Ah, a Copa de Zidane. E da convulsão de Ronaldo. Mas também de belos gols. Ei-los.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Ah, a Copa de Zidane. E da convulsão de Ronaldo. Mas também de belos gols. Ei-los.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Alguns anos atrás haviam poucas opções para a pessoa que aprecia cervejas de qualidade (por favor, não me venham falar em Skol!!!!), entre as quais a importadora Boxer. A importadora trabalha com cervejas inglesas como a Old Speckled Hen, Newcastle Brown Ale, Abbot Ale além da excepcional linha da Fuller’s, entre outras.
Entre as cervejas distribuidas pela Boxer está a excelente Special Premium Bitter Ruddles County. É uma ale âmbar avermelhada, com espuma densa e bege e um excelente aroma de lúpulo. O lúpulo salta da latinha da Ruddles County. Aromas florais, cítricos e frutados se combinam com o sabor amargo (e põe amargo) da cerveja. Mas seu amargor não impede que ela seja consumida em quantidade ou aos goles, pois a cerveja é bastante refrescante.
Um consumidor brasileiro desavisado chamaria esta cerveja de “forte”, pois seu amargor se impõe no paladar, porém seu teor alcoólico é moderado (4,7º).
Excelente representante da escola inglesa de cervejas, que costumam ter personalidade própria.
EXEGI MONUMENTUM AERE PERENNIUS
REGALIQUE SITU PYRAMIDUM ALTIUS,
QUOD NON IMBER EDAX, NON AQUILO IMPOTENS
POSSIT DIRUERE AUT INNUMERABILIS
ANNORUM SERIES ET FUGA TEMPORUM:
NON OMNIS MORIAR MULTAQUE PARS MEI
UITABIT LIBITINAM; USQUE EGO POSTERA
CRESCAM LAUDE RECENS, DUM CAPITOLIUM
SCANDET CUM TACITA UIRGINE PONTIFEX;
DICAR, QUA UIOLENS OBSTREPIT AUFIDUS
ET QUA PAUPER AQUAE DAUNUS AGRESTIUM
REGNAUIT POPULORUM, EX HUMILI POTENS,
PRINCEPS AEOLIUM CARMEN AD ITALOS
DEDUXISSE MODOS. SUME SUPERBIAM
QUAESTAM MERITIS ET MIHI DELPHICA
LAURO CINGE UOLENS, MELPOMENE, COMAM.
Mais perene que o bronze um monumento
ergui, mais alto e régio que as pirâmides,
nem o roer da chuva nem a fúria
de Áquilo o tocarão, tampouco o tempo
ou a série de anos. Imortal
em grande parte, a morte só de pouco
de mim se apossará. Que eu semprenovo,
acrescido em louvor, hei de crescer
enquanto ao Capitólio suba o Sumo
sacerdote e a calada vestal. Aonde
violento o Áufido espadana, aonde
depauperado de água o Dauno agrestes
povos regeu, de humilde a poderoso
dirão que eu passei: príncipe, o primeiro
em dar o eólio canto ao modo itálico.
Assume os altos méritos, Melpómene:
cinge-me a fronte do laurel de Apolo.
(Tradução de Haroldo de Campos).
Uma das minhas áreas de estudo (na faculdade) e interesse pessoal é tradução. Já até postei aqui neste blog uma tradução coletiva que eu e um grupo de colegas fizemos de um conto de Katherine Mansfield: Her First Ball (Seu Primeiro Baile). Pois lendo o blog do Sérgio Rodrigues, romancista e crítico literário, topei com a seguinte notícia que beira o bizarro:
“Editora processa blogueira: pode plagiar esta notícia
A tradutora e blogueira Denise Bottmann, do site Não Gosto de Plágio, precisa de ajuda. Caçadora mais ou menos solitária de picaretas editoriais, está sendo processada pela editora Landmark, que pede ao juiz indenização mais a retirada de seu blog do ar – informa Alessandro Martins, do blog Livros e Afins. Tudo por ter denunciado que a tradução de “Persuasão”, de Jane Austen, lançada pela Landmark com a assinatura de um de seus proprietários, Fábio Cyrino, seria praticamente um xerox de uma antiga – e fraca – tradução portuguesa da lavra de Isabel Sequeira, até em seus numerosos erros. A blogueira Raquel Sallaberry, do Jane Austen em Português, também está sendo processada pela editora.
Caso a denúncia seja mesmo na mosca, como os exemplos citados em seu blog indicam (tem até uma mesma gralha cômica, “átrio” virando “trio” em ambos os textos), Denise terá exposto mais uma vez o golpe de requentar traduções sem pagamento de direitos, bandeira de subdesenvolvimento cultural que infelizmente está longe de ser novidade no Brasil. Se você também não gosta de plágio, ajude a espalhar a notícia.”
Incrível, não? A blogueira Denise Bottman denuncia uma desonestidade intelectual e é ameaçada de processo pelos autores da desonestidade intelectual. O máximo, não? Ainda não. Veja o que a Denise publica hoje em seu blog:
numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas traduções de persuasão, de jane austen, e o morro dos ventos uivantes, de emily brontë, ambas publicadas pela referida editora em 2007.
além de vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais, os reclamantes solicitaram:
- ”publicidade restrita”, isto é, que o processo corresse em sigilo de justiça,
- a remoção do blog nãogostodeplágio da internet, invocando o “direito de esquecimento”,
- ”antecipação dos efeitos da tutela de mérito”, isto é, que a justiça determinasse a remoção imediata do blog antes da avaliação do mérito da ação impetrada.
o juiz, em seu despacho, não determinou segredo de justiça e negou a antecipação de tutela, por considerar que se trata de uma questão complexa, envolvendo discussão a respeito da liberdade de expressão e crítica na internet, sendo necessária uma análise mais apurada dos fatos para verificar a verossimilhança das alegações.
entre as variadas reações extrajudiciais e judiciais que tenho enfrentado a partir das denúncias feitas aqui no nãogostodeplágio, esta é a primeira que solicita a remoção do blog.
isso, a meu ver, extrapola o campo em que devo me defender contra acusações de pretensa denunciação caluniosa e adquire envergadura mais ampla. estamos aqui numa seara muito mais delicada e fundamental, a saber, a simples e básica necessidade de constante defesa do estado de direito, contra tentativas de amordaçamento e atropelo das garantias democráticas da sociedade.”
