooliganismo e ‘firms’) totalmente  restrito à Inglaterra? Ora, acrescentando um personagem americano, representado por um ator famoso (Elijah Wood) pra poder vender uns ingressos na terra de tio Sam. Aliás, essa foi a desculpa para eu passar esse filme. Um americano, um inglês bem sucedido e um bando de jovens classe média-baixa e baixa. Ou seja, exposição a três tipos de sotaque de inglês no mesmo filme. Perfeito.

Tirando a bobagem do Matt, o filme é um interessante, cru e por vezes cruel retrato da juventude de classe média-baixa e baixa nos subúrbios de Londres. Explica até com certo didatismo a cultura hooligan inglesa (a representação dos hooligans do Birmingham City – conhecidos como Zulu Nation por causa da grande influência e imigração negra em Birmingham é bem fiel ao que vi no documentário The Real Football Factories).

Aliás, o documentário “The Real Football Factories” é apresentado pelo ator Danny Dyer, que atuou no filme The Football Factory, que conta o conflito entre as “firms” de Millwall e Chelsea. Neste Hooligans os conflituosos são Millwall e West Ham. Em matéria de futebol o Millwall está a décadas nas divisões inferiores. Mas no que diz respeito a pancadaria, os caras são top.

As vicissitudes da tevê por assinatura (Fórmula 51)

Eu prometi a mim mesmo que não iria reclamar mais. Mas eu acho que todo mundo sabe do que eu estou falando… quando se nasce classe média não se experimenta a sensação que eu descreverei, afinal já se nasce num lar que conta com tv por assinatura via cabo ou miniparabólica e já se convive desde sempre com a infinidade de canais pagos. Mas quem antes era um escravo da meia-dúzia de canais abertos, sendo refém de Super Cines, Zorras Totais e Serginhos Groismans conhece bem o friozinho na barriga que dá quando o homem da tv por assinatura chega para instalar o equipamento. “Nunca mais assistirei Zorra Total, Luciana Gimenez e Ratinho…” a gente esperançosamente imagina, quase como uma criança solta na loja de doces.

Mais tempo, menos tempo o choque de realidade toma conta e percebemos que não somos mais reféns de meia duzia de canais porcarias, mas sim de meia centena de canais porcarias, e sobe a grade, desce a grade duas vezes com o controle remoto e mesmo assim nada que presta parece estar passando (ou com previsão de passar nas próximas quatro horas).

Faz parte…

Nesse espírito e ainda em clima de fim de férias (como sou professor, trampo mesmo de verdade só com a volta às aulas) eu estava zapeando pelos canais de filmes quando decidimos (eu e a Marisa) parar num filme policial que estava passando. Era uma típica cena de perseguição policial onde uma dupla de bandidos (Samuel L.Jackson e o excelente Robert Carlyle, de bons filmes como a comédia histórica Plunkett e Macleane, a excelente comédia social Ou tudo Ou Nada e o drama hardcore Trainspotting) fugia de policiais e outra gangue de bandidos, com uma misteriosa mulher seguindo a todos à distância.

Havia percebido se tratar de uma perseguição nas ruas de uma cidade inglesa. Além dos indefectíveis tijolinhos vermelhos, os motoristas sentavam-se à direita. Mas em um determinado momento o carro passa voando (??? ) por uma construção famosa e  ao aterrisar (???????) numa balsa de transporte de lixo eu falei pra Marisa: “o filme se passa em Liverpool.”

O prédio famoso é o Royal Liver Building, que além de  inconfundível, tem em suas torres as figuras de dois Liver Birds. O Liver Bird é um pássaro mítico que é o símbolo da cidade de Liverpool (além de ser o escudo do Liverpool FC).

Outro motivo que levou-me a identificar a cidade (isso antes do personagem de Samuel L.Jackson chamá-la de “Liver’fuckin’pool, traduzida por “nessa porra de Liverpool”) foi o fato do personagem do Carlyle e o cara que conduzia a balsa estarem com camisas do Liverpool FC.

