Por quem os sinos dobram-blog de Fabio M

Um poema às quartas

10/02/2010 · Deixe um comentário

Ποικιλόθρον’, ἀθάνατ’ Ἀφρόδιτα,
παῖ Δίος, δολόπλοκε, λίσσομαί σε
μή μ’ ἄσαισι μήτ’ ὀνίαισι δάμνα,
πότνια, θῦμον·

ἀλλὰ τυῖδ’ ἔλθ’, αἴποτα κἀτέρωτα
τᾶς ἔμας αὔδως ἀΐοισα πήλυι
ἒκλυες, πάτρος δὲ δόμον λίποισα
χρύσιον ἦλθες

ἄρμ’ ὐποζεύξαισα· κάλοι δέ σ’ ἆγον
ὤκεες στροῦθοι περὶ γᾶς μελαίνας
πύκνα δινεῦντες πτέρ’ ἀπ’ ὠράνω αἴθε-
ρας διὰ μέσσω.

αἶψα δ’ ἐξίκοντο· τὺ δ’, ὦ μάκαιρα,
μειδιάσαισ’ ἀθανάτῳ προσώπῳ,
ἤρε’, ὄττι δηὖτε πέπονθα κὤττι
δηὖτε κάλημι,

κὤττι μοι μάλιστα θέλω γένεσθαι
μαινόλᾳ θύμῳ· τίνα δηὖτε Πείθω
μαῖς ἄγην ἐς σὰν φιλότατα, τίς σ’, ὦ
Ψάπφ’, ἀδικήει

καὶ γὰρ αἰ φεύγει, ταχέως διώξει,
αἰ δὲ δῶρα μὴ δέκετ’ ἀλλὰ δώσει,
αἰ δὲ μὴ φίλει, ταχέως φιλήσει
κωὐκ ἐθέλοισα

ἔλθε μοι καὶ νῦν, χαλεπᾶν δὲ λῦσον
ἐκ μεριμνᾶν, ὄσσα δέ μοι τελέσσαι
θῦμος ἰμέρρει, τέλεσον· σὺ δ’ αὔτα
σύμμαχος ἔσσο

Afrodite imortal de faiscante trono
filha de Zeus tecelã de enganos peço-te:
a mim nem mágoa nem náusea domine
Senhora o ânimo

Mas aqui vem – se há uma vez
a minha voz ouvindo de longe
escutaste e do pai deixando a casa
áurea vieste

atrelado o carro. Belos te levavam
ágeis pássaros acima da terra negra
contínuas asas vibrando vindos do céu
através do ar,

e logo chegaram. Tu ó venturosa
sorrindo no rosto imortal indagas
o que de novo sofri, a que de novo
te evoco,

o que mais desejo de ânimo louco
que aconteça. “Quem de novo convencerei
a acolher teu amor?” “Quem, Safo, te faz sofrer?”

“Se bem agora fuja, logo te perseguirá,
se bens teus dons recuse, virá te dar,
se bem não ame, logo amará – ainda que
ela não queira.”

Vem junto a mim ainda agora, desfaz
o áspero pensar, perfaz quanto meu ânimo
anseia ver perfeito. E tu mesma – sê
minha aliada.

(Tradução de Jaa Torrano)

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Poeta, cantor, intérprete, cristão

08/02/2010 · 2 Comentários

Jorge Camargo é da quase “velha guarda” da música evangélica. Quando começou sua carreira, nos já quarentões Vencedores Por Cristo, foi considerado um virtuose precoce, que cantava, tocava, compunha antes dos vinte anos de idade.

O tempo passou e o talento amadureceu.

Hoje, dado o estado quase comatoso da música evangélica (apesar da aparente pujança mercadológica e da profusão de novos lançamentos), onde de um lado há a indigência musical, de outro, a pobreza absoluta lírica e de outro a deturpação do evangelho, ouvi-lo é praticamente um oásis no meio do deserto da mediocridade.