Renovo o pedido do Sérgio Rodrigues: podem plagiar a notícia.
Eu prometi a mim mesmo que não iria reclamar mais. Mas eu acho que todo mundo sabe do que eu estou falando… quando se nasce classe média não se experimenta a sensação que eu descreverei, afinal já se nasce num lar que conta com tv por assinatura via cabo ou miniparabólica e já se convive desde sempre com a infinidade de canais pagos. Mas quem antes era um escravo da meia-dúzia de canais abertos, sendo refém de Super Cines, Zorras Totais e Serginhos Groismans conhece bem o friozinho na barriga que dá quando o homem da tv por assinatura chega para instalar o equipamento. “Nunca mais assistirei Zorra Total, Luciana Gimenez e Ratinho…” a gente esperançosamente imagina, quase como uma criança solta na loja de doces.
Mais tempo, menos tempo o choque de realidade toma conta e percebemos que não somos mais reféns de meia duzia de canais porcarias, mas sim de meia centena de canais porcarias, e sobe a grade, desce a grade duas vezes com o controle remoto e mesmo assim nada que presta parece estar passando (ou com previsão de passar nas próximas quatro horas).
Faz parte…
Nesse espírito e ainda em clima de fim de férias (como sou professor, trampo mesmo de verdade só com a volta às aulas) eu estava zapeando pelos canais de filmes quando decidimos (eu e a Marisa) parar num filme policial que estava passando. Era uma típica cena de perseguição policial onde uma dupla de bandidos (Samuel L.Jackson e o excelente Robert Carlyle, de bons filmes como a comédia histórica Plunkett e Macleane, a excelente comédia social Ou tudo Ou Nada e o drama hardcore Trainspotting) fugia de policiais e outra gangue de bandidos, com uma misteriosa mulher seguindo a todos à distância.
Havia percebido se tratar de uma perseguição nas ruas de uma cidade inglesa. Além dos indefectíveis tijolinhos vermelhos, os motoristas sentavam-se à direita. Mas em um determinado momento o carro passa voando (??? ) por uma construção famosa e ao aterrisar (???????) numa balsa de transporte de lixo eu falei pra Marisa: “o filme se passa em Liverpool.”
O prédio famoso é o Royal Liver Building, que além de inconfundível, tem em suas torres as figuras de dois Liver Birds. O Liver Bird é um pássaro mítico que é o símbolo da cidade de Liverpool (além de ser o escudo do Liverpool FC).
Outro motivo que levou-me a identificar a cidade (isso antes do personagem de Samuel L.Jackson chamá-la de “Liver’fuckin’pool, traduzida por “nessa porra de Liverpool”) foi o fato do personagem do Carlyle e o cara que conduzia a balsa estarem com camisas do Liverpool FC.

Pois graças a esse incentivo resolvi encarar o filme na quente e lassa noite de sábado. O filme é Fórmula 51. Um químico, Elmo McEnroy (Jackson) desenvolve uma poderosa droga, segundo ele 51 vezes mais potente que a cocaína, 51 vezes mais alucinógena que o ácido e 51 vezes mais explosiva que o ecstasy. Elimina seu chefe, o traficante interpretado por Meat Loaf (???? de Bat Ou of Hell? Uau) e tenta negociar a droga com um traficante local, além de fugir da assassina profissional Dakota (interpretada por Emily Mortimer, a atrapalhada secretária de Clouseau no remake da Pantera Cor de Rosa).
Mas o máximo da fita é que a negociação da droga acontece durante uma partida do Liverpool, num dos camarotes executivos do mítico estádio de Anfield Road. Felix de Sousa (Carlyle), torcedor fanático do Liverpool, não sossega enquanto não assiste a partida do time naquela tarde, e a negociação é marcada para o estádio.
Diversão descompromissada para uma noite de sábado. Mas valeu pelo tour pela cidade de Liverpool e pelo interior do estádio.
Desta vez no You Tube o título dos vídeos é “The Greatest Goals of World Cup 1994″. Portanto, não tenho certeza se todos os gols estão nos vídeos. Enfim, de qualquer forma, eis mais uma festa de gols.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Ash-Wednesday
Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn
Desiring this man’s gift and that man’s scope
I no longer strive to strive towards such things
(Why should the aged eagle stretch its wings?)
Why should I mourn
The vanished power of the usual reign?
Because I do not hope to know again
The infirm glory of the positive hour
Because I do not think
Because I know I shall not know
The one veritable transitory power
Because I cannot drink
There, where trees flower, and springs flow, for there is nothing again
Because I know that time is always time
And place is always and only place
And what is actual is actual only for one time
And only for one place
I rejoice that things are as they are and
I renounce the blessed face
And renounce the voice
Because I cannot hope to turn again
Consequently I rejoice, having to construct something
Upon which to rejoice
And pray to God to have mercy upon us
And pray that I may forget
These matters that with myself I too much discuss
Too much explain
Because I do not hope to turn again
Let these words answer
For what is done, not to be done again
May the judgement not be too heavy upon us
Because these wings are no longer wings to fly
But merely vans to beat the air
The air which is now thoroughly small and dry
Smaller and dryer than the will
Teach us to care and not to care
Teach us to sit still.