Pois graças a esse incentivo resolvi encarar o filme na quente e lassa noite de sábado. O filme é Fórmula 51.  Um químico, Elmo McEnroy (Jackson) desenvolve uma poderosa droga, segundo ele 51 vezes mais potente que a cocaína, 51 vezes mais alucinógena que o ácido e 51 vezes mais explosiva que o ecstasy. Elimina seu chefe, o traficante interpretado por Meat Loaf (???? de Bat Ou of Hell? Uau) e tenta negociar a droga com um traficante local, além de fugir da assassina profissional Dakota (interpretada por Emily Mortimer, a atrapalhada secretária de Clouseau no remake da Pantera Cor de Rosa).

Mas o máximo da fita é que a negociação da droga acontece durante uma partida do Liverpool, num dos camarotes executivos do mítico estádio de Anfield Road. Felix de Sousa (Carlyle), torcedor fanático do Liverpool, não sossega enquanto não assiste a partida do time naquela tarde, e a negociação é marcada para o estádio.

Diversão descompromissada para uma noite de sábado. Mas valeu pelo tour pela cidade de Liverpool e pelo interior do estádio.

Minha nossa

As férias se aproximam do fim. Mas a sessão-abacaxi no canal de filmes da TV a cabo não. Engraçado, mas quando não estou de férias é mais fácil atualizar o blog, há mais assunto para ser tratado, enfim… com as férias o ritmo diminui, o ânimo (de escrever e de pensar) também.

Agora, o que dizer desse filme? Elenco: estelar (Meryl Streep, Colin Firth, Pierce Brosnan). Cenário: um dos mais belos do mundo (as ilhas gregas). Música: divertidíssima (Abba). Mas o conjunto… ah, como é fraco.

A história da menininha que quer conhecer o pai e manda carta convidando os três possíveis para seu casamento até que seria razoável. Boa até. Mas a mocinha em questão, a bonitinha Amanda Seyfried, quando tenta fazer cara de angustiada consegue no máximo parecer que sofre de constipação intestinal. As cenas de canto e dança (afinal, isto é um musical) são até que bem coreografadas e tudo mais, mas cansa. Tá bom, confesso. A culpa é minha. Sempre odiei musicais. Mas a cena de “The Winner Takes it All”, uma das melhores canções do Abba, parece um dueto da antiga dupla argentina Pimpinella, ou de Jane e Herondy, tamanha a forçação de barra no sentimentalismo à flor da pele.

O final, piegas até, que tenta trazer um ar de modernice com a mocinha casadoira desistindo das bodas para viajar com o namorado, um dos ex-amantes da Donna (o personagem do Colin Firth) tendo um relacionamento gay com um dos ilhéus, mas com a sempre sofredora Donna achando por fim o amor de sua vida, a mensagem final é de conformidade. E é isso aí. Filme bom pra sessão da tarde, vale a pena pela música.

Roteiro de Avatar

Estou numa temporada de férias do cão em matéria de filmes na TV. Ou é azar demais ou então meu padrão de diversão está meio fora do mercado. Mas de “Paranóia” a “Controle Absoluto“, cheguei no fundo do poço em matéria de bosta cinematográfica:  ”Pagando bem, que mal tem“. Lixo dos lixos.

E eu penso com meus botões… eu ainda pago pra assistir essas porcarias todas! Há dinheiro mais mal gasto que canal de filmes na TV por assinatura? Difícil.

Mas, o que falar de uma hiper-ultra-mega-bosta, que tem o maior orçamento da história e arrasta multidões para as salas como se fosse um deslocamento de refugiados de uma área em guerra!  E que pra assistir essa hiper-ultra-mega-bosta fosse preciso pagar quase trinta paus para ir numa sala IMAX para poder ter o mínimo de qualidade de efeitos especiais (afinal, há outro atrativo para essa hiperbosta?). Como diria Bartleby, prefiro não.

Mas, seus problemas acabaram. Não quer ficar de fora do hype da estação, então tá. Vazou o roteiro de Avatar na internet. Curta, cortesia do LLL.