Mas além de compor e cantar, Jorge tem se dedicado a escrever, a traduzir e a se aprimorar intelectualmente. Ultimamente, além de seus álbuns, livros traduzidos e outros, tem escrito na revista Ultimato, de onde eu retirei a meditação abaixo:

Um sonho de igreja
Jorge Camargo

Em 2001 passei aproximadamente um mês na África, especificamente em Angola, na cidade do Lubango.

Na época o país ainda estava em guerra (que terminou em abril de 2002). A cidade, como o restante da nação, sofria as mais variadas consequências do conflito que se iniciara: primeiro em busca da independência de Portugal, depois descambou num confronto fratricida.

Em meio a tantas dificuldades, observei que havia muitas igrejas de origem protestante na cidade representando várias denominações. Na comunidade onde o grupo que eu liderava trabalhou, muitas eram as atividades desenvolvidas em prol da comunidade como um todo. E em uma cidade sem qualquer tipo de opção de lazer e de cultura, a igreja se tornara um ponto de encontro, um pólo produtor de atividades culturais em suas mais variadas formas: música, dança, teatro, artesanato etc. Um autêntico oásis num deserto de opções e de carências.

No meio daquele caos social, tive um vislumbre do que entendo ser a contribuição da igreja ao mundo. Sonhei uma igreja. O que seria de nós sem a possibilidade de sonhar?

Vamos ao sonho:
Uma igreja cujo templo está localizado no centro da cidade, de fácil acesso e muita visibilidade.

Suas portas estão abertas diariamente (ao contrário de muitos edifícios religiosos que funcionam somente nos dias de culto e que no restante do tempo permanecem trancafiados). Além dos cursos profissionalizantes, do atendimento aos necessitados, das parcerias com a prefeitura, o estado, o governo federal e a iniciativa privada, a igreja também possui um intenso calendário cultural que, diferente de outras que utilizam somente as datas cristãs para promover seus musicais, abre o espaço de seu imenso palco a uma programação intensa que contempla todos os estilos de música. Às quintas, por exemplo, uma camerata se apresenta no templo com repertório barroco e entrada franca, de modo que os moradores da cidade que apreciam música erudita têm oportunidade de assistir um concerto gratuito, além de apreciar os vitrais da velha catedral protestante, e tomar um delicioso café no salão, servido pelos membros da comunidade, que usam esse tempo como oportunidade para servir e estabelecer amizades. Sem proselitismo. Sem forçar a barra. Amizade genuína e desinteressada.

Às sextas as noites são de rock pesado. Os adolescentes e jovens da igreja, instruídos que são a cultivarem amizades fora dos muros de seu templo, veem na programação mensal, que inclui o concerto de rock, uma oportunidade de convidar seus amigos a conhecer o espaço e ouvir a música que ambos apreciam. E assim estarem mais perto. Curtirem a oportunidade de ser gente no meio de gente. Bem ao estilo de Jesus, que amava as festas e a possibilidade de estar cercado de pessoas.

No rodízio de programação incluem-se shows de MPB, música alternativa, música instrumental de estilos variados, palestras sobre música e cultura, musicoterapia etc.

Algumas manhãs e tardes são reservadas às exposições: pintura, escultura, gravura, fotografia.

Há também as mini-temporadas teatrais, os saraus, com leitura de poemas, os lançamentos de livros.

Quantas opções de difusão de arte e cultura forem concebidas e viabilizadas no espaço singelo de um templo! No espaço do coração e da mente arejada de uma comunidade que existe para servir o mundo e contagiá-lo com boas obras, serviço abnegado e amor sem limites.

Estou perto de despertar de meu sonho quando alguém toca em meu ombro e diz: “Quero agradecer ao pastor da igreja por abrir as portas do templo e do coração para me receber. Não imaginei que esse espaço pudesse servir a tantas possibilidades. Qual é mesmo o horário dos cultos aqui?”.

Acordo acreditando que a igreja ainda possa ser lugar de encontro, de acolhimento, de sorriso, de mentes e corações desarmados.
Mas tudo isso ainda é apenas um sonho.