Pray for us sinners now and at the hour of our death
Pray for us now and at the hour of our death.
II
Lady, three white leopards sat under a juniper-tree
In the cool of the day, having fed to satiety
On my legs my heart my liver and that which had been contained
In the hollow round of my skull. And God said
Shall these bones live? shall these
Bones live? And that which had been contained
In the bones (which were already dry) said chirping:
Because of the goodness of this Lady
And because of her loveliness, and because
She honours the Virgin in meditation,
We shine with brightness. And I who am here dissembled
Proffer my deeds to oblivion, and my love
To the posterity of the desert and the fruit of the gourd.
It is this which recovers
My guts the strings of my eyes and the indigestible portions
Which the leopards reject. The Lady is withdrawn
In a white gown, to contemplation, in a white gown.
Let the whiteness of bones atone to forgetfulness.
There is no life in them. As I am forgotten
And would be forgotten, so I would forget
Thus devoted, concentrated in purpose. And God said
Prophesy to the wind, to the wind only for only
The wind will listen. And the bones sang chirping
With the burden of the grasshopper, saying
Lady of silences
Calm and distressed
Torn and most whole
Rose of memory
Rose of forgetfulness
Exhausted and life-giving
Worried reposeful
The single Rose
Is now the Garden
Where all loves end
Terminate torment
Of love unsatisfied
The greater torment
Of love satisfied
End of the endless
Journey to no end
Conclusion of all that
Is inconclusible
Speech without word and
Word of no speech
Grace to the Mother
For the Garden
Where all love ends.
Under a juniper-tree the bones sang, scattered and shining
We are glad to be scattered, we did little good to each other,
Under a tree in the cool of the day, with the blessing of sand,
Forgetting themselves and each other, united
In the quiet of the desert. This is the land which ye
Shall divide by lot. And neither division nor unity
Matters. This is the land. We have our inheritance.
III
At the first turning of the second stair
I turned and saw below
The same shape twisted on the banister
Under the vapour in the fetid air
Struggling with the devil of the stairs who wears
The deceitul face of hope and of despair.
At the second turning of the second stair
I left them twisting, turning below;
There were no more faces and the stair was dark,
Damp, jagged, like an old man’s mouth drivelling, beyond repair,
Or the toothed gullet of an aged shark.
At the first turning of the third stair
Was a slotted window bellied like the figs’s fruit
And beyond the hawthorn blossom and a pasture scene
The broadbacked figure drest in blue and green
Enchanted the maytime with an antique flute.
Blown hair is sweet, brown hair over the mouth blown,
Lilac and brown hair;
Distraction, music of the flute, stops and steps of the mind over the third stair,
Fading, fading; strength beyond hope and despair
Climbing the third stair.
Lord, I am not worthy
Lord, I am not worthy
but speak the word only.
IV
Who walked between the violet and the violet
Who walked between
The various ranks of varied green
Going in white and blue, in Mary’s colour,
Talking of trivial things
In ignorance and knowledge of eternal dolour
Who moved among the others as they walked,
Who then made strong the fountains and made fresh the springs
Made cool the dry rock and made firm the sand
In blue of larkspur, blue of Mary’s colour,
Sovegna vos
Here are the years that walk between, bearing
Away the fiddles and the flutes, restoring
One who moves in the time between sleep and waking, wearing
White light folded, sheathing about her, folded.
The new years walk, restoring
Through a bright cloud of tears, the years, restoring
With a new verse the ancient rhyme. Redeem
The time. Redeem
The unread vision in the higher dream
While jewelled unicorns draw by the gilded hearse.
The silent sister veiled in white and blue
Between the yews, behind the garden god,
Whose flute is breathless, bent her head and signed but spoke no word
But the fountain sprang up and the bird sang down
Redeem the time, redeem the dream
The token of the word unheard, unspoken
Till the wind shake a thousand whispers from the yew
And after this our exile
V
If the lost word is lost, if the spent word is spent
If the unheard, unspoken
Word is unspoken, unheard;
Still is the unspoken word, the Word unheard,
The Word without a word, the Word within
The world and for the world;
And the light shone in darkness and
Against the Word the unstilled world still whirled
About the centre of the silent Word.
O my people, what have I done unto thee.
Where shall the word be found, where will the word
Resound? Not here, there is not enough silence
Not on the sea or on the islands, not
On the mainland, in the desert or the rain land,
For those who walk in darkness
Both in the day time and in the night time
The right time and the right place are not here
No place of grace for those who avoid the face
No time to rejoice for those who walk among noise and deny the voice
Will the veiled sister pray for
Those who walk in darkness, who chose thee and oppose thee,
Those who are torn on the horn between season and season, time and time, between
Hour and hour, word and word, power and power, those who wait
In darkness? Will the veiled sister pray
For children at the gate
Who will not go away and cannot pray:
Pray for those who chose and oppose
O my people, what have I done unto thee.
Will the veiled sister between the slender
Yew trees pray for those who offend her
And are terrified and cannot surrender
And affirm before the world and deny between the rocks
In the last desert before the last blue rocks
The desert in the garden the garden in the desert
Of drouth, spitting from the mouth the withered apple-seed.
O my people.