Retrospectiva 2009 – Filmes

Com o período de festas de fim de ano, o ritmo de novas postagens diminui. Mas como o período é apropriado para fazer um balanço sobre o que pintou neste espaço desde sua inauguração, em junho, vamos lá:

Um filme piegas sobre cachorrinhos. Mas, atire a primeira pedra quem não deu nem uma choradinha: (Marie e Eu)

Um filme poderoso sobre… o que mesmo? Amor, superação e otimismo??? Sem chance: (Paper Planes)

Ah… como esses europeus são deprimidos: (Polaroids Européias)

Benjamin Button? Já vi essa história antes: (De trás pra frente)

Lembra como o Indie era legal? Como faz tanto tempo isso: (Autoparódia)

Que a força (e toda a ideologia moral cristã ocidental) esteja contigo: (Mitologia Georgelucana)

Vampiros bonzinhos e castos, como  bons mórmons: (Literatura ruim é melhor que literatura nenhuma?)

Categorias como “clipping” e “poemas” não terão retrospectiva. Clippings se tratam, em geral, de notícias, que perdem a graça após muito tempo. Poemas continuarão a ser publicados mesmo neste mês de “quase férias”.

Literatura ruim é melhor que literatura nenhuma?

Cada vez que surge um novo fenômeno de vendas no campo literário surge a velha discussão: vale a pena? Uns argumentam que sim. Dizem que a literatura infanto-juvenil ruim serve como uma “introdução” a jovens que nunca leriam nada com mais de quinze páginas e cujas páginas não contivessem mais de 3/4 de seu espaço tomado por figuras. Outros discordam. Dizem que quem lê Harry Potter não lê outra coisa. Não passa a ser consumidor de literatura. Passa a ser consumidor do próximo fenômeno de marketing, seja ele literário ou não.

A minha opinião é… eu não tenho opinião alguma formada sobre isso. Ainda. O próprio fato de ter usado termos como “consumidor” e não “leitor” já dá mostras da complexidade do problema. E aí até a velha distinção entre “alta literatura” e “subliteratura” fica superada, pois atualmente a cultura passou a ser vista como entretenimento e como um setor da economia. É o velho slogan do “leia o livro, assista o filme, ouça o disco”, rótulo que pode ser aplicado tanto ao “sério” e “culto” Ian McEwan para o “superficial” e “infantil” Harry Potter.

Tudo isso pra dizer que neste fim de semana assisti a “Crepúsculo“, filme baseado no romance de Stephanie Meyer.  Assisti não seria bem o termo. Eu acompanhei o filme, enquanto comia pizza e conversava com minha esposa e cunhado, a partir do terço inicial para o seu final. O que dizer de um filme/livro que conta a história de um triângulo amoroso entre uma mocinha, um vampiro e um lobisomem? E que o vampiro bonzinho faz parte de uma família de vampiros bonzinhos e “vegetarianos” (eles só sugam o sangue de animais, não de gente)? E que o romance dos dois é puro e virginal como um romance entre uma mocinha branca do sul dos Estados Unidos com um carinha que usa o anel de castidade dos Jonas Brothers (afinal de contas, Stephanie Meyer é mórmom praticante e sua saga serve também para embrulhar bem bonitinho o conceito de moralidade proto-cristã da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias)? Não há muito o que falar sobre o filme, mais do que haveria para falar de Bob Esponja, Padrinhos Mágicos ou Hannah Montana.

Que a sociedade americana, e por conseguinte a sociedade ocidental, está em franco e rápido processo de infantilização, cuja proliferação de “desenhos adultos” (não estou falando de paródias pornôs, mas de Simpsons, Family Guy e similares), transformação de baile de debutantes em bailinhos Disney (quando outrora eram o rito de passagem para a vida adulta – casamento, sexo e saída da casa dos pais inclusos) e a proliferação de especialistas para todas as áreas da vida privada, nós já sabemos. Que isto significa que, especilmente na indústria do entretenimento americana, a complexidade dos temas e a qualidade dos produtos ficma seriamente comprometidas em favor de uma “palatabilidade” mais geral possível, também.