• Jorge Camargo, mestre em ciências da religião, é intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor. www.jorgecamargo.com.br

http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=3&registro=1143

Ajuntamento

Amor Verdadeiro

A Escuridão Me Basta

Agostinho

Teus Altares

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Todos os Gols da Copa do Mundo – 1990

06/02/2010 · Deixe um comentário

Seguindo nossa série de gols da Copa, agora vamos à edição italiana do torneio, realizada em 1990.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Parte 7

Nas próximas semanas ainda veremos as copas dos EUA, França, Coréia/Japão e Alemanha. Aguardem.

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Thank God it’s Friday – Rugbeer O’Driscoll

05/02/2010 · Deixe um comentário

O João Becker, cervejeiro artesanal de BH, além de fã de cervejas é fã de Rugby, esporte britânico quase irmão do nosso futebol. Tanto que deu às sua cervejaria artesanal o nome de Rugbeer. Uma de suas primeiras cervejas é a weiss com adição de mel Rugbeer Mc Caw, batizada para homenagear Richard Mc Caw, capitão dos lendários All Blacks, a seleção de rugby da Nova Zelândia.

Sua outra criação é a Rugbeer O’Driscoll, uma cerveja interessantíssima feita com gengibre em sua formulação.

Brian O’Driscoll é o capitão da seleção irlandesa de rubgy, apelidado de “ginger” (gengibre, em inglês) por seus cabelos ruivos. Aliás, ginger é o apelido de todos os meninos e meninas de cabelos vermelhos. E o gengibre se encaixa de maneira bem interessante nessa specialty beer (que não é um estilo de cerveja, mas é a nomenclatura utilizada para todas as cervejas que se utilizam de ingredientes… aham… exóticos), conferindo um pronunciado aroma de gengibre que acaba por dominar todo o bouquet (embora seja notado também certas notas de lúpulo), além de dar um sabor picante que, surpreendentemente, confere uma alta refrescância à cerveja.

A ale (no rótulo diz “ginger ale”, embora não deva ser confundida com o refrigerante de mesmo nome) tem uma bela coloração amarelo alaranjada, turva, com uma boa espuma cremosa de duração média no copo e seus 7º de teor alcoólico não se sobressai, talvez por ser suplantado pela potência do gengibre.

O lado negativo dessa surpreendente cerveja é o fato dela ser bem difícil de ser encontrada. Poucos lugares a comercializam, pois, como disse, ela é produzida por um homebrewer, um cervejeiro caseiro, e não por uma indústria. Para saber onde encontrá-la, mande um e-mail pro João Becker, que ele terá prazer em ajudá-lo.

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Um poema às quartas

03/02/2010 · Deixe um comentário

ο]ἰ μὲν ἰππήων στρότον οἰ δὲ πέσδων,
οἰ δὲ νάων φαῖσ᾿ ἐπ[ὶ] γᾶν μέλαι[ν]αν
ἔ]μμεναι κάλλιστον, ἔγω δὲ κῆν᾿ ὄτ-
τω τις ἔραται·

πά]γχυ δ᾿ εὔμαρες σύνετον πόησαι
π]άντι τ[o]ῦτ᾿, ἀ γὰρ πόλυ περσκέθοισα
κάλλος [ἀνθ]ρώπων Ἐλένα [τὸ]ν ἄνδρα
τὸν [ αρ]ιστον

καλλ[ίποι]σ᾿ ἔβα ᾿ς Τροΐαν πλέοι[σα
κωὐδ[ὲ πα]ῖδος οὐδὲ φίλων το[κ]ήων
πά[μπαν] ἐμνάσθη, ἀλλὰ παράγαγ᾿ αὔταν
[ ]σαν

[ ]αμπτον γὰρ [
[ ]…κούφως τ[ ]οη.[.]ν
..]με νῦν Ἀνακτορί[ας ὀ]νέμναι-
σ᾿ οὐ ] παρεοίσας,

τᾶ]ς ε βολλοίμαν ἔρατόν τε βᾶμα
κἀμάρυχμα λάμπρον ἴδην προσώπω
ἢ τὰ Λύδων ἄρματα κἀν ὄπλοισι
[πεσδομ]άχεντας.