VI
Although I do not hope to turn again
Although I do not hope
Although I do not hope to turn
Wavering between the profit and the loss
In this brief transit where the dreams cross
The dreamcrossed twilight between birth and dying
(Bless me father) though I do not wish to wish these things
From the wide window towards the granite shore
The white sails still fly seaward, seaward flying
Unbroken wings
And the lost heart stiffens and rejoices
In the lost lilac and the lost sea voices
And the weak spirit quickens to rebel
For the bent golden-rod and the lost sea smell
Quickens to recover
The cry of quail and the whirling plover
And the blind eye creates
The empty forms between the ivory gates
And smell renews the salt savour of the sandy earth This is the time of tension between dying and birth The place of solitude where three dreams cross Between blue rocks But when the voices shaken from the yew-tree drift away Let the other yew be shaken and reply.
Blessed sister, holy mother, spirit of the fountain, spirit of the garden,
Suffer us not to mock ourselves with falsehood
Teach us to care and not to care
Teach us to sit still
Even among these rocks,
Our peace in His will
And even among these rocks
Sister, mother
And spirit of the river, spirit of the sea,
Suffer me not to be separated
And let my cry come unto Thee.
Quarta Feira de Cinzas
I
Porque não mais espero retornar
Porque não espero
Porque não espero retornar
A este invejando-lhe o dom e àquele o seu projeto
Não mais me empenho no .empenho de tais coisas
(Por que abriria a velha águia suas asas?)
Por que lamentaria eu, afinal,
O esvaído poder do reino trivial?
Porque não mais espero conhecer
A vacilante glória da hora positiva
Porque não penso mais
Porque sei que nada saberei
Do único poder fugaz e verdadeiro
Porque não posso beber
Lá, onde as árvores florescem e as fontes rumorejam,
Pois lá nada retorna à sua forma
Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De que me possa depois rejubilar
E rogo a Deus que de nós se compadeça
E rogo a Deus porque esquecer desejo
Estas coisas que comigo por demais discuto
Por demais explico
Porque não mais espero retornar
Que estas palavras afinal respondam
Por tudo o que foi feito e que refeito não será
E que a sentença por demais não pese sobre nós
Porque estas asas de voar já se esqueceram
E no ar apenas são andrajos que se arqueiam
No ar agora cabalmente exíguo e seco
Mais exíguo e mais seco que o desejo
Ensinai-nos o desvelo e o menosprezo
Ensinai-nos a estar postos em sossego.
Rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte
Rogai por nós agora e na hora de nossa morte.
II
Senhora, três leopardos brancos sob um zimbro
Ao frescor do dia repousavam, saciados
De meus braços meu coração meu fígado e do que havia
Na esfera oca do meu crânio. E disse Deus:
Viverão tais ossos? Tais ossos
Viverão? E o que pulsara outrora
Nos ossos (secos agora) disse num cicio:
~raças à bondade desta Dama
E à sua beleza, e porque ela
A meditar venera a Virgem,
É que em fulgor resplandecemos. E eu que estou aqui
dissimulado
Meus feitos ofereço ao esquecimento, e consagro meu amor
Aos herdeiros do deserto e aos frutos ressequidos.
Isto é o que preserva
Minhas vísceras a fonte de meus olhos e as partes indigestas
Que os leopardos rejeitaram. A Dama retirou-se
De branco vestida, orando, de branco vestida.
Que a brancura dos ossos resgate o esquecimento.
A vida os excluiu. Como esquecido fui
E preferi que o fosse, também quero esquecer
Assim contrito, absorto em devoção. E disse Deus:
Profetiza ao vento e ao vento apenas, pois somente
O vento escutará. E os ossos cantaram em uníssono
Com o estribilho dos grilos, sussurrando:
Senhora dos silêncios
Serena e aflita
Lacerada e indivisa
Rosa da memória
Rosa do oblívio
Exânime e instigante
Atormentada tranqüila
A única Rosa em que
Consiste agora o jardim
Onde todo amor termina
Extinto o tormento
Do amor insatisfeito
Da aflição maior ainda
Do amor já satisfeito
Fim da infinita
jornada sem termo
Conclusão de tudo
O que não finda
Fala sem palavra
E palavra sem fala
Louvemos a Mãe
Pelo Jardim
Onde todo amor termina.
Cantavam os ossos sob um zimbro, dispersos e alvadios,
Alegramo-nos de estar aqui dispersos,
Pois uns aos outros bem nenhum fazíamos,
Sob uma árvore ao frescor do ~a, com a bênção das areias,
Esquecendo uns aos outros e a nós próprios, reunidos
Na quietude do deserto. Eis a terra
Que dividireis conforme a sorte. E partilha ou comunhão
Não importam. Eis a terra. Nossa herança.
III
Na primeira volta da segunda escada
Voltei-me e vi lá embaixo
O mesmo vulto enrodilhado ao corrimão
Sob os miasmas que no fétido ar boiavam
Combatendo o demônio das escadas, oculto
Em dúbia face de esperança e desespero.
Na segunda volta da segunda escada
Deixei-os entrançados, rodopiando lá embaixo;
Nenhuma face mais na escada em trevas,
Carcomida e úmida, como a boca
Imprestável e babugenta de um ancião,
Ou a goela serrilhada de um velho tubarão.
Na primeira volta da terceira escada
Uma túmida ventana se rompia como um figo
E além do espinheiro em flor e da cena pastoril
A silhueta espadaúda de verde e azul vestida
Encantava maio com uma flauta antiga.
Doce é o cabelo em desalinho, os fios castanhos
Tangidos por um sopro sobre os lábios,
Cabelos castanhos e lilases;
Frêmito, música de flauta, pausas e passos
Do espírito a subir pela terceira escada,
Esmorecendo, esmorecendo; esforço
Para além da esperança e do desespero
Galgando a terça escala.
Senhor, eu não sou digno
Senhor, eu não sou digno
mas dizei somente uma palavra.