Porém se o terreno da “coerência ideológica” está perdido, visto que a recente adaptação cinematográfica de Atonement (no Brasil recebeu o quase idiótico título de “Desejo e Reparação” – o que mostra a necessidade quase patológica de que tudo seja explicadinho e digerido nos mínimos detalhes para o deleite da massa) equipara em termos de “mercadoria” tanto a alta cultura quanto a subliteratura, ao menos no quesito “qualidade” há ainda alguma reserva. Resta saber por quanto tempo.

P.S. Sobre a questão da infantilização da sociedade, há este interessante artigo. Sobre o uso da ficção e da mitologica como meio de transmissão de valores morais, já escrevi aqui.

P.P.S. Para não dizer que o filme não presta para absolutamente nada, dá para dizer que Kristen Stewart é uma atriz boazinha, como seu papel de adolescente louquinha pra dar em “Na Natureza Selvagem” havia mostrado. Mas o grande achado do filme é a beleza (ainda que com pouco talento) de Ashley Greene.

P.P.P.S. Com um enfoque um pouco diferente (e muito mais bem escrito), o jornalista Maurício Stycer escreveu em seu blog um artigo que foi tuitado como “um tiozinho tentando entender Crepúsculo e Lua Nova”: aqui. Tiozinho. Pois é… foi assim que me senti.

Mitologia Georgelucana

Eu fui desafiado pelo Igor Otávio, colega comentarista do blog Trivela, blogueiro e absolutamente xarope, a tecer algumas linhas sobre “O Poderoso Chefão” ou “Star Wars“, dois ícones da cultura pop ocidental das últimas décadas do século XX e início do século XXI.

Pois bem, não é com pouca vergonha que tive de admitir não ter assistido a saga dos Corleones, uma das maiores obras-primas cinematográficas já feitas. Mas não preciso repetir a história sobre quão poucos filmes eu assisto, blá, blá, blá… Pelo menos em matéria de obra-prima já tive meu quinhão de “Cidadão Kane“, esse sim um marco.

Mas “Star Wars” não. Essa hexalogia (is there such word?) já faz parte do meu cabedal de inutilidades nerds, culturalmente irrelevantes e de questionável qualidade. Mas… como é legal!

starwars

Não  vou perder meu (e teu) tempo falando de enredo, de efeitos visuais, de uma série de assuntos que já foram devidamente explorados por muita gente muito mais brilhante (e tecnicamente capacitada) que eu.

Mas aspectos também interessantes mas de certa forma ocultados já foram também brilhantemente explorados. Por exemplo, a construção de uma mitologia durante a saga de “Star Wars”.

Na Superinteressante já foi publicada uma reportagem que desvela as associações entre os personagens de “Star Wars” e os personagens da mitologia clássica. Sim. “Star Wars” é uma deliberada tentativa de se construir uma mitologia, assim como a saga Tolkeniana do “Senhor dos Anéis” o é, como a saga Lewisiana de “Nárnia” o é. Como as complicadíssimas histórias de super-heróis da Marvel e da DC Comics o são. Até aqui, nenhuma novidade.

Para quem quiser conferir, eis parte da matéria:

Guerra nas Estrelas , a maior de todas as sagas
Quais são os símbolos e mitos que compõem as aventuras criadas por George Lucas.
por Leandro Sarmatz / Luiz Iria

Entenda como a série Guerra nas Estrelas transformou-se em objeto de adoração mística de milhões em todo o mundo. Quais são os símbolos e mitos que compõem as aventuras criadas por George Lucas? Com você, os bastidores daquela que pode ser a primeira religião surgida na era do entretenimento

“Se há apenas um Deus, por que há tantas religiões?”, perguntou o menino de apenas 10 anos à mãe. Não se sabe a resposta que a senhora Lucas deu ao curioso filho. A do moleque todos nós sabemos. George Lucas criou sua própria religião.

Desde 1977, quando Guerra nas Estrelas ganhou as telas de cinema do planeta, legiões de fãs de todas as idades e credos são continuamente mesmerizadas a cada novo episódio – o mais recente deles, O Ataque dos Clones, já pode ser conferido em todo o Brasil – pelas aventuras intergalácticas de Luke Skywalker contra o tenebroso Darth Vader. Uma odisséia permeada de elementos caros ao imaginário pop: histórias em quadrinhos, faroestes e ficção científica a granel.