Dizem: O renque de carros ou de soldados
ou de navios é sobre a terra negra
a suprema beleza. Digo: é aquilo que
se ama.

Muito fácil fazer isto compreensível
a todos: – Helena, a que superou
toda beleza de humanos, ao mais nobre
marido

deixou atrás e foi a Tróia num navio.
Nem da filha nem dos pais queridos
nada se recordou, mas seduziu-a
Cípris.

Nas mãos de Cípris, é maleável a mente.
Eros faz nosso pensamento revirar-se
leve e faz-me lembrar agora Anactória
longe.

Quisera eu ver o encanto de seu andar
e a luz brilhante de seu rosto,
não carros da Lídia ou guerreiros
com armas.

(Tradução de Jaa Torrano)

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Mortalidade na blogosfera

01/02/2010 · 1 Comentário

Quando eu comecei a fazer este blog coloquei alguns links bacanas ao lado. São sites que eu costumo visitar, que acho legais ou mesmo sites de amigos. Mas pelo visto eu não dou muita sorte para os blogueiros não…

Em agosto foi o Idelber Avelar, do site Biscoito Fino e a Massa. O blog foi por anos e anos uma referência no pensamento de esquerda, do debate político que fugia da falta de assunto “petralhas x direitobas” que domina a blogosfera política brasileira.

Depois, ainda em agosto, foi a vez do Pedro Dória. Blogueiro cujo maior mérito (segundo o próprio) é a descoberta de Bruna Surfistinha. Balela. O blog era o mais inteligente ao tratar as questões de política internacional (embora seus comentaristas muitas vezes chafurdassem na bobagem “petralha x direitoba”), além de discorrer com leveza sobre assuntos diversos, tecnologia, sexualidade, etc.

Em novembro parou o Darwininano, blog do Darwinista (também conhecido por Marcelo, comentarista do Pedro Dória e do blog da Trivela), que tratava de política, biologia, ecologia, música e afins.

E após eu colocar um banner neste blog para Os Viralata, fiquei sabendo logo no início de 2010 que o Albano, cujo blog pessoal também hiberna, tirou o site de literatura independente do ar. Vender livro independente não é mole. A justificativa do Albano é que no natal (teoricamente a época mais propícia para vender o que quer que seja) apenas quatro volumezinhos foram vendidos. Me senti um pastel, pois tinha acabado de postar no blog, Twitter e outros meios a minha recomendação ao referido site. Aparentemente meus poucos mas fiéis leitores não foram o suficiente para evitar o fechamento do interessante site.

Agora, para fechar o obituário internético, descubro que um dos melhores blogs de política (e tudo o mais) que existe na internet, o Hemenauta, fechou. Veja o que o Na Prática a Teoria é Outra disse sobre o cara: “o Hermenauta era o único blog brasileiro comparável aos grandes lá de fora. Em vários momentos, doutrinou completamente a grande imprensa.”

Pois é, amigos. Resitam. Se houver algum blogueiro supersticioso cujo link encontra-se ao lado e quiser retirá-lo, deixe um comentário :-) Infelizmente a internet perde bastante com essas desativações.

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Bela Lugosi está morto

30/01/2010 · Deixe um comentário

Misture glam rock, baixo regueiro, apresentações altamente teatrais e estética expressionista. O resultado é Bauhaus. A banda cuja influência é diametralmente oposta às suas vendas de discos entre 1979 e 1983, curto período de sua primeira existência.

Sua música soturna e estética sombria foram, juntamente com Siouxsie and the Banshees e o primeiro The Cure (entre 1979 com Seventeen Seconds e 1982 com Pornography) definiram o que nos anos 80 veio a ser conhecido como gótico.