IV
Quem caminhou entre o violeta e o violeta
Quem caminhou por entre
Os vários renques de verdes diferentes
De azul e branco, as cores de Maria,
Falando sobre coisas triviais
Na ignorância e no saber da dor eterna
Quem se moveu por entre os outros e como eles caminhou
Quem pois revigorou as fontes e as nascentes tornou puras
Tornou fresca a rocha seca e solidez deu às areias
De azul das esporinhas, a azul cor de Maria,
Sovegna vos
Eis os anos que permeiam, arrebatando
Flautas e violinos, restituindo
Aquela que no tempo flui entre o sono e a vigília, oculta
Nas brancas dobras de luz que em torno dela se embainham.
Os novos anos se avizinham, revivendo
Através de uma faiscante nuvem de lágrimas, os anos,
resgatando
Com um verso novo antigas rimas. Redimem
O tempo, redimem
A indecifrada visão do sonho mais sublime
Enquanto ajaezados unicórnios a essa de ouro conduzem.
A irmã silenciosa em véus brancos e azuis
Por entre os teixos, atrás do deus do jardim,
Cuja flauta emudeceu, inclina a fronte e persigna-se
Mas sem dizer palavra alguma
Mas a fonte jorrou e rente ao solo o pássaro cantou
Redimem o tempo, redimem o sonho
O indício da palavra inaudita, inexpressa
Até que o vento, sacudindo o teixo,
Acorde um coro de murmúrios
E depois disto nosso exílio
V
Se a palavra perdida se perdeu, se a palavra usada se gastou
Se a palavra inaudita e inexpressa
Inexpressa e inaudita permanece, então
Inexpressa a palavra ainda perdura, o inaudito Verbo,
O Verbo sem palavra, o Verbo
Nas entranhas do mundo e ao mundo oferto;
E a luz nas trevas fulgurou
E contra o Verbo o mundo inquieto ainda arremete
Rodopiando em torno do silente Verbo.
Ó meu povo, que te fiz eu.
Onde encontrar a palavra, onde a palavra
Ressoará? Não aqui, onde o silêncio foi-lhe escasso
Não sobre o mar ou sobre as ilhas,
Ou sobre o continente, não no deserto ou na úmida planície.
Para aqueles que nas trevas caminham noite e dia
Tempo justo e justo espaço aqui não existem
Nenhum sítio abençoado para os que a face evitam
Nenhum tempo de júbilo para os que caminham
A renegar a voz em meio aos uivos do alarido
Rezará a irmã velada por aqueles
Que nas trevas caminham, que escolhem e depois te desafiam,
Dilacerados entre estação e estação, entre tempo e tempo, entre
Hora e hora, palavra e palavra, poder e poder, por aqueles
Que esperam na escuridão? Rezará a irmã velada
Pelas crianças no portão
Por aqueles que se querem imóveis e orar não podem:
Orai por aqueles que escolhem e desafiam
Ó meu povo, que te fiz eu.
Rezará a irmã velada, entre os esguios
Teixos, por aqueles que a ofendem
E sem poder arrepender-se ao pânico se rendem
E o mundo afrontam e entre as rochas negam?
No derradeiro deserto entre as últimas rochas azuis
O deserto no jardim o jardim no deserto
Da secura, cuspindo a murcha semente da maçã.
Ó meu povo.
VI
Conquanto não espere mais voltar
Conquanto não espere
Conquanto não espere voltar
Flutuando entre o lucro e o prejuízo
Neste breve trânsito em que os sonhos se entrecruzam
No crepúsculo encruzilhado de sonhos entre o nascimento e a
morte
( Abençoai-me pai) conquanto agora
Já não deseje mais tais coisas desejar
Da janela debruçada sobre a margem de granito
Brancas velas voam para o mar, voando rumo ao largo
Invioladas asas
E o perdido coração enrija e rejubila-se
No lilás perdido e nas perdidas vozes do mar
E o quebradiço espírito se anima em rebeldia
Ante a arqueada virga-áurea e a perdida maresia
Anima-se a reconquistar
O grito da codorniz e o corrupio da pildra
E o olho cego então concebe
Formas vazias entre as partas de marfim
E a maresia reaviva o odor salgado das areias
Eis o tempo da tensão entre nascimento e morte
O lugar de solidão em que três sonhos se cruzam
Entre rochas azuis
Mas quando as vozes do instigado teixo emudecerem
Que outro teixo sacudido seja e possa responder.
Irmã bendita, santa mãe, espírito da fonte e do jardim,
Não permiti que entre calúnias a nós próprios enganemos
Ensinai-nos o desvelo e o menosprezo
Ensinai-nos a estar postos em sossego
Mesmo entre estas rochas,
Nossa paz em Sua vontade
E mesmo entre estas rochas
Mãe, irmã
E espírito do rio, espírito do mar,
Não permiti que separado eu seja
E que meu grito chegue a Ti.
Tradução de Ivan Junqueira
Um beijo no meio do caminho
Para o povo cristão, o período de 40 dias que antecede a Páscoa é um tempo de reconciliação. A parábola do filho pródigo (Lc 15. 11 – 32) nos ensina muito a esse respeito. Aquele filho experimentou um tempo quaresmal: teve de passar por um jejum forçado; teve ocasião para meditar longamente sobre sua condição miserável ao lado dos porcos; e o resultado é que ele se arrependeu amargamente de seus enganos e desenganos…
É então que ele toma uma decisão: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai”. Imediatamente o rapaz se levantou e foi ao encontro do pai. Da mesma forma, o relato nos diz que, quando ele ainda vinha longe, o pai saiu ao encontro do filho. Ambos se encontraram no meio do caminho e se beijaram. Houve reconciliação, a paz foi restaurada.
Notemos que, para que a reconciliação aconteça, é preciso que alguém dê o primeiro passo e que alguém dê o primeiro beijo. Se é preciso que alguém volte, também é preciso que o outro saia ao encontro. Reconciliação é isso: reencontro. E para que aconteça, bastam duas coisas: um passo e um beijo.
