Por quem os sinos dobram-blog de Fabio M

Um poema às quartas

25/11/2009 · 2 Comentários

O CACTO

Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco Nordeste, carnaubais, caatingas…
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.

Um dia um tufão furibundo abateu-os pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas
[privou a cidade de iluminação e energia:

- Era belo, áspero, intratável.

Petrópolis, 1925

P.S.  Na verdade quem merece um post é o cartum do Laerte. Fantástico. Mas aproveito a oportunidade para lembrar de um clássico do Bandeira.

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XI Festa do Livro da USP

23/11/2009 · 2 Comentários

Quem puder não perder, não perca. No prédio da História/Geografia.

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Literatura ruim é melhor que literatura nenhuma?

22/11/2009 · 10 Comentários

Cada vez que surge um novo fenômeno de vendas no campo literário surge a velha discussão: vale a pena? Uns argumentam que sim. Dizem que a literatura infanto-juvenil ruim serve como uma “introdução” a jovens que nunca leriam nada com mais de quinze páginas e cujas páginas não contivessem mais de 3/4 de seu espaço tomado por figuras. Outros discordam. Dizem que quem lê Harry Potter não lê outra coisa. Não passa a ser consumidor de literatura. Passa a ser consumidor do próximo fenômeno de marketing, seja ele literário ou não.

A minha opinião é… eu não tenho opinião alguma formada sobre isso. Ainda. O próprio fato de ter usado termos como “consumidor” e não “leitor” já dá mostras da complexidade do problema. E aí até a velha distinção entre “alta literatura” e “subliteratura” fica superada, pois atualmente a cultura passou a ser vista como entretenimento e como um setor da economia. É o velho slogan do “leia o livro, assista o filme, ouça o disco”, rótulo que pode ser aplicado tanto ao “sério” e “culto” Ian McEwan para o “superficial” e “infantil” Harry Potter.

Tudo isso pra dizer que neste fim de semana assisti a “Crepúsculo“, filme baseado no romance de Stephanie Meyer.  Assisti não seria bem o termo. Eu acompanhei o filme, enquanto comia pizza e conversava com minha esposa e cunhado, a partir do terço inicial para o seu final. O que dizer de um filme/livro que conta a história de um triângulo amoroso entre uma mocinha, um vampiro e um lobisomem? E que o vampiro bonzinho faz parte de uma família de vampiros bonzinhos e “vegetarianos” (eles só sugam o sangue de animais, não de gente)? E que o romance dos dois é puro e virginal como um romance entre uma mocinha branca do sul dos Estados Unidos com um carinha que usa o anel de castidade dos Jonas Brothers (afinal de contas, Stephanie Meyer é mórmom praticante e sua saga serve também para embrulhar bem bonitinho o conceito de moralidade proto-cristã da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias)? Não há muito o que falar sobre o filme, mais do que haveria para falar de Bob Esponja, Padrinhos Mágicos ou Hannah Montana.

Que a sociedade americana, e por conseguinte a sociedade ocidental, está em franco e rápido processo de infantilização, cuja proliferação de “desenhos adultos” (não estou falando de paródias pornôs, mas de Simpsons, Family Guy e similares), transformação de baile de debutantes em bailinhos Disney (quando outrora eram o rito de passagem para a vida adulta – casamento, sexo e saída da casa dos pais inclusos) e a proliferação de especialistas para todas as áreas da vida privada, nós já sabemos. Que isto significa que, especilmente na indústria do entretenimento americana, a complexidade dos temas e a qualidade dos produtos ficma seriamente comprometidas em favor de uma “palatabilidade” mais geral possível, também.

Porém se o terreno da “coerência ideológica” está perdido, visto que a recente adaptação cinematográfica de Atonement (no Brasil recebeu o quase idiótico título de “Desejo e Reparação” – o que mostra a necessidade quase patológica de que tudo seja explicadinho e digerido nos mínimos detalhes para o deleite da massa) equipara em termos de “mercadoria” tanto a alta cultura quanto a subliteratura, ao menos no quesito “qualidade” há ainda alguma reserva. Resta saber por quanto tempo.

P.S. Sobre a questão da infantilização da sociedade, há este interessante artigo. Sobre o uso da ficção e da mitologica como meio de transmissão de valores morais, já escrevi aqui.

P.P.S. Para não dizer que o filme não presta para absolutamente nada, dá para dizer que Kristen Stewart é uma atriz boazinha, como seu papel de adolescente louquinha pra dar em “Na Natureza Selvagem” havia mostrado. Mas o grande achado do filme é a beleza (ainda que com pouco talento) de Ashley Greene.