Mas os fãs também arregalam os olhos para um detalhe: mais do que qualquer outro artefato da indústria do entretenimento, a saga do diretor e produtor George Lucas parece recheada com o material de que são feitos os mitos: o eterno embate entre o Bem e o Mal, a iniciação do herói, a busca por um sentido universal. Tudo isso, é claro, hollywoodianamente empacotado com os últimos avanços em efeitos especiais e editado na medida para tirar o fôlego da audiência. Continua aqui.

Também não entrando no mérito da qualidade (seria simplesmente inaceitável cotejar Homero, Sófocles e Aristófanes com esses exemplos de businessmen que são Tolken e Lucas), deve ser considerado um fator que às vezes escapa da compreensão do fã mais voraz de “Star Wars”: a função do mito.

Qual a função de uma mitologia, quer seja ela grega, nórdica, bíblica, tolkeniana ou starwariana? Apenas uma: transmitir e valorizar os aspectos conservadores da sociedade. As crenças e culturas que servem como cimento social, que amainam as possíveis inquietações que suscitariam a insatisfação de classe. A ideologia dominante que naturaliza os aspectos da superestrutura da sociedade. Portanto, no caso de “Senhor dos Anéis”, “Crônicas de Nárnia” e “Star Wars”, as mitologias servem para perpetuar e naturalizar os valores do cristianismo.

Em “Nárnia” e “Senhor dos Anéis” essa intenção é clara e explícita, até pela militância religiosa de Lewis (anglicano) e Tolken (católico romano). Mas “Star Wars”, mesmo sem a expressa e intencional vontade de George Lucas se presta ao mesmo papel. Não apenas por colocar em palco a “eterna batalha entre o bem e o mal” (que chavão mais insuportável), mas por colocar essa batalha em termos éticos, espirituais e transcedentais, não em termos políticos e ideológicos.

A esperança messiânica de “Star Wars” é tão evidente que até a concepção virginal existiu. Embora o messias prometido, no caso Anakin Skywalker, tenha cometido o pecado original (passou pro lado negro da força), a redenção lhe foi possibilitada através do sacrifício do filho (Luke Skywalker). Os lados escuro e claro da força são a representação das forças divinas e satânicas segundo a teologia católica medieval, que colocava Deus e Satanás como forças antagônicas e equivalentes que disputavam a alma dos mortais na terra. Bem diferente da concepção protestante de soberania divina, elaborada por Lutero e desenvolvida por Calvino (essa concepção de forças equivalentes foi retomada no protestantismo através do pentecostalismo – ironicamente mais próximo do catolicismo romano do que os pentecostais gostariam de admitir). E o imperador Palpatine, com sua lábia e sua sedutora oferta de poder, é a mais bem acabada representação de Satanás na cinegrafia recente.

Religião católica para uma sociedade secular. Por mais que nossos jovens livres-pensadores queiram proclamar sua emancipação em relação aos valores morais cristãos, não conseguem.

Autoparódia

Me lembro até hoje do dia em que meu pai nos levou para assistir “Indiana Jones e Última Cruzada” no cinema. Ano de 1989, fomos ao antigo Cine Comodoro, na Avenida São João. Era um cinema imenso, majestoso, com projeção em 35 mm (o padrão é 16 mm), tela gigantesca e mais de mil assentos.

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Eu, então com quinze anos, havia assistido aos dois primeiros filmes da série em videocassete Sony padrão Betamax, “Os Caçadores da Arca Perdida” e “Indiana Jones e o Templo da Perdição“.

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Foi com essas lembranças que recebi o lançamento do novo Indiana em 2008 e, como sempre, com dor no coração deixei de assistí-lo em película, numa (já não tão grande e majestosa como o finado Comodoro) sala de cinema. Mas como a vida sempre nos oferece oportunidades para compensarmos a falta de “timing”, assisti na última semana o filme.

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E a sensação foi de frustração. Não pelo fato do Harrison Ford ser um velho e, portanto, completamente iverossímeis as cenas de aventura. Nem pelo fato da trama ser extremamente fraca.