Neste tempo que antecede a Páscoa, quando nos lembramos do grande passo de Deus em Cristo vencendo a infinita distância que nos separava dele, nos damos conta de que já está mais do que na hora de nos levantarmos, e darmos também nós esse importante passo em direção a Deus e em direção ao próximo.
Diz o Antigo Testamento que há tempo para abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, pois este é o tempo de abraçar. Para isso basta darmos um passo e um beijo no meio do caminho.
Extraído do excelente Texto e Textura.
Publicado em Espiritualidade
Com a tag Espiritualidade, liturgia, Luiz Carlos Ramos, meditação, quaresma
Ian McEwan é atualmente um escritor de best-sellers. Legítimo representante da gloriosa tradição do romance britânico, linhagem iniciada no século XVIII com Fielding e Richardson, passando pelos séculos XIX e XX sempre com nomes de grande envergadura (Dickens, as Brontës, Hardy, Woolf, etc). Seus últimos romances, Na Praia, Sábado e Reparação (que ganhou uma razoávelzinha adaptação cinematográfica com um horrendo título) ganharam um lugar na galeria de grandes obras para o grande público, onde temas espinhosos antes bastante explorados passam a ocupar um espaço menor. O que antes era explícito, passa a ser sugerido.
O que não significa que os temas que lhe valeram o apelido de Ian Macabre estejam ausentes. Apenas mais sofisticados.
Em Amsterdam estão todos presentes. Sexo e morte. Estupro e suicídio. Mas, subjacente, um conflito que tem se delineado na obra do autor, que marca a passagem da esperança para o cinismo, da possibilidade da luta para a aceitação da inevitabilidade da derrota. O que em obras anteriores do autor se configurava como uma abertura para a luta política, mesmo que utópica, em Amsterdam torna-se impossível.
O conflito político entre Julien Garmony, Vernon Halliday e Clive Linley explode em derrota para todos. Inclusive a solução evasiva de refúgio na arte configura-se como fracasso e derrota. Derrota que posteriormente seria encampada por McEwan, como em Sábado. De qualquer forma temos uma obra de transição, entre a dissolução trágica e utópica de “First Love, Last Rites” e “Cement Garden” e o conformismo neoconservador de “Sábado” e “Reparação“. Ainda assim uma obra grande e merecedora da atenção.
Ποικιλόθρον’, ἀθάνατ’ Ἀφρόδιτα,
παῖ Δίος, δολόπλοκε, λίσσομαί σε
μή μ’ ἄσαισι μήτ’ ὀνίαισι δάμνα,
πότνια, θῦμον·
ἀλλὰ τυῖδ’ ἔλθ’, αἴποτα κἀτέρωτα
τᾶς ἔμας αὔδως ἀΐοισα πήλυι
ἒκλυες, πάτρος δὲ δόμον λίποισα
χρύσιον ἦλθες
ἄρμ’ ὐποζεύξαισα· κάλοι δέ σ’ ἆγον
ὤκεες στροῦθοι περὶ γᾶς μελαίνας
πύκνα δινεῦντες πτέρ’ ἀπ’ ὠράνω αἴθε-
ρας διὰ μέσσω.
αἶψα δ’ ἐξίκοντο· τὺ δ’, ὦ μάκαιρα,
μειδιάσαισ’ ἀθανάτῳ προσώπῳ,
ἤρε’, ὄττι δηὖτε πέπονθα κὤττι
δηὖτε κάλημι,
κὤττι μοι μάλιστα θέλω γένεσθαι
μαινόλᾳ θύμῳ· τίνα δηὖτε Πείθω
μαῖς ἄγην ἐς σὰν φιλότατα, τίς σ’, ὦ
Ψάπφ’, ἀδικήει
καὶ γὰρ αἰ φεύγει, ταχέως διώξει,
αἰ δὲ δῶρα μὴ δέκετ’ ἀλλὰ δώσει,
αἰ δὲ μὴ φίλει, ταχέως φιλήσει
κωὐκ ἐθέλοισα
ἔλθε μοι καὶ νῦν, χαλεπᾶν δὲ λῦσον
ἐκ μεριμνᾶν, ὄσσα δέ μοι τελέσσαι
θῦμος ἰμέρρει, τέλεσον· σὺ δ’ αὔτα
σύμμαχος ἔσσο
Afrodite imortal de faiscante trono
filha de Zeus tecelã de enganos peço-te:
a mim nem mágoa nem náusea domine
Senhora o ânimo
Mas aqui vem – se há uma vez
a minha voz ouvindo de longe
escutaste e do pai deixando a casa
áurea vieste
atrelado o carro. Belos te levavam
ágeis pássaros acima da terra negra
contínuas asas vibrando vindos do céu
através do ar,
e logo chegaram. Tu ó venturosa
sorrindo no rosto imortal indagas
o que de novo sofri, a que de novo
te evoco,
o que mais desejo de ânimo louco
que aconteça. “Quem de novo convencerei
a acolher teu amor?” “Quem, Safo, te faz sofrer?”
“Se bem agora fuja, logo te perseguirá,
se bens teus dons recuse, virá te dar,
se bem não ame, logo amará – ainda que
ela não queira.”
Vem junto a mim ainda agora, desfaz
o áspero pensar, perfaz quanto meu ânimo
anseia ver perfeito. E tu mesma – sê
minha aliada.
(Tradução de Jaa Torrano)
Jorge Camargo é da quase “velha guarda” da música evangélica. Quando começou sua carreira, nos já quarentões Vencedores Por Cristo, foi considerado um virtuose precoce, que cantava, tocava, compunha antes dos vinte anos de idade.