P.P.P.S. Com um enfoque um pouco diferente (e muito mais bem escrito), o jornalista Maurício Stycer escreveu em seu blog um artigo que foi tuitado como “um tiozinho tentando entender Crepúsculo e Lua Nova”: aqui. Tiozinho. Pois é… foi assim que me senti.

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Thank God it’s Friday – Eikbier Red Ale

20/11/2009 · 3 Comentários

Embora seja um mercado ainda incipiente e com pouco tempo de existência, já é possível consumir cervejas especiais apenas com as opções produzidas no Brasil. Claro que nosso mercado não se compara em tamanho e em opções a mercados como o dos Estados Unidos, este sim pululando com novos sabores a cada minuto, ou com o da Europa, por ser o local de origem da cerveja. Mas cada vez mais e melhores opções são apresentadas aos consumidores.

Uma dessas novidades é a Eikbier Red Ale, uma amber ale potente, saborosa e aromática. Seu teor alcoólico é de 6º (contra 4,5º das pilsens industriais brasileiras) e o álcool se faz presente no sabor, porém de forma harmoniosa, sem agredir o paladar. A cor é vermelho escura e tem boa formação de espuma. E há uma boa presença de lúpulo, tanto nos aromas frutados quanto no sabor.

Mas o que é talvez a principal qualidade das cervejas artesanais brasileiras também é seu principal problema. A alta qualidade das produções, tanto nas matérias primas (diferentemente das grandes cervejarias, nelas só entram lúpulos de alta qualidade e malte, não arroz, milho, sorgo e outros cereais) quanto na baixa quantidade produzida faz com que o preço seja bastante alto, comparado com cervejas similares no mercado europeu e americano. Isso aliado a uma política tributária estilo “Robin Hood às avessas” (tira dos pobres para dar aos ricos), que beneficia grandes empresas multinacionais que produzem um produto barato e pune pequenas empresas que dão emprego e geram riquezas nas pequenas cidades do país.

Esta cervejaria, no caso, se localiza em Taboão da Serra, Grande São Paulo, e é produzida por dois irmãos. Inclusive, mediante contato, é possível visitar a cervejaria e comprar diretamente da fábrica suas garrafas de Eikbier (que também produz uma porter, uma weiss e uma golden ale). Vale a visita.

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Uma concisa história do racismo

19/11/2009 · Deixe um comentário

Como já disse anteriormente, este assunto desperta reações pouco racionais da minha parte.

De qualquer forma, esta imagem, que eu copiei do Flickr do Alex Castro retrata com precisão poucas vezes vista as razões pelas quais a “opinião pública” rejeita as ações afirmativas (cotas) para negros.

History of racism

Claro que onde se lê “nos Estados Unidos” pode (e deve) ser substituído por “no Brasil” sem prejuízo do entendimento, principalmente porque nos E.U.A. já se adotam ações afirmativas, enquanto no Brasil nem sombra disso.

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Um poema às quartas

18/11/2009 · Deixe um comentário

e-e-cummings

rpophessagr

ohotnafga

(tradução: Augusto de Campos)

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Portas automáticas

16/11/2009 · 2 Comentários

Um grupo de rapazes enche uma bolsa tiracolo de molhos de chaves, aparelhos de telefone celular, moedas e outros trecos metálicos. Um rapaz põe a bolsa no ombro, dirige-se à porta do banco e entra em menos de cinco segundos (só o tempo de girar a porta).

Minutos depois a mesma bolsa com os mesmos pertences é passada para um segundo rapaz. O cara vai pra porta da mesma agência bancária e a vê travar. Tem de abrir a bolsa, tirar uma série de coisas de dentro, levantar a camisa e após um minuto e trinta e três segundos ainda não conseguira entrar na agência bancária. Retira-se de lá com a camiseta nas mãos (tivera de tirá-la para mostrar para os guardas que não estava com nada sob ela) e com vários molhos de chave nas mãos, que tivera de mostrar para os guardas.

Mesma bolsa. Mesmos pertences. Dois rapazes. Um branco e um negro.

Post copiado do Alex Castro (Liberal, Libertário e Libertino), que por sua vez copiara do site do Circo Voador que está iniciando um movimento chamado “Manifesto Porta na Cara”.

http://sinosdobram.wordpress.com/2009/09/19/o-brasil-nao-e-um-pais-racista/

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A implosão de um time

14/11/2009 · Deixe um comentário

Eu queria escrever alguma coisa sobre a implosão do Palmeiras, de um time que abrira 5 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, tinha defesa sólida e ataque eficaz para se transformar hoje numa patética caricatura de si mesmo. Mas a parte tática do time foi excelentemente bem analisada pelo Eduardo Cecconi, do blog Preleção.