Mas porque o negócio se tornou uma paródia de si mesmo. O roteiro é ruim. As interpretações são ruins. As reviravoltas são previsíveis. A (costumeiramente maravilhosa) Cate Blanchett está constrangedoramente ruim. Os clichês, até justificáveis nesse gênero, desfilam embaraçosamente na frente do espectador.

A série ganharia mais se tivesse terminado no terceiro episódio.

De trás pra frente

Assisti neste fim de semana o filme “O Curioso Caso de Benjamin Button“. Como expliquei anteriormente, não vou às salas de cinema com a frequência que gostaria, o que faz com que meu papo cinematográfico seja sempre meses atrasado.

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O filme é muito bom. Lembro-me de algumas críticas contraditórias na época de seu lançamento, algumas elogiando-o profusamente e outras menos empolgadas. De qualquer modo o Brad Pitt está bem como o personagem título (além de usar uma maquiagem bastante interessante – não assisti “O Leitor” mas alguns dos comentários negativos se deram em relação à maquiagem da Kate Winslett). Mas a Cate Blanchett, ah… Cate Blanchett, não por acaso é uma das minhas favoritas.

E a história, quase que uma ode à vida (pelo menos assim a vi) é baseada em um conto do escritor americano F.Scott Fitzgerald. Mas como não o li (ainda), me lembrei de outra obra literária com tema semelhante. “And Again?” de Sean O’Faolain.

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A diferença em relação a Benjamin Button, que nasce velho e rejuvenesce à medida em que passa o tempo, é que o personagem principal do romance do autor irlandês é escolhido pelos deuses para servir de experimento: um ser humano terá a oportunidade de ter uma segunda vida. Porém, ao invés de “reencarnar”, o cara vai reviver tudo de trás pra frente, dos 60 anos de idade até voltar à infância e desaparecer como células reprodutivas. E, claro, sem se lembrar de um único episódio de sua vida anterior.

É uma delícia de leitura. Muito engraçado, principalmente nas cenas onde ele reencontra pessoas com quem já havia convivido antes porém sem lembrar-se de um único detalhe.

A reconstrução dos relacionamentos, o envolvimento amoroso do personagem principal respectivamente com mãe, filha e neta, a intrincada teia de referências literárias que vão de Edgar Allan Poe, passando por Charles Dickens, Samuel Taylor Coleridge e outros e o tema da constante solidão do personagem torna a leitura ao mesmo tempo divertida e profunda. Engraçada e melancólica.

Definitivamente recomendado. Infelizmente, nunca editado no Brasil. Quem garimpá-lo será premiado.

Polaroids européias

Sou uma pessoa que vai muito pouco, pouquíssimo no cinema. Muito menos do que gostaria.

Então eu estou sempre atrasado no papo cinematográfico.

Nas últimas semanas, coincidentemente, assisti a diversos filmes que tinham a Europa em seu escopo, principalmente França e Espanha. Vi alguns, outros revi e um deles (aleluia!) vi no cinema. Vamos a eles:

le_fabuleux_destin_d_amelie_poulain_frontO Fabuloso Destino de Amélie Poulain. A Poliana francesa. O toque surreal do enredo e do final até que torna mais leve a sensação de mal-estar, de desajuste, de desenraização. E, claro, aquele final feliz não engana a ninguém. A solidão parece ser uma marca francesa mesmo.

irreversible_ver2Irreversível. O mal-estar elevado à enésima potência. Quem não saiu do cinema (ou deu “stop” no dvd player) na cena inicial, o fez na cena do túnel. A montagem em sentido cronológico inverso enfatiza o título do filme, que indica a inexorabilidade da dissolução, migrando do idílico ao trágico. A fragilidade das relações a despeito da vida sendo vivida a toda velocidade. Ressentimento de classe nada sutilmente posto em cena. 

paris-cedric-klapisch-albert-dupontel-juliette-binoche-romain-duris-fabrice-luchini_300Paris. Melancólico. Superficialmente bela, a cidade de Paris abriga pessoas que não conseguem criar laços, não conseguem se relacionarem umas com as outras. A solidão parece ser um estado ao qual as pessoas estão condenadas, assim como à liberdade, segundo Sartre.

vicky_cristina_barcelona1Vicky Cristina Barcelona. Um olhar americano, de Woody Allen, sobre a pulsante e erótica metrópole catalã. Chapa branca? Sim, um pouco. Javier Barden encarna um estereótipo do europeu no imaginário norte-americano. Sedutor, artístico, misterioso. Porém a cena final, com Vicky e Cristina retornando a Nova Iorque com o fracasso e a desesperança estampados em seus rostos é histórica.