O tempo passou e o talento amadureceu.
Hoje, dado o estado quase comatoso da música evangélica (apesar da aparente pujança mercadológica e da profusão de novos lançamentos), onde de um lado há a indigência musical, de outro, a pobreza absoluta lírica e de outro a deturpação do evangelho, ouvi-lo é praticamente um oásis no meio do deserto da mediocridade.
Mas além de compor e cantar, Jorge tem se dedicado a escrever, a traduzir e a se aprimorar intelectualmente. Ultimamente, além de seus álbuns, livros traduzidos e outros, tem escrito na revista Ultimato, de onde eu retirei a meditação abaixo:
Um sonho de igreja
Jorge Camargo
Em 2001 passei aproximadamente um mês na África, especificamente em Angola, na cidade do Lubango.
Na época o país ainda estava em guerra (que terminou em abril de 2002). A cidade, como o restante da nação, sofria as mais variadas consequências do conflito que se iniciara: primeiro em busca da independência de Portugal, depois descambou num confronto fratricida.
Em meio a tantas dificuldades, observei que havia muitas igrejas de origem protestante na cidade representando várias denominações. Na comunidade onde o grupo que eu liderava trabalhou, muitas eram as atividades desenvolvidas em prol da comunidade como um todo. E em uma cidade sem qualquer tipo de opção de lazer e de cultura, a igreja se tornara um ponto de encontro, um pólo produtor de atividades culturais em suas mais variadas formas: música, dança, teatro, artesanato etc. Um autêntico oásis num deserto de opções e de carências.
No meio daquele caos social, tive um vislumbre do que entendo ser a contribuição da igreja ao mundo. Sonhei uma igreja. O que seria de nós sem a possibilidade de sonhar?
Vamos ao sonho:
Uma igreja cujo templo está localizado no centro da cidade, de fácil acesso e muita visibilidade.
Suas portas estão abertas diariamente (ao contrário de muitos edifícios religiosos que funcionam somente nos dias de culto e que no restante do tempo permanecem trancafiados). Além dos cursos profissionalizantes, do atendimento aos necessitados, das parcerias com a prefeitura, o estado, o governo federal e a iniciativa privada, a igreja também possui um intenso calendário cultural que, diferente de outras que utilizam somente as datas cristãs para promover seus musicais, abre o espaço de seu imenso palco a uma programação intensa que contempla todos os estilos de música. Às quintas, por exemplo, uma camerata se apresenta no templo com repertório barroco e entrada franca, de modo que os moradores da cidade que apreciam música erudita têm oportunidade de assistir um concerto gratuito, além de apreciar os vitrais da velha catedral protestante, e tomar um delicioso café no salão, servido pelos membros da comunidade, que usam esse tempo como oportunidade para servir e estabelecer amizades. Sem proselitismo. Sem forçar a barra. Amizade genuína e desinteressada.
Às sextas as noites são de rock pesado. Os adolescentes e jovens da igreja, instruídos que são a cultivarem amizades fora dos muros de seu templo, veem na programação mensal, que inclui o concerto de rock, uma oportunidade de convidar seus amigos a conhecer o espaço e ouvir a música que ambos apreciam. E assim estarem mais perto. Curtirem a oportunidade de ser gente no meio de gente. Bem ao estilo de Jesus, que amava as festas e a possibilidade de estar cercado de pessoas.
No rodízio de programação incluem-se shows de MPB, música alternativa, música instrumental de estilos variados, palestras sobre música e cultura, musicoterapia etc.
Algumas manhãs e tardes são reservadas às exposições: pintura, escultura, gravura, fotografia.
Há também as mini-temporadas teatrais, os saraus, com leitura de poemas, os lançamentos de livros.
Quantas opções de difusão de arte e cultura forem concebidas e viabilizadas no espaço singelo de um templo! No espaço do coração e da mente arejada de uma comunidade que existe para servir o mundo e contagiá-lo com boas obras, serviço abnegado e amor sem limites.
Estou perto de despertar de meu sonho quando alguém toca em meu ombro e diz: “Quero agradecer ao pastor da igreja por abrir as portas do templo e do coração para me receber. Não imaginei que esse espaço pudesse servir a tantas possibilidades. Qual é mesmo o horário dos cultos aqui?”.
Acordo acreditando que a igreja ainda possa ser lugar de encontro, de acolhimento, de sorriso, de mentes e corações desarmados.
Mas tudo isso ainda é apenas um sonho.
• Jorge Camargo, mestre em ciências da religião, é intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor. www.jorgecamargo.com.br
http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=3®istro=1143
Ajuntamento
Amor Verdadeiro
A Escuridão Me Basta
Agostinho
Teus Altares
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Com a tag Espiritualidade, Jorge Camargo, música
Seguindo nossa série de gols da Copa, agora vamos à edição italiana do torneio, realizada em 1990.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Nas próximas semanas ainda veremos as copas dos EUA, França, Coréia/Japão e Alemanha. Aguardem.
O João Becker, cervejeiro artesanal de BH, além de fã de cervejas é fã de Rugby, esporte britânico quase irmão do nosso futebol. Tanto que deu às sua cervejaria artesanal o nome de Rugbeer. Uma de suas primeiras cervejas é a weiss com adição de mel Rugbeer Mc Caw, batizada para homenagear Richard Mc Caw, capitão dos lendários All Blacks, a seleção de rugby da Nova Zelândia.
Sua outra criação é a Rugbeer O’Driscoll, uma cerveja interessantíssima feita com gengibre em sua formulação.