Qual será o futuro do “Muricybol”?

Diagrama tático do Palmeiras no primeiro tempo contra o Sport

Rodada a rodada o Palmeiras demonstra que esgotaram-se as forças do seu 3-5-2 brasileiro. E, para minha incredulidade, o técnico Muricy Ramalho resiste a qualquer alternativa tática. Parece-me – não quero cometer injustiça, portanto aceito opiniões contrárias a esta observação – que Muricy está bitolado pelo “Muricybol”, este esporte diferente que ele inventou, baseado no futebol.Contra o Sport Recife, ontem, o Palmeiras tentou disfarçar-se em um 4-4-2, mas não conseguiu. Na teoria, a equipe tinha uma linha defensiva de quatro jogadores (os laterais Figueroa e Armero, mais os zagueiros Danilo e Maurício) e um losango no meio-campo (Edmílson no primeiro vértice, dois volantes pelos lados – Souza e Sandro Silva – e Diego Souza de ponta-de-lança). Na frente, Ortigoza e Obina.

Mas, na prática, Edmilson logo se posicionou como um “zagueiro pela direita”, obstinado na cobertura de Figueroa. Ele saiu do posicionamento inicial (representado no diagrama tático pelo número 1 circulado) e passou a jogar como um guardião da lateral. Em dez minutos, o Sport marcou um gol – e, pasmem, por aquele setor ultra-protegido. Qual foi a primeira decisão de Muricy? Imediatamente, admitir o 3-5-2, levando Edmílson para a “sobra” (posição 2 no diagrama tático), escancarando seu predileto sistema tático. O falso 4-4-2 durou 10min.

Continua aqui.

O post analisa com bastante competência a tática utilizada nas últimas partidas. Utilizada não. Insistida, mesmo tendo sido provado sua fragilidade e defeitos, a despeito da falta de peças de reposição para as ausências dos jogadores-chave.

Mas o post analisa a tática de maneira isolada, sem o contexto do campeonato todo. Se isso for feito, a coisa fica ainda pior.

Com o Jorginho o time era armado num insinuante 4-4-2 (4-2-2-2) com Pierre e Edmílson (ou Souza) à frente da linha de zaga, Cleiton Xavier e Diego Souza armando para Obina e William ou Ortigoza. O time era ofensivo e ainda tinha uma defesa sólida. E alternativas táticas, pois contra o Flamengo no primeiro turno o time entrou com um 4-2-3-1 com Diego Souza, Cleiton Xavier e Deyvid Sacconi de armadores se alternando no apoio a Ortigoza.

Com Muricy as alternativas táticas sumiram.

Mas não foi o único problema. Um elenco mal montado, sem peças de reposição à altura para as ausências na zaga e meio-campo. Mas ainda assim sub-utilizado pelo técnico. Com a ausência de Diego Souza, Cleiton Xavier mostrou-se incapaz de liderar o time e fazer a aproximação ao ataque. Com a ausência de Cleiton Xavier, Diego Souza ficou sobrecarregado. Em ambos os casos Deyvid Sacconi poderia ter sido útil como havia sido provado ser na gestão do Jorginho.

Portanto táticas equivocadas, excesso de contusões, contratações que não vingaram solaparam as chances do Palmeiras ser campeão. Mas a inabilidade do treinador e a falta de reação e atitude do elenco  enterraram definitivamente as pretensões do Palmeiras. E nesse aspecto o menos a ser cobrado seria o presidente do clube. Bancou a contratação do técnico mais caro do Brasil no momento, aquele que havia sido três vezes seguidas campeão (sendo vice no controvertido campeonato de 2005  das anulações do Zveiter e a arbitragem do Márcio Resende de Freitas), bancou a manutenção de todo o elenco, mesmo recebendo propostas por Pierre e Maurício Ramos (além das sondagens a Diego Souza e Cleiton Xavier) e contratou um jogador top de linha para os padrões do Brasileirão. Mas isto é futebol. Sem atitude em campo, nada sobrevive.