Depois de uns quinze anos de separação os membros originais, Peter Murphy (de carreira solo bastante elogiada mas de poucos sucessos comerciais), Daniel Ash (cuja banda Tones on Tail fez relativo sucesso ainda nas barbas do Bauhaus), David J e Kevin Haskins (irmãos e parceiros de Ash na banda Love and Rockets) voltaram a se reunir para uma turnê, registrada no álbum Gotham. Voltaram novamente para o último álbum de inéditas, mas sem o mesmo impacto de seus anos de início.

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Todos os gols da Copa do Mundo – 1986

29/01/2010 · Deixe um comentário

Depois da Copa que viu nascer e morrer o sonho do futebol arte, 1986 foi a chance de redenção, impedida pela contusão de Zico, força da França e genialidade de Maradona.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Parte 7

Parte 8

Parte 9

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Um poema às quartas

27/01/2010 · 6 Comentários

As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.

And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under an arch of the railway:
‘Love has no ending.

‘I’ll love you, dear, I’ll love you
Till China and Africa meet,
And the river jumps over the mountain
And the salmon sing in the street,

‘I’ll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squawking
Like geese about the sky.

‘The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.’

But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
‘O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.

‘In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.

‘In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.

‘Into many a green valley
Drifts the appalling snow;
Time breaks the threaded dances
And the diver’s brilliant bow.

‘O plunge your hands in water,
Plunge them in up to the wrist;
Stare, stare in the basin
And wonder what you’ve missed.

‘The glacier knocks in the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.

‘Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer,
And Jill goes down on her back.

‘O look, look in the mirror,
O look in your distress:
Life remains a blessing
Although you cannot bless.

‘O stand, stand at the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbour
With your crooked heart.’

It was late, late in the evening,
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.

Ao descer a rua Bristol
uma tarde, eu vi os demais
que eram como, antes da ceifa,
os já maduros trigais.

E ouvi junto ao rio, debaixo
da ponte da ferrovia,
um namorado cantando
como ele sempre amaria:

“Vou te amar, meu bem, até
que a África se junte à China,
que o rio salte a montanha
e salmões cantem na esquina.

Vou te amar até que o oceano
seque pendurado ao léu,
até que as Plêiades grasnem
quem nem os gansos no céu.

Anos fujam como lebres,
pois, nos braços, eu estreito
a Flor de Todas as Eras
e, entre amores, o perfeito.”

Mas, nas ruas, mil relógios
badalaram com alarde:
“Não confies nunca no Tempo,
Ele triunfa cedo ou tarde.

Nos desvãos do pesadelo,
onde a justiça está nua,
o Tempo espreita das trevas
e em teu beijo se insinua.

Em transtornos e ansiedade,
nossa vida esvai-se a esmo
e o Tempo há de impor-se a todos
amanhã ou hoje mesmo.

Neva em muitos vales verdes
e o Tempo reduz a nada
o arco que o mergulhador
descreve e a dança ensaiada.

Põe a mão até o pulso
dentro da água, na bacia,
pondera, ao fitar-lhe o fundo,
que tua vida foi vazia.

Desertos gemem na cama,
o armário acolhe o glaciar,
e a chávena leva à Terra
dos Mortos, ao se rachar.

Lá mendigo é perdulário
e o Gigante agrada a João,
anjinhos rugem ferozes,
Mariazinha dá no chão.

Olha bem, olha no espelho,
olha cheio de pesar:
viver é uma bênção, mesmo
que não possas abençoar.

Fica à janela conforme
ferve o choro assustador;
ama o próximo traiçoeiro
com teu coração traidor.”

Caía a noite, o casal
fora embora, a litania
dos mil relógios cessara
e, profundo, o rio corria.

(Tradução: Nelson Ascher)

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A vida é chata, mas a morte, um tédio

25/01/2010 · 2 Comentários

Will Self é um dos escritores mais celebrados da nova safra inglesa. Midiático, foi uma espécie de sex symbol cult do início dos anos 90. Talentoso com as palavras, também fez carreira como jornalista, embora seu episódio mais famoso na área tenha sido ter sido demitido do jornal “The Observer” porque, enquanto cobria a eleição para primeiro ministro em 1997, cheirou heroína no jato de campanha de John Major.