Brian O’Driscoll é o capitão da seleção irlandesa de rubgy, apelidado de “ginger” (gengibre, em inglês) por seus cabelos ruivos. Aliás, ginger é o apelido de todos os meninos e meninas de cabelos vermelhos. E o gengibre se encaixa de maneira bem interessante nessa specialty beer (que não é um estilo de cerveja, mas é a nomenclatura utilizada para todas as cervejas que se utilizam de ingredientes… aham… exóticos), conferindo um pronunciado aroma de gengibre que acaba por dominar todo o bouquet (embora seja notado também certas notas de lúpulo), além de dar um sabor picante que, surpreendentemente, confere uma alta refrescância à cerveja.
A ale (no rótulo diz “ginger ale”, embora não deva ser confundida com o refrigerante de mesmo nome) tem uma bela coloração amarelo alaranjada, turva, com uma boa espuma cremosa de duração média no copo e seus 7º de teor alcoólico não se sobressai, talvez por ser suplantado pela potência do gengibre.
O lado negativo dessa surpreendente cerveja é o fato dela ser bem difícil de ser encontrada. Poucos lugares a comercializam, pois, como disse, ela é produzida por um homebrewer, um cervejeiro caseiro, e não por uma indústria. Para saber onde encontrá-la, mande um e-mail pro João Becker, que ele terá prazer em ajudá-lo.
ο]ἰ μὲν ἰππήων στρότον οἰ δὲ πέσδων,
οἰ δὲ νάων φαῖσ᾿ ἐπ[ὶ] γᾶν μέλαι[ν]αν
ἔ]μμεναι κάλλιστον, ἔγω δὲ κῆν᾿ ὄτ-
τω τις ἔραται·
πά]γχυ δ᾿ εὔμαρες σύνετον πόησαι
π]άντι τ[o]ῦτ᾿, ἀ γὰρ πόλυ περσκέθοισα
κάλλος [ἀνθ]ρώπων Ἐλένα [τὸ]ν ἄνδρα
τὸν [ αρ]ιστον
καλλ[ίποι]σ᾿ ἔβα ᾿ς Τροΐαν πλέοι[σα
κωὐδ[ὲ πα]ῖδος οὐδὲ φίλων το[κ]ήων
πά[μπαν] ἐμνάσθη, ἀλλὰ παράγαγ᾿ αὔταν
[ ]σαν
[ ]αμπτον γὰρ [
[ ]…κούφως τ[ ]οη.[.]ν
..]με νῦν Ἀνακτορί[ας ὀ]νέμναι-
σ᾿ οὐ ] παρεοίσας,
τᾶ]ς ε βολλοίμαν ἔρατόν τε βᾶμα
κἀμάρυχμα λάμπρον ἴδην προσώπω
ἢ τὰ Λύδων ἄρματα κἀν ὄπλοισι
[πεσδομ]άχεντας.
Dizem: O renque de carros ou de soldados
ou de navios é sobre a terra negra
a suprema beleza. Digo: é aquilo que
se ama.
Muito fácil fazer isto compreensível
a todos: – Helena, a que superou
toda beleza de humanos, ao mais nobre
marido
deixou atrás e foi a Tróia num navio.
Nem da filha nem dos pais queridos
nada se recordou, mas seduziu-a
Cípris.
Nas mãos de Cípris, é maleável a mente.
Eros faz nosso pensamento revirar-se
leve e faz-me lembrar agora Anactória
longe.
Quisera eu ver o encanto de seu andar
e a luz brilhante de seu rosto,
não carros da Lídia ou guerreiros
com armas.
(Tradução de Jaa Torrano)
Quando eu comecei a fazer este blog coloquei alguns links bacanas ao lado. São sites que eu costumo visitar, que acho legais ou mesmo sites de amigos. Mas pelo visto eu não dou muita sorte para os blogueiros não…
Em agosto foi o Idelber Avelar, do site Biscoito Fino e a Massa. O blog foi por anos e anos uma referência no pensamento de esquerda, do debate político que fugia da falta de assunto “petralhas x direitobas” que domina a blogosfera política brasileira.

Depois, ainda em agosto, foi a vez do Pedro Dória. Blogueiro cujo maior mérito (segundo o próprio) é a descoberta de Bruna Surfistinha. Balela. O blog era o mais inteligente ao tratar as questões de política internacional (embora seus comentaristas muitas vezes chafurdassem na bobagem “petralha x direitoba”), além de discorrer com leveza sobre assuntos diversos, tecnologia, sexualidade, etc.

Em novembro parou o Darwininano, blog do Darwinista (também conhecido por Marcelo, comentarista do Pedro Dória e do blog da Trivela), que tratava de política, biologia, ecologia, música e afins.
E após eu colocar um banner neste blog para Os Viralata, fiquei sabendo logo no início de 2010 que o Albano, cujo blog pessoal também hiberna, tirou o site de literatura independente do ar. Vender livro independente não é mole. A justificativa do Albano é que no natal (teoricamente a época mais propícia para vender o que quer que seja) apenas quatro volumezinhos foram vendidos. Me senti um pastel, pois tinha acabado de postar no blog, Twitter e outros meios a minha recomendação ao referido site. Aparentemente meus poucos mas fiéis leitores não foram o suficiente para evitar o fechamento do interessante site.

Agora, para fechar o obituário internético, descubro que um dos melhores blogs de política (e tudo o mais) que existe na internet, o Hemenauta, fechou. Veja o que o Na Prática a Teoria é Outra disse sobre o cara: “o Hermenauta era o único blog brasileiro comparável aos grandes lá de fora. Em vários momentos, doutrinou completamente a grande imprensa.”
Pois é, amigos. Resitam. Se houver algum blogueiro supersticioso cujo link encontra-se ao lado e quiser retirá-lo, deixe um comentário
Infelizmente a internet perde bastante com essas desativações.