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Shows, shows e mais shows

13/11/2009 · 3 Comentários

A gente percebe que está ficando velho à medida em que a nossa capacidade de renovação se esgota, e passamos mais tempo lamentando o fato de… ah… como era boa aquela época… Wolfgangs-Vault-Ticket Isso e também o fato de passarmos mais tempo ouvindo programas de flashback que em pesquisando novas músicas, bandas e sons. Não que isso tenha ocorrido comigo, afinal eu ainda prefiro garimpar novidades musicais, descobrir novas tendências e quem sabe achar alguma pepita valiosa. Mas que isso já está se tornando uma quase-regra entre as pessoas da minha geração, está. Mas há sempre algo pior. Há, por exemplo, aqueles que lamentam e sentem nostalgia daquilo que nunca viveram. Por exemplo, pessoas que viveram os anos 80 e 90 mas  queriam ter vivido nos anos 60 e 70. E algo ainda pior. Aqueles que querem negar o caráter saudosista e lamentativo dessa nostalgia ao criar nomes e termos esdrúxulos como o eufemismo  “classic rock”. Classic Rock é o caramba. O negócio se chama “flashback” e isso é atestado de velhice! Ponto! Mas como eu também não sou imune a esse tipo de sentimento, que vez ou outra aparece, é sempre bom poder contar com alguma boa fonte à qual podemos recorrer. E uma dessas fontes é o site Wolfgang’s Vault. O WV é uma loja online que vende memorabilia e merchandising roqueiro. Camisetas, posteres, fotos, relíquias como ingressos antigos, etc. Mas o que faz desse site imperdível é o Concert Vault.

concert-vault

O Concert Vault é um mega-arquivo com concertos de bandas antigas de rock para ouvir via streaming, algumas para se assistir em video e mesmo para baixar (alguns deles gratuitamente, outros através de pagamento). Mas o streaming, sem download é gratuito. E as opções chegam às milhares, com novas adições semanais. De AC/DC a Jeff Beck, de BB King a Chicago, de Deep Purple a Jethro Tull. Basta efetuar o cadastro gratuitamente e começar a ouvir. Claro que diversos artistas já tentaram tirar o site do ar. Porém como ele em geral não permite downloads gratuitos, apenas streaming, e no caso do download pago o artista certamente é remunerado, o site continua no ar.

Wolfgangs-Vault-Where-Live-Music-Lives

Excelente opção para quem trabalha no PC e precisa de uma música ambiente de boa qualidade.

P.S. Baixe os 1001 discos para se ouvir antes de morrer.

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Um poema às quartas

11/11/2009 · Deixe um comentário

http://earthstation1.simplenet.com

The Sick Rose

O Rose, thou art sick!
The invisible worm
That flies in the night,
In the howling storm,

Has found out thy bed
Of crimson joy:
And his dark secret love
Does thy life destroy.

A Rosa Doente

Ó Rosa, estás doente.
Numa noite terrível
Na uivante torrente,
Voa o verme invisível:

Encontrou o teu leito
De alegria menina:
Seu negro amor secreto
A vida te assassina.

(Tradução de Diego Barreto Ivo)

sick rose

(Tradução de Augusto de Campos)

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Drops humorísticos

10/11/2009 · 3 Comentários

Fim de semestre na UNIBAN

 

Copiado de Arnaldo Branco.

linchamento

E este do Alan Sieber.

P.S. Eu estou meio atrasado nesta semana, mas sexta feira tem coisa nova e de punho próprio no blog.

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Uísque na garrafa

07/11/2009 · Deixe um comentário

Irlandês é comumente chamado de beberrão e festeiro. Principalmente na cultura dos Estados Unidos, que recebeu imigração maciça de irlandeses nos séculos XVIII e XIX, mas também em sua própria visão. E não é pra menos, em Dublin se encontra a maior concentração de pubs do mundo, além de sediar a mítica cervejaria Guinness.

Uma canção que mostra essa disposição é Whiskey in the Jar, uma canção folclórica do século 17 presente em uma série de gravações modernas.

Como em qualquer canção tradicional ou folclórica, há versõe diferentes nas letras, principalmente entre a versão tradicional e as versões pop gravadas por Metallica, Thin Lizzy, The Pogues entre outros. Mas todas as versões contam mais ou menos a mesma história, a de um salteador irlandês que assalta um coronel do exército inglês (desde aquela época a Inglaterra já oprimia a Irlanda) e depois é traído por sua companheira (esposa ou amante), que lhe rouba toda grana e o entrega para o militar que havia sido assaltado. De quem é a culpa? Ora, da mardita pinga (ou uísque, claro), que o havia deixado incapaz de reagir ao ataque do inglês e da perfídia de sua amante.

Mas tudo narrado com o maior bom humor possível, como cabe a um bom irlandês, sempre regado a muita bebida.

Aqui é possível visualizar a letra da canção como ela foi gravada por Thin Lizzy e Metálica. A canção conta com duas estrofes a menos e alguns detalhes como nomes e localidades trocados. Aqui visualizamos a versão tradicional da música.