Carne_tremulaCarne Trêmula. Um antigo de Almodóvar, também com Barden e Penélope Cruz no elenco, em uma curtíssima mas marcante participação. Almodóvar começa a segurar as tintas, até então carregadas, em sua escrachada ironia à sociedade patriarcal, o que a torna ainda mais contundente, pois sequer dá ao espectador a prerrogativa do alívio cômico característico de sua fase anterior. Seu estilo seria elevado ao estado-de-arte nos dois filmes posteriores, Tudo sobre sua mãe e principalmente em Fale com ela. O final melodramático e “feliz” quebra totalmente a curva do filme, introduzindo o elemento “palatável” ao grande público, solapando o efeito trágico que o filme constrói.

piaf-posterPiaf. Lindíssima cinebiografia de Edith Piaf. Marion Cotillard está em atuação maravilhosa. Houve uma certa comparação com outra biografia nas telas lançada recentemente, Maysa, mas embora ambas as cantoras sejam fantásticas, a comparação é cruel com a atriz brasileira. Maysa parecia caricatural e monofacetada. Cotillard conseguiu mostrar a complexidade de Piaf em cenas ternas, desesperadas, desesperançadas e serenas que nem de longe sua colega brasileira conseguiria. E a trilha sonora (semelhantemente à produção nacional) é sensacional.

2jc7savEu, meu irmão e nossa namorada. Assim como Vicky Cristina Barcelona, é americano. Mas tem ao menos Juliette Binoche no elenco. E, cá pra nós, uma Juliette Binoche vale mais que umas duas centenas de Meg Ryans. O talento da francesa e de Steve Carrell fazem dessa comediazinha dispensável um programa bastante agradável. A trilha sonora de Sondre Lerche é muito boa, com destaque para a canção Hell, no!, com Regina Spektor.

Enfim. Um breve passeio pelo velho continente, rápido e superficial como um pacote da CVC.

Paper planes

Um dos melhores filmes que assisti neste ano é “Quem quer ser um milionário” (Slumdog Millionaire), papão do Oscar deste ano.

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Claro, como não poderia deixar de acontecer,  a crítica simplesmente assassinou o filme. “História de amor”, “como o amor supera as dificuldades”, “como o esforço compensa”. Meudeudocéu… quanta papagaiada.

E a chave interpretativa é simplesmente a cena final. Os créditos. A dancinha a lá Bollywood mostra que quem acreditou no melodrama fez papel de tonto. Tão iverossímil quanto qualquer dramalhão bollywoodiano foi o filme do Boyd. E é isso mesmo. Explicitamente iverossímil, quase. Ou alguém acha que um órfão favelado irá realizar sua love story, seu amor impossível com a namoradinha do gangster fodão, que seu irmão mau caráter terá a redenção final, que o malvado pagaria por toda sua malvadeza e o mocinho e a mocinha (sofredores que só eles) teriam finalmente encontrado a fortuna e a felicidade que tanto merecem?

Assim como Charles Dickens, a opção pelo sentimentalismo (li em algum canto da net que o filme é uma espécie de “Oliver Twist encontra com Bollywood”) foi o que o tornou palatável. Insidiosamente essa polaroid político-econômica (e que mostrou o lado feio de tudo isso, diferentemente do quase – quase? – chapa-branca e purpurinado Vicky Cristina Barcelona) penetrou na festa do Oscar, que premia babaquices monumentais como Shakespeare Apaixonado, e rapou a mesa, deixando os bonitinhos de Hollywood com cara de tacho.