Mas Self tem talento com as palavras. E um certo pendor para a sátira grotesca, tanto que em seu primeiro romance, Cock and Bull, um homem e uma mulher desenvolvem órgãos sexuais opostos, em Great Apes (Grandes Símios) um artista acorda em um mundo onde os chimpanzés são racionais e os humanos não (hum… já vi isso antes) e neste How the Dead Live (Como vivem os mortos) a personagem principal, Lily Bloom, vive (quer dizer, morre) em um subúrbio de Londres após sucumbir ao câncer com um feto abortado e calcificado, seu filho de nove anos morto décadas atrás e três criaturas nojentas feitas de sua própria gordura, enquanto observa a não muito diferente vida dos vivos.

Se a imagética do livro é riquíssima, cheia de alusões literárias e culturais, metáforas criativas, o enredo e a construção dos personagens carece de cuidados.

Após morrer, Lily Bloom (Bloom, sacou? Maneiro, esse Self) passa a flanar pelas ruas de Londres, principalmente em seu subúrbio Dulston (Dulston, mistura de dull com Dalston), de onde a velha morta tece seus ácidos comentários anti-semitas (ela é judia americana, como a mãe de Self), criticando a peruíce emergente de sua filha Charlotte, a auto-destruição junkie de sua filha mais nova Natasha, o insuportável peso do ser classe média consumista e vazio nessa virada de século, enfim.

Mas se o mote é excelente, a realização, principalmente da personagem, poderia ter recebido melhor tratamento. A acidez, a falta de envolvimento emocional, a distância em relação às próprias filhas e os comentários em relação à vida sexual (ou falta de) dela e das próprias filhas parecem deslocados na boca da velha judia sexagenária.

De qualquer forma é uma leitura engraçadíssima e tem suas qualidades. Principalmente o retrato da atual vida londrina, perdida entre a falta de significado e o consumismo (e auto-consumismo) desbragado.

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Todos os gols da Copa do Mundo – 1982

23/01/2010 · Deixe um comentário

Faz tempo que não falo de futebol (o fracasso alvi-verde tirou o pique), mas 2010 é ano de Copa do Mundo. E Copa, apesar de tudo, é Copa.

Então para comemorar e fazer uma contagem regressiva, vamos relembrar os gols da Copa de 1982. Todos.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6

Parte 7

Parte 8

Parte 9

Parte 10

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Lei de direitos humanos

22/01/2010 · 1 Comentário

Depois de grande pressão, principalmente da Rede Globo (quem mais seria?) o governo decide retirar a expressão “repressão política”, por entender que os militantes de esquerda também merecem ser julgados por seus crimes.

Além a anulação da lei de anistia, promulgada, claro, pelos próprios militares anistiando-se a si mesmos…

Cartum extraído do site da Igreja Anglicana – Paróquia da SSa.Trindade.

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Um poema às quartas

20/01/2010 · Deixe um comentário

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Minha nossa

18/01/2010 · 5 Comentários

As férias se aproximam do fim. Mas a sessão-abacaxi no canal de filmes da TV a cabo não. Engraçado, mas quando não estou de férias é mais fácil atualizar o blog, há mais assunto para ser tratado, enfim… com as férias o ritmo diminui, o ânimo (de escrever e de pensar) também.

Agora, o que dizer desse filme? Elenco: estelar (Meryl Streep, Colin Firth, Pierce Brosnan). Cenário: um dos mais belos do mundo (as ilhas gregas). Música: divertidíssima (Abba). Mas o conjunto… ah, como é fraco.