Eis a versão bêbada de The Pogues:

E a versão folk da canção (clique com o botão direito e baixe o playlist).

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Thank God it’s Friday – Falke Estrada Real

06/11/2009 · Deixe um comentário

estradareal

O Instituto Estrada Real, organização sem fins lucrativos que visa desenvolver o turismo nos locais onde passava a antiga Estrada Real que ligava as Minas Geraes à capital da colônia, Rio de Janeiro, licencia alguns produtos que tem ligação com a cultura mineira e  a Falke Bier, cervejaria de Belo Horizonte, foi convidada a desenvolver um produto segundo tais valores. O proprietário da cervejaria, Marco Falcone, se perguntou:  ”se algum estilo de cerveja circulasse por aquelas estradas, qual seria? Resposta: a IPA”.

O estilo India Pale Ale foi desenvolvido para suportar viagens longas, pois era exportado para as colônias britânicas nas Índias, contemporâneas à exploração das minas no sertão brasileiro, e para tal continham um maior teor alcoólico e maior adição de lúpulo, um conservante natural.

Isso confere ao estilo um amargor mais acentuado que uma cerveja “normal” e um aroma lupulado bastante intenso. A Falke Estrada Real não foge da característica do estilo. Aliás, mais que isso, ombreia-se com a Colorado Índica, praticamente uma referência no estilo fabricada no Brasil. A Falke tem um aroma bastante agradável, amargor intenso e sabor bastante lupulado. Sua aparência é bela, acobreada, com bastante formação de espuma. E há um calorzinho de álcool mais presente na Falke que na Colorado, pelo fato da Colorado ter 7º e a Falke ter 7,5º de álcool.

Há outras boas opções de IPAs no mercado brasileiro, como o chopp Drake’s, produzido pela Nacional FT e a Devassa Índia, ambas encontradas apenas em chopp, sem serem engarrafadas.

A primeira IPA disponível no Brasil foi a Greene King IPA, que embora sendo uma boa cerveja, é menos amarga, menos alcoólica e menos aromática que  as brasileiras. Foi uma boa introdução, uma espécie de “vinho alemão de garrafa azul”, que mesmo sendo um produto inferior ajudou a popularizar o vinho no Brasil. Mas se for pra escolher, fique com as brasileiras que já estão à frente de sua colega britânica.

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Um poema às quartas

04/11/2009 · 2 Comentários

manuelbandeira

CANÇÃO DAS DUAS ÍNDIAS

Entre estas Índias de leste
E as Índias ocidentais
Meu Deus que distância enorme
Quantos Oceanos Pacíficos
Quantos bancos de corais
Quantas frias latitudes!
Ilhas que a tormenta arrasa
Que os terremotos subvertem
Desoladas Marambaias
Sirtes sereias Medéias
Púbis a não poder mais
Altos como a estrela d’alva
Longínquos como Oceanias
- Brancas, sobrenaturais -
Oh inaccessíveis praias!…

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Humano?

02/11/2009 · 2 Comentários

Começou a sexta temporada de House, minha série favorita. E, claro, como sou um completo pastel, perdi metade do episódio especial de duas horas que passou na quinta-feira da semana retrasada. Liguei a TV no horário pontualmente correto, mas perdi a primeira hora.

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Como já se sabia desde o final da temporada anterior, House se interna em um hospício para tratar-se do vício de Vicodin que já estava evoluindo para a demência. E no primeiro e segundo episódios da série alguns elementos podem sugerir uma certa mudança no enfoque do personagem principal são desenvolvidos de maneira interessante. Se apaixona por uma mulher que visita sua amiga internada no hospício, se envolve com ela e sofre a dor emocional da perda. Começa a buscar uma nova forma de atuação profissional e com isso deixa o hospital Princeton-Plainsboro e abandona a maneira obsessivo-compulsiva com a qual lida com a solução de enigmas médicos.

Ou seja, o personagem está se tornando mais humano. Passa a ser afligido por dilemas reais, emoções reais, não sendo apenas um super-herói da diagnose. O que é um baita avanço, já que os conflitos humanos da série nas duas últimas temporadas, principalmente nos romances entre Wilson e Amber ou entre Foreman e 13 estavam se tornando bastante enfadonhos. Aliás, uma temporada que foi bastante irregular conseguiu ter um final que abriu uma série de possibilidades a serem desenvolvidas.

Resta torcer para que os autores não caiam na tentação, tantas vezes flertada, da excessiva caricaturização do personagem e consequente empobrecimento dos conflitos.

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