Só que o filme já está velho e muita coisa interessante já foi dita (e muito melhor do que eu diria, inclusive) sobre o filme. Porém o que mais me chamou a atenção não foi o que eu vi, mas o que ouvi.

E a responsável por isso chama-se M.I.A. A cena que praticamente resume o filme e suas intenções tem como trilha sonora Paper Planes, canção do último álbum de M.I.A.

Pra entender o filme, precisa entender a canção, e pra entender a canção, precisa entender M.I.A.

Mathangi “Maya” Arulpragasam é mais conhecida em terras tapuias por ter sampleado uns lances de funk no seu primeiro álbum, mas ela é muito mais que isso. Ela é descendente de tâmil, uma minoria étnica no Sri Lanka cujo movimento separatista foi recentemente aniquilado e seu pai  se tornou membro da guerrilha tâmil. Sua infância foi uma sucessão de viagens, mudanças, fugas, até que a família se estabeleceu definitivamente em Londres.

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E a canção é auto-explicativa, com seus ruídos de revólveres e caixas registradoras. Não por acaso o gângster do filme se torna um grande empresário do ramo imobiliário – assim como os colonizadores se tornaram grandes magnatas nas antigas colônias. Tão ou mais fundamental quanto o filme.

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Marie e Eu

No último dia 12/07 assisti ao badalado Marley e Eu. É o tipo de filme que eu não assistiria de livre e espontânea vontade jamais. Na verdade assisti em uma sessão com os alunos da escola de inglês onde eu leciono em um projeto muito legal chamado Escola No Cinema onde pudemos levar nossos alunos a uma sessão no Espaço Unibanco na Augusta, em São Paulo.

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Voltando ao filme. É o típico filme que eu, do alto do meu pedantismo pseudo-crítico literário, diria ser piegas, forçado, manipulativo e ideológico (marxistamente falando). E, de fato, é. O filme, principalmente a partir do momento do sacrifício do cãozinho até seu sepultamento, é um festival de lágrimas artificialmente criadas através da trilha sonora, do prolongamento das cenas sentimentais e do uso exaustivo das técnicas do melodrama. Uma pieguice sem tamanho.

Isso se eu não tivesse adotado um cão a poucos meses.

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Na verdade minha esposa pegou a Marie, então um filhote de menos de dois meses, na rua, onde havia sido jogada juntamente com dois irmãozinhos, dentro de um saco embaixo do pneu de um carro estacionado. O carro saiu e esmagou os outros dois cachorros. A Marisa pegou o filhote sobrevivente, levou pra veterinária e ao chegar em casa me deparei com o cachorro. Como havíamos conversado na noite anterior sobre adotarmos um (ela comentara sobre um daqueles horrendos pugs, credo) pensei que ela se antecipara a mim e conseguido o cachorro.

E desde então temos a Marie conosco. Agora é uma cachorra de quase oito meses. Ao assistir o (chatíssimo) filme, não pude evitar rir das cenas que quem não tem um cão não consegue entender. Tanto nas cenas onde o labrador ganhou a alcunha de “pior cão do mundo”, como nas onde explicita-se a formação da relação sentimental que se forma entre o cão e o dono.  Além da enorme semelhança nas destruições, há a constatação de que a Marie só não é a pior cachorra do mundo primeiramente por não ser grande e forte como um labrador e também por não ficar dentro de casa o tempo todo. Assim não há como comer o estofado da sala de estar.

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Falando em labrador, minha primeira tentativa de adotar um cão foi a alguns anos, quando adotamos Vênus, uma cadela labrador preta. O nome foi em homenagem à tenista Venus Williams, como nossa labrador, negra, linda e forte. Na época foi impossível permanecer com ela e a doamos para uma família, que a levaria para uma casa de campo após ter permanecido conosco por aproximadamente um mês.

Mas hoje ficamos com nossa cadela SRD (sem raça definida: eufemismo para vira-latas), que em sua corrida para tirar do falecido Marley a posição de “pior cão do mundo” dependurou-se pelos dentes no fio da máquina de lavar, arrancando-o da tomada totalmente destroçado. Ela terá muitos anos pela frente para conseguir este título.