A história da menininha que quer conhecer o pai e manda carta convidando os três possíveis para seu casamento até que seria razoável. Boa até. Mas a mocinha em questão, a bonitinha Amanda Seyfried, quando tenta fazer cara de angustiada consegue no máximo parecer que sofre de constipação intestinal. As cenas de canto e dança (afinal, isto é um musical) são até que bem coreografadas e tudo mais, mas cansa. Tá bom, confesso. A culpa é minha. Sempre odiei musicais. Mas a cena de “The Winner Takes it All”, uma das melhores canções do Abba, parece um dueto da antiga dupla argentina Pimpinella, ou de Jane e Herondy, tamanha a forçação de barra no sentimentalismo à flor da pele.

O final, piegas até, que tenta trazer um ar de modernice com a mocinha casadoira desistindo das bodas para viajar com o namorado, um dos ex-amantes da Donna (o personagem do Colin Firth) tendo um relacionamento gay com um dos ilhéus, mas com a sempre sofredora Donna achando por fim o amor de sua vida, a mensagem final é de conformidade. E é isso aí. Filme bom pra sessão da tarde, vale a pena pela música.

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Thank God it’s Friday – Colorado Demoiselle e Steenbrugge Dubbel Bruin

15/01/2010 · Deixe um comentário

Ainda repercutindo minha brevíssima estada em Monte Verde, agradável surpresa no sul de MG. A localidade (nem é um município, mas um distrito de Camanducaia) conta com apenas 4.000 habitantes, todos trabalhando no ramo do turismo. O povo é simpático, hospitaleiro e muito atencioso com os turistas. E mesmo com a semelhança geográfica com Campos do Jordão, Monte Verde tem um perfil totalmente diferente da cidade paulista. Enquanto Campos do Jordão é programa pra mauricinho e patricinha, com suas danceterias badaladas, desfile de carros importados, filas nas portas das boates e longos e insuportáveis congestionamentos, Monte Verde é programa para casais enamorados que sobem a serra para curtir o friozinho numa aprazível pousada com lareira ou para famílias. E o charme da cidade é sua opção de trilhas, caminhadas e escaladas.

Mas mesmo sendo uma vila de apenas uma rua, Monte Verde tem boas opções de restaurantes e uma boa oferta de cervejas especiais. Letreiros da Erdinger e da Paulaner são comuns e encontra-se facilmente nos bares, restaurantes e lojas da cidade as boas cervejas nacionais, como as Baden Baden ou Colorado e importadas, principalmente as distribuídas pela BUW.

Num desses bares eu tomei uma das minhas favoritas, a Colorado Demoiselle, uma Porter com adição de café, que lhe confere um aroma pronunciado de café e um sabor tostado bastante intenso. Eu pedi para tomá-la junto de um interessante sanduíche feito de rosbife de javali, de sabor bastante suave, lembrando um pouco pernil, com cebolas caramelizadas, queijo e ketchup de boa qualidade.

A Demoiselle tem coloração preta, espuma densa marrom e um aroma maravilhoso, contando ainda com graduação alcoólica de 6º e, embora não fosse exatamente uma “harmonização”, ficou bastante agradável com o sanduba de javali.

Saíndo do restaurante, passei numa lojinha, misto de mercadinho e farmácia, típico de cidadezinhas do interior, que em meio a Dorflex e Eparema, salgadinhos Elma-Chips e docinhos de bar, havia uma boa prateleira de cervejas especiais. Como havia comprado um pacotinho de “queijo de lareira”, uma mussarela especial (natural, defumada, temperada e com alho) que não derrete ao fogo, mas fica macia e tostadinha por fora, escolhi uma cerveja de preço honesto para tomar à noite: a Steenbrugge Dubbel Bruin.

Em matéria de dubbel, a brasileira (e mineiríssima) Wäls se sai melhor, com mais sabor e mais personalidade. Mas a Steenbrugge não se sai mal não. Ao contrário, uma cerveja bonita, coloração vermelho-amarronzada, espuma bege de curta duração mas um aroma bastante agradável de frutas, principalmente uvas. O sabor também é agradável, acompanhando o aroma, com amargor suave e sabor levemente torrado, leve na boca e os 6,5º de graduação alcoólica se integram bem.

Mais uma boa lembrança trazida da agradável Monte Verde.

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